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A História repete-se

Margarida de Magalhães Ramalho e Lourenço Pereira Coutinho
A História repete-se
Último episódio

227 episódios

  • A História repete-se

    D. Fernando II e a Condessa d’Edla, os protetores das artes e criadores do Parque da Pena

    02/09/2026 | 49min
    Neste episódio, Lourenço Pereira Coutinho e Margarida Magalhães Ramalho relembram Elise Hensler (1836-1929), uma cantora de ópera de origem suíça americana com quem o rei D. Fernando II se casaria, em segundas núpcias, treze anos depois da morte da rainha D. Maria II. Fortemente contestado na sua época, o polémico casal foi, durante anos, votado a um certo ostracismo pela aristocracia portuguesa, como se depreende de uma carta de D. Fernando ao filho, o rei D. Luís: “Eu tenho pensado maduramente sobre esse assunto e acho que por ora mais acertado não irmos nós lá, por esta vez. Não é pelo público mas por causa de pessoas que não nos tem visitado por ora, e por isso alegam motivos que só em cabeças de cuco é que podem ter origem.”
    Após o casamento, Elise receberia de Ernesto II, primo de D. Fernando e chefe da Casa de Coburgo, o título de Condessa d’Edla. Amante da música, das artes e da natureza, foi a companheira ideal para D. Fernando, sendo a principal responsável pela criação do magnífico Parque da Pena e da sua grande protetora até à implantação da República. Após a morte do marido continuaria a apoiar financeiramente, também, os seus protegidos: o jovem pintor Columbano e o pianista e compositor Viana da Motta. Injustamente vilipendiada na sua época, foi, e talvez por isso, uma mulher culta, activa e com voz própria. Honrando até ao fim da sua vida, em 1929, a memória do marido, soube ganhar a estima e o respeito dos que com ela privaram de perto, quer fossem criados, diplomatas, médicos, intelectuais ou mesmo membros da família real.
    D. Pedro II do Brasil aceitou-a, sem reserva, como esposa do viúvo da sua irmã, sendo um dos seus mais fiéis amigos. Para o infante D. Augusto, o filho mais novo de D. Fernando, foi a mãe que ele não teve. Com a rainha D. Amélia compartilhou o amor que ambas tinham à Pena. Elise Hensler, Condessa d’Edla, morreria, em Lisboa, a 21 de maio de 1929 na véspera de completar 93 anos. Os jornais americanos noticiariam a sua morte sob o título “Only American Girl Who Ever Wed a King.”
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  • A História repete-se

    Cantando e rindo: A exposição do Mundo Português no contexto da propaganda no Estado Novo

    26/08/2026 | 55min
    Neste episódio, Lourenço Pereira Coutinho e Margarida Magalhães Ramalho relembram a Exposição do Mundo Português que, com um timing infeliz, abriria as suas portas a 23 de Junho de 1940, um dia a seguir à rendição da França, em Compiègne, à Alemanha nazi. Com a Europa mergulhada quase integralmente nas trevas, Lisboa, capital de um país neutro, festejava brilhantemente o Duplo Centenário da Independência e da Restauração.
    Concebida para mostrar ao mundo e aos portugueses as glórias passadas e as conquistas do Estado Novo, a exposição – ponto alto com que se encerrariam as Comemorações - acabaria por falhar parte desse objectivo. A guerra determinaria um número de visitantes estrangeiros muito menor do que o esperado. Por essa altura, porém, o país, recebia milhares de refugiados em trânsito graças ao acto de consciência do cônsul português de Bordéus, Aristides de Sousa Mendes. Contudo, os que chegavam tinham outras preocupações. E, apesar de a Exposição ter tido - durante os cinco meses que esteve aberta - cerca de 3 milhões de visitantes, a esmagadora maioria eram visitantes nacionais vindos de todo o país.
    Coube a António Ferro a seleção dos arquitectos e artistas da exposição. O director do Secretariado de Propaganda Nacional escolheria a nata da geração modernista incluindo mesmo aqueles que, como Arlindo Vicente e Cassiano Branco, estavam visivelmente desalinhados com Estado Novo. A Exposição do Mundo Português foi fruto de um regime totalitário que a usou como trunfo propagandístico. Contudo, não deixou de ser um acontecimento absolutamente marcante no panorama cultural português.
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  • A História repete-se

    Rainha D. Leonor, a mulher mais rica da Europa

    19/08/2026 | 44min
    Neste episódio, Lourenço Pereira Coutinho e Margarida Magalhães Ramalho relembram a rainha D. Leonor, mulher de D. João II. Filha do infante D. Fernando, duque de Viseu e de Beja e de D. Beatriz - a única mulher a desempenhar o cargo de governadora da Ordem de Cristo - D. Leonor (1458-1525) foi, a todos os títulos, uma rainha fora do comum. Culta e letrada, substituiu o marido nas suas ausências e foi regente de seu irmão, o rei D. Manuel. Protetora das artes, foi mecenas de Gil Vicente, a quem encomendou inúmeros autos, financiou a realização de pintura primitiva portuguesa e encomendou, no estrangeiro, vários retábulos para os seus conventos. Para além disso apoiou a impressão de livros, nomeadamente As Viagens de Marco Polo, mas também a ourivesaria e a iluminura.
    Enquanto regente, criou, em 1498, a Misericórdia de Lisboa, uma instituição de beneficência que viria a ser a base de uma futura rede de instituições similares que se espalhariam por todo o império e que ainda hoje subsiste. Frei Jerónimo de Belém chamou-lhe a rainha perfeitíssima, um epiteto inspirado no cognome de seu marido, o Príncipe Perfeito. Seria por sua influência que, após a morte do príncipe D. Afonso, D. João II designaria, a contragosto, como sucessor D. Manuel, o irmão mais novo da rainha. Talvez por isso, o rei Venturoso manteria até à morte uma profunda reverência pela irmã, consultando-a sobre assuntos da governação e acatando os seus conselhos. Apesar de ter sido, na sua época, a princesa mais rica da Europa, D. Leonor viveu sobretudo para o mundo espiritual mantendo uma conduta de vida inspirada na humildade franciscana. Depois de viúva “eclipsou-se” socialmente vivendo de forma quase monacal. Por sua vontade foi sepultada em campa rasa no convento da Madre de Deus – hoje Museu do Azulejo- que fundara em 1509.
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  • A História repete-se

    Aljubarrota, entre os mitos e a realidade: a “batalha real” de 14 de agosto de 1385

    12/08/2026 | 1h 3min
    Neste episódio, Margarida de Magalhães Ramalho e Lourenço Pereira Coutinho convidaram o historiador militar Miguel Gomes Martins para conversar sobre a decisiva batalha de Aljubarrota, a “batalha real”, travada a 14 de agosto de 1385 entre as hostes de D. João I, rei de Portugal, e de Juan I, rei de Castela. Qual o contexto político e militar desta batalha decisiva? Quais as estratégias das forças portuguesas e castelhanas? E qual o papel dos seus principais protagonistas: o rei de Portugal, o rei de Castela, e D. Nuno Álvares Pereira, condestável de Portugal? Por fim, que mitos se perpetuaram sobre esta batalha e o que de facto se passou a 14 de agosto de 1385 em Aljubarrota?
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  • A História repete-se

    Breve viagem pela História da humanidade, com Gonçalo Cadilhe

    05/08/2026 | 1h 7min
    Neste episódio, Margarida de Magalhães Ramalho e Lourenço Pereira Coutinho convidaram Gonçalo Cadilhe, “turista profissional”, escritor, fotógrafo e documentarista, para uma conversa a propósito do seu último livro “Mais além — uma história sentimental da viagem e dos viajantes”. A conversa partiu de África, berço da humanidade; continuou pelas Américas, Ásia e Europa, para onde o ser humano migrou e se fixou; parou no próximo oriente, onde construiu as primeiras cidades; avançou pelas estradas que os romanos construíram; peregrinou até Roma, Santiago de Compostela e Meca; embarcou em naus e caravelas para chegar à Índia e dar a volta ao mundo; acompanhou James Cook até à Austrália; apanhou um comboio a vapor e, por fim, aterrou de avião no presente. A História da humanidade é sobretudo uma grande viagem ainda inacabada pelo tempo e pelos espaços.
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Sobre A História repete-se
Um diálogo descontraído em torno da História, dos seus maiores personagens e acontecimentos. 'A História repete-se' não é uma aula, mas quer suscitar curiosidade pelo passado e construir pontes com o presente. Todas as semanas Margarida de Magalhães Ramalho e Lourenço Pereira Coutinho partem de um ponto que pode levar a muitos outros... São assim as boas conversas.
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