Tony Neves, em Matola - MaputoFoi há um ano, neste 3 de julho. Estava eu em Paris numa reunião mundial dos Espiritanos quando os colegas me começam a informar que o Diogo Jota, do Liverpool, morreu. Eu sorrio - perante o que considerava ser ignorância deles – e explico-lhes que não: ‘o Diogo casou na Igreja!’. Mas, a insistência de outros levou-me à internet onde a dramática notícia estava já em todas as redes: o Diogo e o André foram vítimas de um brutal acidente rodoviário. Foi neste ambiente internacional – a minha Família Missionária está em 62 países dos cinco Continentes – que percebi quanto o Diogo era conhecido e respeitado. Foi também nessas horas que partilhei o drama das esposas, dos pais, avós, outros familiares, colegas de profissão e numerosos amigos.Nunca é demais relembrar que o pai e avós paternos do Diogo e do André nasceram e cresceram na minha rua: a Rua de S. Ovídio. Os avós e outros familiares ainda ali vivem. Por isso, o choque destas mortes foi ainda mais sentido, mais brutal, pondo toda a nossa aldeia de Jancido em estado de choque. Quando regressei a Portugal, marcamos uma Missa de Mês, na Capela de Jancido. O Grupo Coral preparou uma celebração muito vivida e eu próprio fiquei impressionado com o ambiente criado dentro e fora das quatro paredes desta grande Igreja, tal a multidão que ali se congregou. Nos bancos da frente, podíamos ver os rostos doridos e molhados das viúvas, pais, avós e outras pessoas muito próximas da família. Foi um grande momento celebrativo que, espero, também tenha servido de consolo espiritual para esta família tão dramaticamente marcada pela partida precoce destes dois irmãos, únicos filhos da Isabel e do Quim Zé. Falamos no fim da Missa e fomos trocando, todas as semanas, mensagens nas redes.