O sotaque nascido em Arcozelo das Maias, uma aldeia entre Aveiro e Viseu, acompanhou o padre Manuel Augusto nas suas viagens e missões: levou consigo as origens para os bairros de lata no Quénia onde foi consolado pela humanidade de quem não tinha nada; levou o sotaque para as Filipinas onde abriu a missão dos missionários combonianos na Ásia; com ele entrou na China, celebrou Eucaristia e partilhou caminhos do Concílio Vaticano II em comunidadesfechadas de Taiwan; foi com sotaque de Viseu que na Indonésia teimou não ser expulso para continuar o trabalho de jornalista e acompanhar a visita do Papa João Paulo II; também como superior-geral da congregação, as origens marcaram tarefas que perseguiam comunhão e proximidade entre 1800 confrades.
Em todas as geografias a simplicidade e o sonho de continuar os caminhos de abertura do Concílio que marcou o jeito de ser padre de Manuel Augusto - a transformação social, a liberdade, a justiça como formas de enraizar o Evangelho na vida das pessoas.
As responsabilidades confiadas foram consequência da discrição, da visão da Igreja e do sentido missionário. Com o Papa Francisco, naquele encontro de abril de 2020, partilhou o sonho, a inspiração, a sintonia para perceber onde estão hoje as oportunidades para a Igreja concretizar o Evangelho – discernimento, lucidez, criatividade e risco continuam a ser o caminho para comunidades provisórias, humildes, periféricasserem sinal da mensagem de Cristo e da transformação do mundo.
Aos 76 anos, o Papa Leão XIV confiou-lhe as Obras issionárias Pontifícias em Portugal – uma responsabilidade que pede reconfiguração e abertura de processos.