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Horizonte de Eventos

Sérgio Sacani Sancevero
Horizonte de Eventos
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  • Horizonte de Eventos

    Horizonte de Eventos - Episódio 100 - Uma Breve história do Projeto SETI - Parte V

    31/05/2026 | 55min
    Antes de enviarmos sinais de rádio para as estrelas, enviamos algo muito mais silencioso: objetos.
    Neste episódio de Horizonte de Eventos, seguimos a história dos primeiros mensageiros interestelares da humanidade: as sondas Pioneer 10 e Pioneer 11, lançadas nos anos 1970, levando consigo as famosas Placas Pioneer — pequenos cartões-postais cósmicos gravados em metal, com figuras humanas, um mapa de pulsares, o átomo de hidrogênio e a posição da Terra no Sistema Solar.
    Criadas em poucas semanas por Carl Sagan, Frank Drake e Linda Salzman Sagan, essas placas foram a primeira tentativa formal da humanidade de dizer ao universo: “nós existimos”.
    Mas essa história não termina nas Pioneer. Ela nos leva até as sondas Voyager, o lendário Disco de Ouro, as saudações em 55 idiomas, os sons da Terra, músicas de diferentes culturas e até as ondas cerebrais de Ann Druyan, gravadas enquanto ela pensava no amor.
    Nesta Parte V, exploramos a passagem da escuta para a mensagem: do SETI, que procura sinais de inteligência extraterrestre, ao METI, que tenta enviar mensagens para possíveis civilizações lá fora. E, no centro de tudo, uma pergunta profunda: quando falamos com o cosmos, estamos realmente tentando alcançar alienígenas — ou escrevendo uma carta para nós mesmos?
    Uma viagem sobre ciência, memória, solidão cósmica, esperança e o desejo humano de não ser esquecido.
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    Horizonte de Eventos - Episódio 99 - Uma Breve História Do Projeto SETI - Parte IV

    22/05/2026 | 59min
    Em dezesseis de novembro de mil novecentos e setenta e quatro, um grupo de cento e cinquenta pessoas reunido sob uma tenda branca na floresta tropical de Porto Rico ouviu, pela primeira vez na história, a humanidade falar com o cosmos. O radiotelescópio de Arecibo, recém-reformado com um transmissor de quatrocentos e cinquenta quilowatts, disparou em direção ao aglomerado globular Messier 13, a vinte e duas mil anos-luz de distância, uma sequência de mil seiscentos e setenta e nove bits codificando a química da vida, o esqueleto do DNA, a figura de um ser humano, o mapa do sistema solar e a assinatura do próprio telescópio. Durou cento e sessenta e nove segundos. A audiência se levantou em silêncio, saiu da tenda e ficou parada na borda da arquibancada, olhando para a tigela de concreto, ouvindo o canto binário ecoar pelos alto-falantes. Foi a primeira tentativa deliberada da nossa espécie de enviar uma carta para outra inteligência.
    Quase três anos depois, na noite de quinze de agosto de mil novecentos e setenta e sete, num laboratório modesto do interior de Ohio, o astrônomo Jerry Ehman revisava folhas de papel matricial impressas pelo radiotelescópio Big Ear da Universidade Estadual de Ohio. Os números corriam diante dos seus olhos como sempre, na maior parte zeros e uns. Até que ele viu seis caracteres seguidos, formando uma curva limpa de subida e descida, com intensidade trinta vezes acima do ruído de fundo: 6EQUJ5. Setenta e dois segundos de sinal narrowband na linha do hidrogênio, vindo da direção de Sagitário. Ehman pegou a caneta vermelha, circulou a sequência e escreveu na margem, em letra de mão, a palavra que viria a definir cinco décadas de mistério: Wow!
    Nesse episódio, costuramos os dois eventos como uma única arca narrativa da SETI dos anos setenta. Falamos do Projeto Ozma de Frank Drake em mil novecentos e sessenta, do artigo seminal de Cocconi e Morrison que estabeleceu a linha de mil quatrocentos e vinte mega-hertz como a frequência universal de comunicação, da Equação de Drake e do encontro fundador de Green Bank. Acompanhamos a construção do telescópio de Arecibo na cratera da floresta porto-riquenha, sua dupla vocação de astronomia e defesa contra mísseis soviéticos, e a composição cuidadosa da mensagem por Drake, Walker, French, Isaacman e Carl Sagan, incluindo o teste em que Sagan tentou decifrar o próprio envelope sem saber o conteúdo. Reconstruímos a coincidência absurda do verão de mil novecentos e setenta e sete, quando, em pouco mais de três semanas, recebemos algo que pareceu uma resposta e enviamos as duas Voyager Golden Records ao espaço interestelar.
    A parte final aborda a virada científica recente. Em dois mil e vinte e quatro e dois mil e vinte e cinco, o astrobiólogo Abel Méndez e sua equipe do Laboratório de Habitabilidade Planetária da Universidade de Porto Rico publicaram a hipótese mais robusta até hoje para o sinal Wow!: um maser natural de hidrogênio interestelar acionado por uma erupção de magnetar, com intensidade revisada para duzentos e cinquenta janskys e frequência corrigida para mil quatrocentos e vinte vírgula sete dois seis mega-hertz. O projeto Wow@Home agora democratiza a busca, com astrônomos amadores monitorando o céu em tempo real.
  • Horizonte de Eventos

    SPACE TODAY - EPISÓDIO 3610 - AS NOVIDADES DO STARSHIP PARA O VOO 12

    18/05/2026 | 27min
    MATRICULE-SE AGORA NO CURSO DE ASTRONOMIA TOTAL DO SPACE TODAY!!!O link da pagina https://lp.academyspace.com.br/🚀 A nova geração do Starship e Super Heavy chegou! Neste vídeo, detalhamos todas as inovações do Starship V3, impulsionado pelos novos motores Raptor 3 e lançando a partir de uma plataforma totalmente nova. Descubra como anos de testes de voo e desenvolvimento culminaram nesta obra-prima da engenharia aeroespacial.O booster Super Heavy V3 apresenta melhorias significativas: redução para três aletas de grade (agora 50% maiores e mais fortes), um novo estágio quente integrado que substitui a inter-estágio protetora de uso único e um tubo de transferência de combustível totalmente redesenhado para partidas simultâneas e mais confiáveis dos 33 motores Raptor.O Starship V3 traz um design revolucionário em seus sistemas de propulsão, permitindo um novo método de inicialização do Raptor, maior volume no tanque de propelente e um sistema de controle de reação aprimorado. Além disso, o mecanismo Starlink PEZ Dispenser foi atualizado para implantar satélites com muito mais velocidade. E mais: o Starship agora está projetado para voos de longa duração, com sistemas eficientes e conexões para transferência de propelente nave-a-nave!Em termos de aviônica, ambas as naves estreiam capacidades avançadas para altas taxas de voo e reutilização total, com cerca de 60 unidades aviônicas personalizadas e câmeras atualizadas que fornecem 50 visualizações diferentes, tudo conectado via Starlink de alta velocidade.Os motores Raptor 3 não ficam para trás: eles entregam mais empuxo (250 tf ao nível do mar e 275 tf no vácuo) e tiveram seu peso reduzido, economizando aproximadamente 1 tonelada por motor no veículo geral.Por fim, exploramos a nova Plataforma de Lançamento 2 (Pad 2) na Starbase, que traz um parque de propelentes com maior capacidade, "chopsticks" mais rápidos na torre de lançamento e uma estrutura de montagem completamente redesenhada para segurança e eficiência máximas.Tudo isso foi projetado para desbloquear as funções essenciais do veículo: reutilização total e rápida, transferência de propelente no espaço, implantação de satélites Starlink e a incrível capacidade de enviar pessoas e cargas para a Lua e Marte. Assista agora e fique por dentro do futuro da exploração espacial!👍 Curta, comente e compartilhe — se inscreva no canal e ative o sininho para não perder as próximas novidades sobre o universo SpaceX!
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    Horizonte de Eventos - Episódio 98 - Uma Breve História do Projeto SETI - Parte III

    13/05/2026 | 1h 2min
    Crimeia, outono de 1963. Numa estação de espaço profundo, um astrônomo soviético de trinta e um anos aponta uma antena para uma fonte de rádio distante e cogita, em plena Guerra Fria, a hipótese mais ousada que um cientista podia formular naquele momento. E se aquele sinal piscando irregularmente fosse artificial? E se, a bilhões de anos-luz daqui, alguém estivesse tentando falar com a Terra?
    O nome dele era Nikolai Kardashev. O objeto se chamava CTA-102. E o que aconteceu nos meses seguintes virou um dos episódios mais reveladores da história da SETI, a busca por inteligência extraterrestre. A fonte não era artificial. Era um quasar, um buraco negro supermassivo se alimentando de matéria a oito bilhões de anos-luz daqui. Kardashev errou. Mas errou para o lado certo do erro. Porque a pergunta que ele se forçou a fazer durante aquela investigação acabou gerando uma das ferramentas conceituais mais usadas, mais distorcidas e mais citadas da astronomia do último meio século.
    Três anos antes, do outro lado do mundo, num gabinete em Princeton, um físico britânico chamado Freeman Dyson havia publicado um paper curto e estranho na revista Science. Pouco mais de uma página. Dyson argumentava que civilizações suficientemente avançadas, sem precisar mandar sinal nenhum, deixariam pegadas inevitáveis no céu. Pegadas térmicas. Calor residual da própria existência tecnológica, irradiado em comprimentos de onda específicos no infravermelho. Era essa intuição que Kardashev tinha lido. E era essa intuição que acabaria se cristalizando, em 1964, numa régua para medir civilizações por consumo de energia. A escala de Kardashev. Os três tipos.
    Neste episódio, conto a história de dois homens que nunca se conheceram pessoalmente até décadas depois, e que mesmo assim construíram, em paralelo e em continentes opostos, o vocabulário com que a astronomia ainda discute o destino da inteligência no cosmos. Passo pela viagem de carro improvável que Freeman Dyson fez com Richard Feynman em 1948 e que ajudou a mudar a física quântica. Recupero o romance metafísico de Olaf Stapledon, publicado em 1937, que inspirou a famosa esfera. Conto a biografia de Kardashev, filho de bolcheviques fuzilados por Stálin que cresceu para classificar as civilizações cósmicas. Mostro como a escala se aplica à humanidade hoje, em qual degrau estamos e o que faltaria para subir.
    Do lado observacional, percorro o caminho que levou daquela intuição de Dyson aos telescópios infravermelhos modernos, ao IRAS, ao WISE, ao Gaia. Conto a estrela de Tabby e o frenesi de 2015. Apresento o Projeto Hefesto, a iniciativa sueca que, em 2024, identificou sete candidatos a esferas de Dyson incompletas em torno de anãs vermelhas próximas. E também conto por que, em 2025, esses sete candidatos foram, um por um, sendo questionados por novas observações em alta resolução feitas em Manchester.
    Conto também sobre o Paradoxo de Fermi, sobre o que o Espelho Cósmico nos revela quando olhamos para a SETI como espelho da humanidade, e por que a escala de Kardashev sobrevive a todas as críticas legítimas que recebe. No fim, o que fica é uma reflexão sobre o trabalho científico em si. Sobre como o erro de Kardashev em 1963 e o paper de Dyson em 1960 se tornaram, em conjunto, a régua que ainda usamos para medir o destino de qualquer espécie inteligente, incluindo a nossa.
    Aperte o play. A antena está apontada para o céu.
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    Horizonte de Eventos - Episódio 97 - Uma Breve História do Proejto SETI - Parte II

    12/05/2026 | 54min
    Em abril de mil novecentos e sessenta, num vale enrugado das montanhas Apalaches, um astrônomo de vinte e nove anos chamado Frank Drake subiu numa antena de oitenta e cinco pés antes do nascer do sol, se enfiou numa cabine do tamanho de uma lata de lixo no foco da parabólica e apontou o equipamento para uma estrela chamada Epsilon Eridani. Tinha um orçamento total de dois mil dólares, um receptor caseiro ajustado a chave de fenda, e a esperança secreta de que quase toda estrela parecida com o Sol carregasse, em algum lugar do rebanho de planetas, uma espécie tagarela como a nossa.
    Foi o primeiro experimento moderno de busca por inteligência extraterrestre. Também foi o primeiro falso alarme da história da SETI. Logo no primeiro dia, um sinal perfeito de oito pulsos por segundo atravessou o alto-falante da sala de controle e, por alguns minutos vertiginosos, pareceu ter mudado tudo. Era um avião de espionagem.
    Um ano e meio depois, num fim de semana de Halloween, Drake reuniu nove colegas numa salinha do mesmo observatório de Green Bank. Estavam ali um futuro Nobel de Química, um neurocientista que tinha decidido que conversar com golfinhos era o melhor treino para conversar com alienígenas, e um aluno de doutorado chamado Carl Sagan que ainda não era ninguém. Naquele encontro, depois de uma noite regada a champanhe e do anúncio do Nobel de Melvin Calvin pela linha direta com Estocolmo, Drake foi até o quadro-negro e escreveu sete letras gregas multiplicadas umas pelas outras. Saiu dali a equação mais famosa da astrobiologia.
    Este episódio conta essa história. Como uma pergunta sem nome saiu da literatura especulativa e virou um experimento de laboratório com orçamento de prefeitura. Como dez pessoas, em três dias trancadas numa região do mundo onde o sinal de rádio é proibido por lei, inventaram um campo inteiro da ciência. Como a equação de Frank Drake deixou de ser uma calculadora para virar um espelho, em que cada geração enxergou suas próprias preocupações refletidas. Os anos sessenta enxergaram a bomba. Os anos noventa, a redução do orçamento da ciência. Os anos vinte do século vinte e um estão enxergando o clima.
    Há um detalhe na equação que poucos param para pensar com o cuidado que ele merece. Os seis primeiros termos dependem da física, da química e da biologia do universo. O sétimo, o L, depende da longevidade da civilização que transmite. É o único termo que cada espécie tem nas próprias mãos. É também o único que ninguém ainda conseguiu medir. Drake morreu em dois mil e vinte e dois, aos noventa e dois anos, sem ter visto um único sinal confirmado. A equação dele continua aberta no quadro-negro coletivo da espécie humana.
    Uma hora de escuta sobre o Projeto Ozma, sobre a Ordem do Golfinho, sobre o paradoxo de Fermi, sobre o sinal Wow!, sobre o Voyager Golden Record que hoje navega o espaço interestelar a vinte e cinco bilhões de quilômetros, e sobre a pergunta que não para de se desdobrar: quanto tempo a janela da Terra vai continuar transmitindo para o universo?
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