11 episódios
Catarina Nicolau Campos: “Uma Europa que esquece as suas raizes é uma Europa que não vai saber para onde ir”
17/10/2026 | 50minNeste episódio, Catarina Nicolau Campos, jurista no Banco de Portugal e chefe de gabinete do Grupo Parlamentar do CDS-PP, fala sobre a relação entre o espiritual e o temporal, e entre a fé e a política. Um tema que, durante séculos, uniu, dividiu e marcou a História e o pensamento político europeu. Foi uma conversa em que se recuperaram autores que deixaram um legado determinante, mas muitas vezes esquecido, de São Tomás de Aquino a Jacques Maritain ou Bento XVI, e temas como a liberdade de educação ou as raízes cristãs da Europa, polarizadores e desconfortáveis num espaço público marcado por uma profunda crise de identidade.
See omnystudio.com/listener for privacy information.- Neste episódio, sentaram-se à mesa três jovens de direita de três partidos diferentes - António Capela, fundador e presidente do Senado, grupo de formação política, e assessor principal da Presidência do Conselho de Ministros; Maria Villaret, jurista e antiga assessora parlamentar do CHEGA; e Gonçalo Levi Cordeiro, economista e assessor da Iniciativa Liberal no Parlamento Europeu - para discutir o que é que, politicamente, os afasta e os aproxima.
Para pensar a possibilidade de um chão comum numa direita plural, foi-lhes proposto um exercício: se PSD, CHEGA e Iniciativa Liberal desaparecessem, e estes três jovens fossem chamados, já não a competir, mas a construir um partido capaz de ganhar eleições e, mais difícil, de governar, que princípios e que temas deveriam entrar no programa? Entre convergências, algumas divergências e provocações, as respostas foram da família e natalidade, às questões de emigração e imigração, visão, criação de riqueza e necessidade de enraizamento. E, num episódio que é sobre o futuro, os convidados responderam a uma pergunta da qual quase todos os políticos, espartilhados por ciclos eleitorais cada vez mais curtos, fogem: que país querem e que país teremos daqui a 50 anos, e o que é que será determinante na sua definição?
Houve também espaço para referências, de Pedro Passos Coelho, a Winston Churchill e D. João II e também para sugestões de leitura: Bertrand de Jouvenel, Stuart Mill, Marx e Engels. No fim, chegou-se a uma convicção partilhada num espírito de otimismo cauteloso: há esperança num futuro à direita, se houver ideias, capacidade de acomodação e uma visão.
See omnystudio.com/listener for privacy information. Gonçalo Nabeiro: “A nossa luta deve ser contra a degeneração jornalística, e não contra as redes sociais”
19/09/2026 | 52minA liberdade foi o tema central do último episódio de À Direita. Teresa Nogueira Pinto recebeu Gonçalo Nabeiro, jornalista e colunista do Sol, para uma conversa sobre aquilo que, numa Europa galvanizada pelo nacional-populismo, a direita liberal-conservadora ainda pode oferecer às democracias ocidentais.
A conversa parte da crise da imprensa e do fosso crescente entre a opinião pública e a opinião publicada. Se é verdade que as redes sociais transformaram o debate público, é certo também que servem demasiadas vezes de álibi para um jornalismo que prefere cada vez mais evangelizar a informar, investigar e interpelar.
Falou-se ainda sobre a crise do liberalismo e o lugar cada vez mais raro dos liberais-conservadores, que procuram conciliar a liberdade individual com a ordem, a virtude e a responsabilidade. Como pode esta tradição responder aos excessos do mercado e do Estado sem abdicar dos seus princípios fundamentais?
Da liberdade à imprensa, da fundação da América à defesa do Ocidente, entendido como herança civilizacional que deve ser conservada, mas também reformada, esta foi uma conversa sobre os desafios que se colocam hoje à direita na difícil, mas sempre necessária, conciliação entre liberdade, virtude e ordem.
See omnystudio.com/listener for privacy information.Alexandre Franco de Sá: “Não precisamos de viver com toda a gente. Precisamos é de partilhar o mundo com gente de quem não gostamos”
05/09/2026 | 49minNeste episódio do podcast À Direita, Teresa Nogueira Pinto conversa com Alexandre Franco de Sá, professor universitário, investigador e autor do livro Ideias sem Centro: Esquerda e Direita no Pensamento Contemporâneo. Foi uma conversa sobre as origens, as contradições e as possibilidades do populismo à direita.
Se o atual momento populista começou à esquerda, com figuras como Hugo Chávez, Alexis Tsipras ou Pablo Iglesias, foi à direita, com o Brexit e a primeira eleição de Donald Trump, que esta vaga se tornou mais consequente. E hoje, à direita, o populismo continua a ser uma possibilidade ou tornou-se caminho para lado nenhum?
A conversa parte de uma questão essencial: de que falamos quando falamos de “povo”? Alexandre Franco de Sá explica como, para o populismo de esquerda, o povo tende a ser uma construção política resultante da aliança entre diferentes grupos contra as elites, enquanto, à direita, procura recuperar-se o povo como uma comunidade ligada por experiências, referências e continuidades entre gerações. Os dois populismos não são simétricos e, à direita, o campo está menos teorizado e, por isso, permanece mais aberto mas também mais imprevisível.
Falou-se ainda das especificidades da política brasileira e italiana, de um mundo que lê muito Rawls e esquece Platão, Aristóteles ou São Tomás de Aquino, e, claro, dos riscos de uma política fundada no conflito permanente. Se a polarização pode transformar adversários em inimigos morais e criar universos incapazes de comunicar entre si, também há riscos num centrismo que, em nome da moderação, tantas vezes esvazia a própria política. Para Alexandre Franco de Sá, a política não existe para nos fazer conviver apenas com aqueles de quem gostamos, mas para nos permitir partilhar o mundo com quem pensa de forma radicalmente diferente.
See omnystudio.com/listener for privacy information.- As redes sociais tornaram-se as trincheiras da guerra cultural contemporânea. É nelas que se disputam ideias, reputações, gostos e votos; foi nelas, também, que a direita encontrou uma forma de contornar os mediadores tradicionais e falar diretamente com quem a quer ouvir e, não menos importante, com quem não a quer ouvir. Neste episódio do podcast À Direita, falamos de política na era do TikTok, de vídeos virais que se transformam em capital eleitoral e dos riscos de reduzir grandes debates políticos aos poucos segundos de um reel.
As convidadas são Rita Matias, deputada do CHEGA e, em 2022, a mais jovem mulher eleita para a Assembleia da República, e Rute Sousa, especialista em comunicação, empresária e uma voz com forte (e polémica) presença nas redes sociais. Uma está na política partidária e institucional; a outra ocupa sobretudo o espaço cultural e digital. Ambas, cada uma no seu registo, recusam a velha tentação de uma direita defensiva e permanentemente preocupada em obter licença de circulação junto da esquerda.
Esta foi uma conversa exclusivamente no feminino, embora não necessariamente feminista. Falou-se sobre progressismo e conservadorismo, sobre maternidade, trabalho e liberdade de escolha, e perguntou-se se haverá uma contradição entre criticar o feminismo e ser beneficiária das conquistas que lhe são atribuídas.
Houve ainda tempo para falar do humor como instrumento de subversão, de temas polarizadores como o aborto, imigração e Israel, e, claro, do preço da exposição pública. Porque se as redes democratizaram a palavra, também amplificaram o insulto e a crueldade. Mas, como diz o povo, quem diz o que quer arrisca-se a ouvir o que não quer. A grande questão que se coloca será saber se esse preço é apenas o custo da notoriedade ou, num espaço público cada vez mais conformista, o preço da própria liberdade.
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Sobre À Direita
Neste podcast, Teresa Nogueira Pinto dá voz às várias direitas para perceber como pensam, onde divergem e que mundo imaginam. Numa ordem internacional em reconfiguração, que causas as unem, que clivagens as dividem, e que estratégias adotam? No Expresso e em todas as plataformas, a análise das ideias que estão a moldar o debate político contemporâneo. Para ir além dos rótulos, de quinze em quinze dias, ao sábado
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