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Perguntar Não Ofende

Daniel Oliveira
Perguntar Não Ofende
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  • Perguntar Não Ofende

    Mário Mourão, secretário-geral da UGT: para que serviram nove meses de negociação da lei laboral?

    22/05/2026 | 1h 12min
    Depois de uma greve geral conjunta e de longos nove meses de negociação, que muitos viram como encenação do governo, da UGT ou dos dois, não houve acordo para alteração da lei laboral. Alterações que o governo apresenta como fundamentais para o aumento da produtividade e dos salários, apesar de nenhuma evidência empírica indicar que o enquadramento da lei é relevante para esses dois objetivos. Uma negociação em que, de um lado, havia linhas vermelhas e do outro havia traves mestras. E que, tendo sempre como ponto de partida a perda de direitos dos trabalhadores, sem qualquer ganho relevante, o ponto de chegada nunca poderia ser equilibrado. Mesmo assim, a UGT manteve-se nele, até depois da ministra. De forma unilateral, ter excluído a CGTP, e mais nenhum parceiro social, do processo. Chegado ao fim, Rosário da Palma Ramalho concluiu que, afinal, aquele com quem tinha estado a negociar durante nove meses representava muito poucos trabalhadores. Agora, o diploma segue para onde, na realidade, o governo sempre desejou que seguisse: uma negociação com o Chega, o mais volúvel dos partidos. Sendo volúvel, também é o mais sensível à pressão da rua. E, apesar dessa fragilidade, é neste preciso momento que as duas centrais sindicais resolvem dividir-se. Uma porque marcou uma greve geral sem esperar e coordenar com a outra, outra porque está à espera de uma negociação parlamentar, em vez de a condicionar. É o que se chama “morrer na praia”. Para falarmos deste processo e, acima de tudo, por ser o que mais interessa às pessoas, do que podem mudar numa legislação laboral que, segundo todos os estudos de opinião, tem a rejeição da larga maioria dos portugueses, recebemos Mário Mourão, secretário-geral da UGT.
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    Vhils: a arte urbana está a ser domesticada?

    22/04/2026 | 1h 8min
    Vivemos em cidades que não param de se cobrir. Camadas de tinta, de publicidade, de betão, de fachadas reabilitadas que expulsam a memória de quem lá viveu. As ruas de Lisboa, do Rio de Janeiro, de Hong Kong ou do Cairo são palácios de acumulação. Num mundo obcecado em adicionar conteúdo ou ruído, Vhils faz exatamente o contrário. Subtrai. Escava. Destrói para revelar. Alexandre Farto, que o mundo conhece como Vhils, começou a pintar grafitis aos doze anos no Seixal, num Portugal que ainda digeria as transformações do pós-25 de Abril e da integração europeia. Mas o trabalho de Vhils não se esgota numa técnica tão peculiar como espetacular. Quando esculpe o rosto de um morador despejado de uma favela carioca na parede da casa que lhe vão demolir, está a fazer uma escolha política: a de que os ícones de uma cidade não têm de ser os heróis dos livros de história, mas as pessoas comuns que a habitam. Nesta hora falamos de paredes, muros e do que eles escondem. De cidades que se parecem cada vez mais umas com as outras e de comunidades que resistem. De arte que nasce para morrer e de uma estranha forma de eternidade que nenhum algoritmo consegue replicar. De turismo que transforma bairros em cenários e de pessoas que se recusam a ser figuras decorativas da sua própria história. E de um artista de rua que acabou a fazer o mais institucional das obras: o retrato oficial do Presidente da República.
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    Ricardo Alexandre: até onde pode o Irão resistir?

    27/03/2026 | 1h 10min
    Há quase um mês que somos bombardeados com imagens de guerra e destruição com a estética de videojogo. Explosões filmadas por drones, gráficos de mísseis, comunicados triunfalistas. Mas por trás das imagens há um país de noventa milhões de pessoas, uma orgulhosa civilização com cinco milénios e um conflito que não começou há três semanas. Está latente há quase cinco décadas, desde que uma revolução islâmica derrubou uma monarquia sustentada pelos Estados Unidos – que por sua vez tinha derrubado uma democracia de Mossadegh que beliscou os interesses ocidentais. Património da UNESCO, agora parcialmente destruído pelos mísseis, o Palácio Chehel Sotoun, tem um fresco que retrata a batalha de Chaldiran, em 1514. Celebra uma derrota. Na cultura xiita o martírio não é sinal de fraqueza. O regime colegial iraniano não é tão fácil de decapitar como o de Saddam e assenta numa ideia de resistência ao exterior. Não tem a arma nuclear, mas tem o Estreito de Ormuz. Faz mossa aos Estados Unidos, nem tanto a Israel. E este desencontro pode complicar o fim desta guerra. O convidado é Ricardo Alexandre, editor da TSF, onde apresenta o Estado do Sítio e o Mapa Mundo. Doutorado em Ciência Política pelo ISCTE, com reportagem de guerra nos Balcãs, Palestina, Afeganistão e Irão, esteve no país em 2005 e 2015 e acaba de publicar Tudo Sobre o Irão, um impressionante retrato de 448 páginas que vai da história dos velhos reinos persas à morte de Khamenei, da análise do sistema político iraniano até à influência cultural do futebol nesse país e da figura de Carlos Queiroz.
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    Francisco Pereira Coutinho: há um plano para a guerra no Irão? Há paz com a morte do direito internacional?

    10/03/2026 | 1h 14min
    EUA e Israel bombardeiam o Irão há mais de uma semana. A maior potência militar do mundo entrou em guerra sem autorização do Congresso, sem mandato das Nações Unidas, sem coligação internacional e sem uma justificação que se mantivesse coerente durante mais de vinte e quatro horas. Este episódio com Francisco Pereira Coutinho, professor catedrático e autor do livro Guerra, Mentiras e Direito Internacional, a propósito dos quatro anos da invasão e guerra na Ucrânia, parte dessa escalada militar para discutir o estado do direito internacional e a fragilidade da ordem multilateral. Não é a primeira vez, nem será a última, que o direito internacional é violado. Mas há uma diferença entre contornar as regras e assumir, abertamente, que estas são um empecilho. Washington e Telavive falam em mudança de regime, mas o Irão não é a Venezuela: é um país de noventa milhões de pessoas, com centenas de milhares de guardas revolucionários (que sabem que serão mortos com a queda do regime), uma estrutura de poder colegial e profundamente ideológica e um instinto de sobrevivência que os ataques externos tendem a reforçar, não a enfraquecer. Ninguém parece ter um plano para o dia seguinte e a experiência do Iraque e da Líbia deixa-nos péssimos exemplos do que acontece quando se destrói um Estado. Ou o caos ou um regime mais brutal para restabelecer a ordem.
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    Ana Abrunhosa e Gonçalo Lopes: o que a catástrofe disse do País e que futuro espera Coimbra e Leiria?

    27/02/2026 | 1h 29min
    Durante dias, vimos um país a duas velocidades. Em Leiria, uma cidade e uma região devastada, com infraestruturas destruídas, empresas paradas e milhares de pessoas sem eletricidade. Um território em colapso, onde o Estado parecia não chegar, ou chegar tarde. Em Coimbra, dias depois, uma cidade que se preparava para o pior, com evacuações, barragens a descarregar e uma tentativa de controlar o que já não dependia apenas da chuva, mas da forma como o sistema estava montado para responder a ela. Podemos ser benévolos e dizer que a diferença está entre os momentos: a surpresa e a compreensão do que estava em causa.
    Entre o “país de faz de conta”, gritado pelo presidente da Câmara de Leiria a um governo que parecia ignorar o sucedido, e a “coordenação” elogiada por Ana Abrunhosa abriu-se uma fratura difícil de ignorar. Falharam comunicações, falhou o SIRESP, falhou a resposta nacional — mas também ficou exposto algo mais profundo: um país com infraestruturas pensadas para um clima que já não existe, pouca manutenção e um Estado que reage de forma desigual consoante o território.
    O Governo anuncia agora milhares de milhões para a reconstrução, mas levantam-se mais dúvidas do que certezas. Estamos a responder à emergência ou a aproveitar a crise para aprovar medidas que o governo sabe polémicas, como a reformulação do INEM e Proteção Civil? E, ao condensar um programa de governo no que deviam ser apoios de urgência à reconstrução de infraestruturas e empresas, não estamos a correr o risco de atrasar a resposta?
    No Perguntar Não Ofende, conversamos com os dois rostos que estiveram na linha da frente desta resposta e foram elogiados por serem, por um lado, o rosto do Estado que não falhou, e, por outro, a voz das populações quando ela era urgente.
    Gonçalo Lopes é presidente da Câmara de Leiria desde 2019 (quando substituiu o presidente Raul Castro), e Ana Abrunhosa é presidente da Câmara de Coimbra há escassos meses. Falamos sobre o que estas cheias nos dizem sobre o país, a organização do Estado e a forma como tratamos o território e preparamos o futuro. E sobre o futuro destas regiões devastadas.
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Sobre Perguntar Não Ofende
É mais que uma entrevista, é menos que um debate. É uma conversa com contraditório em que, no fim, é mesmo a opinião do convidado que interessa. Quase sempre sobre política, às vezes sobre coisas realmente interessantes. Um projeto jornalístico de Daniel Oliveira e João Martins. Imagem gráfica de Vera Tavares com Tiago Pereira Santos e música de Mário Laginha.
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