21 episódios
Episódio 21: Citizen Lauro António e as suas manhas submersas. Uma conversa com Frederico Corado
30/08/2026 | 46minTalvez possamos considerar uma das melhores aberturas do cinema português: um comboio negro avança pela paisagem verde, deixando para trás uma corrente de fumo cinzento até à chegada à estação. Um paraíso rapidamente empestado por essa névoa de repressão e austeridade, quando António, ainda criança, é levado pelo destino que lhe traçaram, o de entrar para o seminário e cumprir os trilhos impostos de um “prestigiado” padre. O livro de Vergílio Ferreira encontrou nas mãos de Lauro António uma capacidade visual, uma força cénica e um entranhado sentimento de um país culposo, ainda embutido no obscurantismo. António, o outro, o homem por detrás das câmaras, não foi apenas um realizador, foi uma figura proeminente e reconhecida do cinema neste país. Contudo, a conversa haveria inevitavelmente de cair sobre esse legado, até porque Frederico Corado, detentor de diversos ofícios (tal pai, tal filho!), não poderia escapar à armadilha da sua génese. E assim foi … na Casa do Artista, entre salas de memórias e acervos, cumprimos uma conversa sobre um homem, ou melhor, sobre homens, essa conexão, a homenagem e aquilo que deixamos para o futuro com os abraços do passado. “Manhã Submersa”, é verdade, o livro, o filme, uma parte da História do Cinema Português… esperemos, então, pelo restauro!
Material de Apoio
Fiquem com alguns filmes publicitários protagonizados pelo meu convidado: https://www.youtube.com/watch?v=Wh6MFRS81sI
https://www.youtube.com/watch?v=jaO2d9ObAfc
https://www.youtube.com/watch?v=cLvoEwrNyjU
A conta de Instagram da Casa das Imagens Lauro António, em Setúbal: https://www.instagram.com/casadasimagenslauroantonio/
“Telefona-me!”, a mencionada curta-metragem de Frederico Corado: https://www.youtube.com/watch?v=qHSd_4iRiBk
A Campanha de crowdfunding para o documentário “Citizen Jones”: https://ppl.pt/prj/citizen-jones
Alguns (tele)filmes de Lauro António disponíveis na RTP Arquivo: https://arquivos.rtp.pt/conteudos/casino-oceano-parte-i/
https://arquivos.rtp.pt/conteudos/mae-genoveva-parte-i/
https://arquivos.rtp.pt/conteudos/a-bela-e-a-rosa-parte-i/
https://arquivos.rtp.pt/conteudos/paisagem-sem-barcos-parte-i/
“Polígrafo”
As “brancas” contra-atacam, o filme realizado por Max Minghella, filho do saudoso Anthony Minghella, com Kate Hudson e Elizabeth Berkley é “Shell”. Como anexo fica o texto crítico: https://cinematograficamentefalando.com/2025/10/23/a-substancia/Episódio 20: Ritrovato, che nostalgia! Uma conversa com Rui Alves de Sousa e Samuel Andrade (+ Luís Miguel Oliveira)
19/08/2026 | 1h 10minAviso à navegação, este episódio foi gravado antes da estreia de “Odyssey”, do Nolan… fica o aviso, porque as menções aqui feitas foram concebidas com o sabor da antecipação. Mas andiamo, porque o que nos levou ao encontro, a este novo episódio, não foi Nolan em si, mas outro evento, Ritrovato, a contar com a sua 40.ª edição, o Festival de Cinema especializado no clássico e restauro, História do Cinema como nova, contou com uma comitiva portuguesa de peso. Eu, neste pedaço de mar plantado, roído de inveja, admito, solicitei uma viagem aos olhos de outros. Os meus convidados fornecem isso, não uma rota turística (nem gastronómica, pois claro), mas antes uma viagem com o seu rigor crítico. Rui Alves de Sousa e Samuel Andrade, já conhecidos deste universo Bola Preta, prestaram testemunho… oh, espera (“estão a gravar?”). Ouve-se uma voz no fundo. “Sim, junta-te.” Saltando para a água, Luís Miguel Oliveira, outro repetente, também esmiuça sobre esta viagem e o que de lá retirou sobre o estado do cinema. Pelo meio, formatos e Nolan, as suas odisseias, porque a cinefilia tem isso mesmo, algo de aventureiro, por vezes saudoso, mas igualmente bravo. Uns quantos hurras à película porque o “digital é necrofilia pura”, disse alguém… segundo a memória fragmentada de alguns, ‘coisas’ da idade.
Material de Apoio
A mencionada crónica de André Filipe Gonçalves sobre as “críticas compradas”: https://cinematograficamentefalando.com/2026/07/08/quando-a-critica-se-confunde-com-marketing-o-caso-nolan/
Texto de Samuel Andrade no FilmSpot em que se confessa “Nolaniano”: https://filmspot.pt/artigo/nolaniano-me-confesso-15037/
“Polígrafo”
Apesar da motivação e promessa durante o episódio, não fomos ver o “Blowing Wild” do Hugo Fregonese.Episódio 19: O Nosso Verbo é Outro, ou como amar o popular contra o popular. Uma conversa com Lília Lopes.
24/07/2026 | 1h 29minQuase se perdeu a alma numa floresta qualquer, em geografias não identificáveis. Pelo meio, o teatro de revista, primeiro ocultado, depois confessado como desejo, porque ser popular não é nefasto, no Cinema a história é outra. Lília Lopes, actriz, escritora e jurada dos Prémios Curtas, falou-nos de algumas delas, numa conversa com birras e milho tostado para o paladar, naquele “lugar do costume”. Foram os processos criativos, as origens e as mulheres fregueses das páginas do seu “O Meu Verbo é Ir”. No final, há o costume da vénia ao título do programa, as Bolas Pretas, ou melhor, à procura delas, deitando mão à popularidade de títulos que constituem o frágil esqueleto dos cinéfilos de ocasião. As coisas movimentam-se, tudo se extingue e o tempo é uma incógnita para as narrações, só que aqui, o Cinema é o propósito, ou a desculpa da conversa … tchim tchim … tilintam os copos, promessas de um regresso, talvez sim, ou talvez não. Ou Ítaca ao longe, mesmo com uns quantos escarros guardados para Nolan. Enquanto isso, vamos defender o popular, a arte de fazer feliz quem dela aproveita … e porque não!?
Material de Apoio
O livro de Lília Lopes, “O Meu Verbo é Ir”, pode ser adquirido aqui: O Meu Verbo é Ir de Lília Lopes - Livro - WOOK
Entrevista a Manuela Serra, realizadora de “O Movimento das Coisas”: https://cinematograficamentefalando.com/2021/06/16/manuela-serra-a-corrida-pelo-desenvolvimento-leva-nos-ao-esquecimento-de-coisas-meramente-importantes/
Canal da banda ‘Os Barbosas’ (O Sindicato da Morte): Os Barbosas (O Sindicato da Morte) - YouTube
O filme “A Floresta das Almas Perdidas” poderá ser visualizado aqui: A Floresta das Almas Perdidas - Filmin
Trailer da mencionada curta “Calhau” de Paulo Abreu: CALHAU TEASER | Vídeos e Filmes no Vimeo e de “Atom & Void” (ou “a curta das Aranhas”) aqui: Atom & Void by Gonçalo Almeida | Vídeos e Filmes no Vimeo
“Polígrafo”
Julie Delpy imita Nina Simone na última sequência de “Before Sunset”Episódio 18: Um Passo no Escuro, outro na Irritação. Uma conversa com José Santiago.
11/07/2026 | 1h 58minProgramar um Hitchcock, um Fellini ou um Bergman é “canja” (quer pela sua fama canónica ou já contemplado selo de clássico), espera-se sempre uma enxurrada de cinéfilos saudosos ou dos tais “verdinhos” a dar os primeiros passos e a cumprir a sua caminhada cinematográfica, expondo-a no Letterboxd em X passos, mas o desafio de um sala é realmente confiar sala confiar o seu cartaz a uma obra de série B ou(a) Z. Que escuridão traria uma decisão dessas? Contudo, os resultados têm desafiado a suposta lógica da popularidade e da eternização da série A, e José Santiago que o diga! Programador da iniciativa Passos no Escuro, no Passos Manuel, na cidade Invicta, apresenta, de quinze em quinze dias, cinema de género, de culto ou, nas suas próprias palavras, “a próxima redescoberta”. Foi de Lucio Fulci a Paul Verhoeven, encerrando esta segunda temporada no travestismo festivo de “The Rocky Horror Picture Show” (é preciso dizê-lo correctamente), numa sessão celebratória como tão poucas se fazem neste país. A conversa inicia-se nesses territórios, em jeito de “drag show”, passa pelos temas do momento (dos youtubers a invadirem Hollywood) e acaba por estacionar em irritações, “guilty pleasures” e traumas. Avisam-se os navegantes: há lobisomens ‘bombados’, Bad Bunny, Ana Malhoa entre nós e dildos de Amityville... Que salganhada! Palavras cruzadas, inesperadamente fora de contexto, a relegar este podcast para a sua própria liga. A série B, talvez?
Material de Apoio:
Site oficial do Passos no Escuro: https://www.passosnoescuro.com/
Páginas das tais “folhas de sala” do Passos no Escuro: https://cinematograficamentefalando.com/passos-no-escuro/
Link da entrevista com Daniel Luchetti sobre o filme “Confidenza” / “Trust”: https://cinematograficamentefalando.com/2025/03/16/daniele-luchetti-cresci-com-um-cinema-em-que-era-preciso-discutir-para-completar-a-experiencia/
"Polígrafo":
A propósito de “Nightwatch”, protagonizado por Ewan McGregor, o realizador é Ole Bornedal, dinamarquês (e não norueguês). É verdade que o filme é um remake da sua obra homónima de 1994; no entanto, ao contrário do que foi referido, a versão norte-americana não é de 1994, mas sim de 1997. Como curiosidade, “Nightwatch” teve uma sequela em 2023, também realizada por Bornedal, intitulada “Nightwatch: Demons Are Forever”.
A comédia romântica protagonizada por Michelle Pfeiffer e Paul Rudd, cujo título português foi escolhido através de um passatempo, é “I Could Never Be Your Woman”, de Amy Heckerling. O título vencedor foi “Nem Contigo... Nem Sem Ti!”.Episódio 17: Abram alas para os novos, e a geração de trás que se lixe! Uma conversa com André Filipe Gonçalves.
08/06/2026 | 1h 14minTudo rima, é quase uma questão de simetria! Buscando o primeiro episódio de “Bola Preta”, numa varanda com vista para a Arrábida, mencionou-se de uma “geração perdida”, sem espaço nem oportunidade para singrar por deleite dos já estabelecidos. Hoje, deixou-se de falar sobre isso, apostou-se em novos nomes e em novas ideias. Para esta segunda ronda de conversas (bem regadas a cevada, por sinal!) deparamo-nos com outro dilema: o lamento daqueles que foram sendo retirados de cena perante o impulso de uma nova vaga de realizadores, sobretudo no terror, a conquistar público e bilheteiras, e sublinhando as suas origens tecnológicas: agora os youtubers é que mandam! Mas deixemos isso para a inevitável “conversa de café”. O convidado é André Filipe Gonçalves, crítico de cinema de longa data, que, no site que durante anos teve como bandeira um certo “movimento” (o que lhe aconteceu, afinal?), escreveu em tempos uma crítica a “The Perks of Being a Wallflower” saída da alma, quase beijada pela musa do momento. Hoje voltamos a reunir-nos. Falamos de videoclipes, xenomorfos, podcasts e dessa nostalgia que parece estar sempre ali, à esquina. A idade não perdoa! “Gosto desta ideia de podcast espontâneo, com ruído ambiente. Faz-me lembrar João Canijo”, disse-me, momentos antes de carregar no botão de gravação.
Material de Apoio
Texto de André Filipe Gonçalves sobre a vaga youtuber: https://cinematograficamentefalando.com/2026/05/27/serao-os-youtubers-os-novos-realizadores-de-telediscos/
Polígrafo
Ao contrário do que foi dito, Florence Foster Jenkins era norte-americana e viveu em Nova Iorque. A adaptação de Stephen Frears, protagonizada por Meryl Streep, procura reconstituir de forma relativamente fiel (ainda que explorando o potencial cómico e o ridículo da situação) a sua trajectória. Já “Marguerite” (2015), de Xavier Giannoli, com Catherine Frot no papel inspirado em Jenkins, transpõe livremente essa história para o contexto francês, e com conotações mais trágicas.
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"Oh não, mais um 'podcast' de cinema!!" O horror, o horror ... No meio da saturação de vinhetas sobre cinema, estreias e outras constelações previamente alinhadas, vamos conversar, e é exactamente isso que faremos. Uma tertúlia cinematográfica, com a crítica no centro, o Cinema como um todo, e o restante a orbitar, a fervilhar ou a expelir. Contra formalidades: Cinema por "tu", sem filtros nem bandanas.
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