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Perguntar Não Ofende

Daniel Oliveira
Perguntar Não Ofende
Último episódio

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  • Perguntar Não Ofende

    Especial Dia Mundial da Criança com Ângela Fernandes, 26 anos, 17 em casas de acolhimento, psicóloga: é possível crescer institucionalizado e ser um adulto estruturado?

    01/06/2026 | 1h 20min
    Ângela chegou às casas de acolhimento com 5 anos. Aos 13 anos, veio do Porto para Lisboa, para um novo acolhimento residencial, onde ficaria até aos 20 anos. Viveu 15 anos em casas, mas nem por isso em família. Com pessoas que entraram e saíram. Adultos que a acompanhavam como profissão. Ainda viveu numa casa de autonomia até aos 22 anos. No total, 17 anos. O percurso posterior da Ângela não terá sido o mais habitual em quem começou a vida nas piores condições. Acabou o ensino secundário, foi para a faculdade, fez o mestrado e está, neste momento, a fazer o estágio da Ordem dos Psicólogos. Não só, porque aos 25 anos deixou de ter direito ao apoio do Estado para quem, estando nas suas condições, continua a estudar. Sem qualquer rede familiar de apoio, trabalha na Zara e, nas horas extra, ainda faz algum trabalho de modelo. A vida da Ângela daria sempre para uma excelente conversa. O facto da sua tese de mestrado ter sido sobre a experiência do acolhimento residencial de outros jovens ainda a pode tornar mais rica. Porque olha de dentro e de fora para uma realidade que, apesar de todas as dificuldades, mudou nas últimas décadas. Quando fiz o meu primeiro trabalho sobre crianças institucionalizadas, no início dos anos 90, o cenário era ainda mais agreste. Este é um episódio especial, integrado na celebração do Dia Internacional da Criança. A Ângela já não é criança. Mas é agora, com 26 anos, que olha para a infância e a adolescência que determinou a forma como se vê e vê os outros, como escreveu no seu Instagram.
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    Tiago Oliveira, secretário-geral da CGTP-IN: este é o tempo certo para a segunda greve geral?

    28/05/2026 | 1h 15min
    Quando a CGTP e a UGT fizeram greve geral conjunta em dezembro, pela primeira vez em doze anos, parecia que o movimento sindical português tinha percebido que ir dividido para esta luta levaria a derrota certa. Hoje, com uma proposta que alarga a precariedade, permite despedir sem reintegrar, entrega aos patrões o poder sobre o tempo do trabalhador e fragiliza a negociação coletiva já entregue no Parlamento, a CGTP convocou uma greve geral, sozinha, para 3 de junho. O destino da reforma laboral depende, ao que parece, de negociações com o Chega, um partido volúvel, mas sensível à pressão da rua. Uma greve que corra pior do que a anterior diz a Ventura que pode aprovar. Um partido que hoje diz ser contra esta proposta pode negociar três dias de férias e chamar a isso uma vitória para os trabalhadores. A CGTP foi sistematicamente excluída de um processo negocial conduzido à margem da Concertação Social. Foi recebida em corredores enquanto os outros negociavam em salas e chegou à única reunião formal sem sequer ter recebido a proposta em cima da mesa. Tem razão em não esperar muito de um processo negocial que pareceu ser, grande parte do tempo, uma encenação. A pergunta é se com menos sindicatos a aderir, os trabalhadores desgastados com a perda do dia da última greve, pode conseguir mais pressão quando tanto precisa dela. Numa altura em que nunca foi tão necessária a unidade, nunca foi tão evidente a divisão. Na semana passada conversámos com Mário Mourão, esta semana o convidado é Tiago Oliveira, secretário-geral da CGTP-IN. Para falarmos do pacote laboral e da greve geral de 3 junho.
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    Mário Mourão, secretário-geral da UGT: para que serviram nove meses de negociação da lei laboral?

    22/05/2026 | 1h 12min
    Depois de uma greve geral conjunta e de longos nove meses de negociação, que muitos viram como encenação do governo, da UGT ou dos dois, não houve acordo para alteração da lei laboral. Alterações que o governo apresenta como fundamentais para o aumento da produtividade e dos salários, apesar de nenhuma evidência empírica indicar que o enquadramento da lei é relevante para esses dois objetivos. Uma negociação em que, de um lado, havia linhas vermelhas e do outro havia traves mestras. E que, tendo sempre como ponto de partida a perda de direitos dos trabalhadores, sem qualquer ganho relevante, o ponto de chegada nunca poderia ser equilibrado. Mesmo assim, a UGT manteve-se nele, até depois da ministra. De forma unilateral, ter excluído a CGTP, e mais nenhum parceiro social, do processo. Chegado ao fim, Rosário da Palma Ramalho concluiu que, afinal, aquele com quem tinha estado a negociar durante nove meses representava muito poucos trabalhadores. Agora, o diploma segue para onde, na realidade, o governo sempre desejou que seguisse: uma negociação com o Chega, o mais volúvel dos partidos. Sendo volúvel, também é o mais sensível à pressão da rua. E, apesar dessa fragilidade, é neste preciso momento que as duas centrais sindicais resolvem dividir-se. Uma porque marcou uma greve geral sem esperar e coordenar com a outra, outra porque está à espera de uma negociação parlamentar, em vez de a condicionar. É o que se chama “morrer na praia”. Para falarmos deste processo e, acima de tudo, por ser o que mais interessa às pessoas, do que podem mudar numa legislação laboral que, segundo todos os estudos de opinião, tem a rejeição da larga maioria dos portugueses, recebemos Mário Mourão, secretário-geral da UGT.
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    Vhils: a arte urbana está a ser domesticada?

    22/04/2026 | 1h 8min
    Vivemos em cidades que não param de se cobrir. Camadas de tinta, de publicidade, de betão, de fachadas reabilitadas que expulsam a memória de quem lá viveu. As ruas de Lisboa, do Rio de Janeiro, de Hong Kong ou do Cairo são palácios de acumulação. Num mundo obcecado em adicionar conteúdo ou ruído, Vhils faz exatamente o contrário. Subtrai. Escava. Destrói para revelar. Alexandre Farto, que o mundo conhece como Vhils, começou a pintar grafitis aos doze anos no Seixal, num Portugal que ainda digeria as transformações do pós-25 de Abril e da integração europeia. Mas o trabalho de Vhils não se esgota numa técnica tão peculiar como espetacular. Quando esculpe o rosto de um morador despejado de uma favela carioca na parede da casa que lhe vão demolir, está a fazer uma escolha política: a de que os ícones de uma cidade não têm de ser os heróis dos livros de história, mas as pessoas comuns que a habitam. Nesta hora falamos de paredes, muros e do que eles escondem. De cidades que se parecem cada vez mais umas com as outras e de comunidades que resistem. De arte que nasce para morrer e de uma estranha forma de eternidade que nenhum algoritmo consegue replicar. De turismo que transforma bairros em cenários e de pessoas que se recusam a ser figuras decorativas da sua própria história. E de um artista de rua que acabou a fazer o mais institucional das obras: o retrato oficial do Presidente da República.
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    Ricardo Alexandre: até onde pode o Irão resistir?

    27/03/2026 | 1h 10min
    Há quase um mês que somos bombardeados com imagens de guerra e destruição com a estética de videojogo. Explosões filmadas por drones, gráficos de mísseis, comunicados triunfalistas. Mas por trás das imagens há um país de noventa milhões de pessoas, uma orgulhosa civilização com cinco milénios e um conflito que não começou há três semanas. Está latente há quase cinco décadas, desde que uma revolução islâmica derrubou uma monarquia sustentada pelos Estados Unidos – que por sua vez tinha derrubado uma democracia de Mossadegh que beliscou os interesses ocidentais. Património da UNESCO, agora parcialmente destruído pelos mísseis, o Palácio Chehel Sotoun, tem um fresco que retrata a batalha de Chaldiran, em 1514. Celebra uma derrota. Na cultura xiita o martírio não é sinal de fraqueza. O regime colegial iraniano não é tão fácil de decapitar como o de Saddam e assenta numa ideia de resistência ao exterior. Não tem a arma nuclear, mas tem o Estreito de Ormuz. Faz mossa aos Estados Unidos, nem tanto a Israel. E este desencontro pode complicar o fim desta guerra. O convidado é Ricardo Alexandre, editor da TSF, onde apresenta o Estado do Sítio e o Mapa Mundo. Doutorado em Ciência Política pelo ISCTE, com reportagem de guerra nos Balcãs, Palestina, Afeganistão e Irão, esteve no país em 2005 e 2015 e acaba de publicar Tudo Sobre o Irão, um impressionante retrato de 448 páginas que vai da história dos velhos reinos persas à morte de Khamenei, da análise do sistema político iraniano até à influência cultural do futebol nesse país e da figura de Carlos Queiroz.
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Sobre Perguntar Não Ofende
É mais que uma entrevista, é menos que um debate. É uma conversa com contraditório em que, no fim, é mesmo a opinião do convidado que interessa. Quase sempre sobre política, às vezes sobre coisas realmente interessantes. Um projeto jornalístico de Daniel Oliveira e João Martins. Imagem gráfica de Vera Tavares com Tiago Pereira Santos e música de Mário Laginha.
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