69 episódios
- Hoje, Raul Tati é deputado da UNITA, casado, com doutoramento em Ciência Política pela Universidade Católica Portuguesa, mas houve um tempo que eram uma das figuras de mais relevo de Cabinda, o exclave angolano de onde vem a maioria do seu petróleo e onde desde a independência há uma guerra de baixa intensidade e um forte activismo em defesa da autodeterminação do povo cabindense.
Raul Tati chegou a vigário-geral da diocese e reitor do seminário maior de filosofia Padre Luís de Gourlet. Terá sido afastado do sacerdócio por Bento XVI por razões políticas, a pedido do Governo de Angola, para calar uma Igreja que estava ao lado do povo de Cabinda no seu desejo de autodeterminação. Acusaram-no de terrorismo e de incitar à violência, nesta entrevista, a propósito do seu livro Crónicas do Cativeiro: Diário de um Padre Terrorista (Elivulu), relato de quase um ano de prisão, Tati garante que se tivesse pregado a via das armas, desde o púlpito da Igreja ou sala de aulas da universidade, Angola seria hoje mais como um Iraque.
A conversa com Raul Tati é na segunda parte, na primeira, Elísio Macamo e António Rodrigues conversam sobre a situação na Guiné-Bissau, depois do referendo à Constituição de 30 de Agosto e a caminho das eleições de 6 de Dezembro. E também se debruçam sobre a aprovação no Congresso dos Deputados espanhol de uma lei que oferece a nacionalidade espanhola aos nascidos no Sara Ocidental antes de 29 de Setembro de 1977, mesmo sem nunca terem pisado território da actual Espanha, e aos seus descendentes directos depois do processo de naturalização do pai ou da mãe ser aprovado. E que dá aos sarauís que residem em Espanha, a possibilidade de solicitar a nacionalidade espanhola ao fim de dois anos, enquanto o regime geral prevê dez anos.
See omnystudio.com/listener for privacy information. - O estreito de Ormuz tornou-se uma das principais frentes do conflito no Médio Oriente. No primeiro episódio do Hoje, olhamos para o impacto da guerra em milhares de marinheiros que ficaram retidos em navios petroleiros no Golfo Pérsico, numa crise que a ONU descreveu como sem precedentes.
Entre eles estava Daniela Brito, uma portuguesa que trabalha em navios petroleiros há quase 20 anos e que passou vários meses encurralada em Ormuz. Ao Hoje, conta como viveu esses dias numa zona de conflito e como conseguiu sair.
“Aviões militares que nunca paravam, os primeiros drones a aparecerem durante a noite. Esses primeiros dias em que nós vimos essas coisas deram-nos a noção de que estávamos em guerra, ou numa zona de guerra, e de que corríamos perigo real”, recorda Daniela Brito.
Para perceber o que está em causa nesta crise é preciso olhar para a importância estratégica do estreito, para o papel do Irão e de Omã e para as consequências de uma instabilidade que afecta uma das principais rotas de transporte de energia do mundo.
A jornalista Maria João Guimarães, que acompanha o Médio Oriente há vários anos no PÚBLICO, explica porque é que Ormuz é uma peça central nesta disputa.
See omnystudio.com/listener for privacy information. - No último episódio antes das férias, António Rodrigues e Elísio Macamo discutem na primeira parte as eleições presidenciais em São Tomé e Príncipe, que resultaram na reeleição do Presidente Carlos Vila Nova à primeira volta, com 55,94% dos votos. Uma eleição marcada pela alta taxa de abstenção, 58,67%, que pode ser um reflexo do desalento das pessoas em relação ao país. Mas mais do que o resultado em si, que era previsível, discutimos as propostas do candidato Eugénio Tiny que defendeu uma espécie de refundação do Estado, com mudança de nome do país e alterações na bandeira.
Vamos falar também do processo judicial contra o primeiro-ministro de Cabo Verde, Francisco Carvalho, acusado pelo Ministério Público de 26 crimes durante a sua gestão da câmara da cidade da Praia, que começou em 2020 e terminou apenas quando o líder do PAICV se lançou na corrida à chefia do Governo. Corrupção, burla, peculato e abuso de poder estão entre os crimes de que os procuradores acusam o primeiro-ministro e mais três vereadores, um deles, Fernando Pinto, assumiu a presidência do município depois da saída de Francisco Carvalho.
Na segunda parte vamos conversar com Ana Lúcia Sá, investigadora Centro de Estudos Internacionais do Iscte – Instituto Universitário de Lisboa a propósito do 30.º aniversário da CPLP, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que se assinalou a 17 de de Julho. Ao longo destes 30 anos, a organização foi coexistindo com a cíclica pergunta: para que serve realmente a CPLP?
“Na Terra dos Cacos” regressa de férias no dia 16 de Setembro.
See omnystudio.com/listener for privacy information. - A visita a Bissau de uma missão da organização regional da África Ocidental veio chapinhar nas águas da indiferença internacional que a situação na Guiné-Bissau tem merecido. É como se não tivesse havido uma alteração da ordem constitucional que impediu o vencedor das eleições de assumir o cargo de Presidente para o qual foi eleito pelos cidadãos guineenses.
Mas para um chapinhar destes, se calhar, mais-valia a indiferença. Porque aquilo que a missão da CEDEAO fez em Bissau foi, ao mesmo tempo, demonstrar a sua irrelevância e a sua instrumentalização. Em vez de instituir sanções como ameaçara, a organização regional enviou a Bissau uma missão, liderada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros da Serra Leoa, Timothy Kabba que se encontrou apenas com os militares golpistas e chegou à conclusão que tudo está bem, os golpistas são fantásticos e a situação está a evoluir de forma correcta.
A 16 de Junho, agentes do Serviço Nacional de Investigação Criminal de Moçambique (Sernic) entraram na casa do jornalista Estácio Valoi, em Pemba, na província de Cabo Delgado, numa diligência relacionada com as suas reportagens sobre crimes ambientais na província do extremo norte de Moçambique. Alegadamente com um mandado sem bases legais ou factuais, os agentes do SERNIC confiscaram os equipamentos do jornalista e continuam sem os devolver. A Amnistia Internacional escreveu ao Procurador-Geral da República de Moçambique, Américo Julião Letela, a pedir que o equipamento seja devolvido o quanto antes, a não ser que o SERNIC demonstre na justiça que a sua retenção é legal, necessária e proporcional.
Na segunda parte, entrevistaremos a socióloga Sheila Khan, investigadora no Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho, a propósito da Segunda Escola de Verão de Estudos Africanos em Português, realização conjunta da Universidade do Minho, da Universidade Nova de Lisboa e da Universidade Lusófona, que decorreu entre 29 de Junho e 3 de Julho.
See omnystudio.com/listener for privacy information. - Neste episódio a conversa volta a girar com entusiasmo em torno do comportamento das selecções africanas no Mundial de futebol. Desde os dois empates de Cabo Verde contra colossos do futebol mundial, passando pela Costa do Marfim que quase dobrava a Alemanha, já para não falar da primeira vitória do Egipto em fases finais de Mundial e do bem que se está a comportar Marrocos.
A seguir, conversaremos sobre a primeira Convenção Nacional do partido Anamola, de Venâncio Mondlane, que se realizou em Nampula entre sábado e segunda-feira, culminando com a eleição do ex-candidato presidencial para presidente do partido, cargo que ele já vinha desempenhando interinamente desde Agosto do ano passado, quando o Ministério da Justiça de Moçambique aceitou a criação da Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo.
Na segunda parte, a nossa entrevistada é Marta Lança, criadora do site Buala, programadora, tradutora, jornalista, investigadora, guionista e agora autora do livro Essas Pessoas na Sala de Jantar, editado pela Tigre de Papel, uma colecção de histórias relacionadas com as várias casas onde viveu em diversos pontos do mundo: Mindelo, Luanda, Maputo, Rio de Janeiro, São Paulo, Faial, Ourique e vários bairros de Lisboa.
O livro teve um primeiro lançamento na Feira do Livro de Lisboa e novo lançamento marcado para o dia 9 de Julho, às 18h, no bar Bota, no Largo de Santa Bárbara, em Lisboa, com apresentação a cargo de Vasco Santos e Margarida Ferra.
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Sobre Na Terra dos Cacos
Como dizia Eduardo White, os países africanos são hoje cacos dos sonhos que partiram ontem. António Rodrigues e Elísio Macamo discutem, a cada duas semanas, como colá-los.
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