Tony Neves, em Yaoundé e periferiasAterrei em Yaoundé e fui levado até à Casa Provincial dos Espiritanos, no centro desta capital camaronesa. Pelo caminho, um tráfico impossível e indisciplinado, que nem sequer os semáforos respeita. O trânsito está sempre engarrafado, dia e noite, pois a cidade não dorme. Somos constantemente ‘picados’ pelo enxame de motos que nos ameaçam por todos os lados. Há sempre diante dos nossos olhos uma mancha amarela, os incontáveis táxis, quase todos Toyota Yaris. Passamos junto da Catedral, que tive a alegria de visitar no último dia. É uma cidade enorme (sempre que perguntei pela população, recebi respostas de 3 a 6 milhões de habitantes! – não há estatísticas que resistam a um crescimento tão acelerado como descontrolado!), com comércio em todos os passeios, ruas serpenteando nas inúmeras descidas e subidas, a merecer ser chamada a ‘cidade das sete colinas’ (equiparando-a a Roma e Lisboa, apelidadas com o mesmo título!). A cidade está sempre sob uma nuvem de fumo, resultante da poluição automóvel, mas também das queimadas de lixo em plena rua.Tive a alegria de visitar três das paróquias onde os Espiritanos trabalham. Comecei por sair do centro e ir até Yeg Asi, paróquia já em contexto rural, numa área de muita plantação de cacau. Além das celebrações e reuniões na comunidade paroquial, tive a possibilidade de presidir a um funeral segundo os ritos tradicionais e católico. Faleceu um senhor de 52 anos, que deixou viúva e cinco filhos. Morreu em novembro e esteve na morgue até meados de janeiro, dando tempo ao cumprimento de todos os ritos tradicionais. O funeral foi na aldeia, junto à residência. Houve missa, sepultamento em frente à casa e, depois, comida e bebida para uma multidão de povo que ali se concentrou.