A nostalgia é uma ferramenta, desejável, até, capaz de converter ex-sonhadores, outrora prontos a conquistar o mundo, em marretas de camarote: velhos críticos que desfazem tudo com uma ou duas palavras jocosas, seguidas de uma gargalhada cúmplice. Na companhia de João Antunes, jornalista de cinema no Jornal de Notícias, deparei-me com um tempo que não vivi, quando o Cinema parecia ser sussurrado como o mais apetecível dos segredos. Longe da sua infalibilidade como tal, propagava-se e difundia-se entre os pares: havia filas, cinefilias atentas, rotinas culturais e até a pornografia nos parecia chique. São deambulações por essas correntes nostálgicas, feitos Velhos do Restelo, partilhando histórias de outros cultos, de outras experiências e de Cannes enquanto festival-bolha, por exemplo, a “engolir-nos” na sua montra de cinema de época, como frutarias abertas em horário de expediente. Há debate sobre “Bola Preta”, o seu valor, o seu significado, duas garfadas no bife para saborear o momento, e um espectro entre nós. “Samuel Fuller!!” Sim, o próprio. “O que é o Cinema, caro senhor Fuller?” perguntamos em conjunto. “Um filme é como um campo de batalha. Há amor, ódio, acção, violência, morte… numa palavra: emoção!” Responde o fantasma. Portanto, já sabem, fiquem com os velhos marretas!
Material de Apoio
O filme realizado por Anjelica Huston mencionado é “Agnes Browne” (1999), adaptado de um livro de Brendan O'Carroll, tem no elenco para além da actriz, Marion O’Dwyer.
By NWR, o streaming com curadoria do próprio Nicolas Winding Refn: https://bynwr.com/
O referido livro de Michel Ciment - “Le Cinéma En Partage : Entretiens Avec N.T. Binh”: https://www.wook.pt/livro/le-cinema-en-partage-entretiens-avec-n-t-binh-michel-ciment/29745258
Polígrafo
João Antunes refere um filme realizado pelo escritor francês Gilles Legardinier, “Complètement Cramé !”, com Fanny Ardant e John Malkovich (ao invés de Jeremy Irons, por lapso do convidado).