Uma onda de choque abateu-se sobre o futebol africano. A Confederação Africana de Futebol decidiu atribuir o título de Campeão Africano a Marrocos, na secretaria, isto apesar do Senegal ter vencido por 1-0, após prolongamento, no jogo que decorreu até ao fim dos 120 minutos de jogo.
A 18 de Janeiro de 2026, no Estádio Príncipe Moulay Abdellah, em Rabat, a capital marroquina, a selecção senegalesa venceu Marrocos por 1-0, após prolongamento, com o único tento a ser apontado pelo médio Pape Gueye.
Um triunfo após um final polémico em que vários jogadores senegaleses acabaram por deixar o relvado e regressarem ao balneário, mas não a equipa na sua totalidade visto que, entre outros, ficaram o avançado Sadio Mané e o capitão Gana Gueye.
Durante cerca de 15 minutos a situação foi complicada, mas os jogadores acabaram por regressar e o árbitro retomou o decorrer do jogo.
O protesto senegalês tinha ocorrido após o árbitro da partida, Jean Ndala, da República Democrática do Congo, ter assinalado uma grande penalidade que o médio ofensivo marroquino, Brahim Díaz, falhou, rematando à figura do guarda-redes Édouard Mendy.
O Senegal venceu pela segunda vez a prova, mas Marrocos contestou, com base nos artigos 82 e 84. Após as primeiras decisões a 29 de Janeiro, em que o resultado era mantido, a decisão tomada pelo júri de recurso acabou por ser divulgada a 17 de Março com a seguinte decisão:
“O júri de recurso da Confederação Africana de Futebol decidiu, ao abrigo do artigo 84 do regulamento do Campeonato Africano das Nações, declarar a equipa nacional do Senegal como derrotada durante a final do CAN, com o resultado a ser homologado por 3-0 a favor da Federação Real Marroquina de Futebol”, reforçando que “a selecção senegalesa, pelo seu comportamento, infringiu o artigo 82”.
O Artigo 82 refere que “se, por uma qualquer razão, uma equipa se retira da competição ou não se apresenta, ou recusa jogar, ou deixar o relvado antes do fim do tempo regulamentar, sem a autorização do árbitro, será considerada como tendo perdido o jogo e será eliminada da prova em curso”, isto enquanto o Artigo 84 refere que “se uma equipa infringir o artigo 82 será excluída da prova e perde o jogo por 3-0”.
Houve muitas reacções em torno desta decisão, entre elas a Federação Senegalesa de futebol que vai apresentar um recurso no Tribunal Arbitral do Desporto para recuperar o título conquistado.
A RFI falou com Hélder Duarte, treinador português que já conquistou três títulos de Campeão em Moçambique, dois com a Associação Black Bulls, em 2021 e em 2024, e um com o Ferroviário da Beira em 2023.
Em entrevista exclusiva à RFI, Hélder Duarte, de 43 anos, admitiu que esta decisão não faz sentido dois meses depois da prova, e tem a convicção que o Tribunal Arbitral do Desporto vai dar novamente o título ao Senegal.
O resultado da final do CAN que decorreu em Marrocos ainda está por ser conhecido, esperando-se agora a decisão do Tribunal Arbitral do Desporto.
A RFI também abordou o futuro de Hélder Duarte, que está sem clube desde a sua saída do Black Bulls, isto após uma temporada 2025 do Moçambola que não chegou ao fim, mas que a Liga moçambicana decidiu parar definitivamente.
A União Desportiva do Songo sagrou-se Campeão com 57 pontos e 22 jogos disputados, enquanto o Black Bulls ficou no segundo lugar com 39 pontos e 23 encontros realizados.
Em entrevista exclusiva à RFI, Hélder Duarte admitiu que foi uma temporada complicada, esperando agora por um novo projecto, tendo ainda em mente um possível regresso a Moçambique.
O arranque da temporada em Moçambique está marcado para este sábado 21 de Março com a SuperTaça entre a UD Songo e o Black Bulls. Quanto ao Campeonato, as previsões apontam para um início da prova em Abril.