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Padre Pedro Willemsens - Meditações

Padre Pedro Willemsens
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  • Padre Pedro Willemsens - Meditações

    "Unicum fac cor meum" - Unifica o meu coração

    22/2/2026 | 36min
    Há um pedido que ecoa como um grito do coração no Salmo: “Unifica o meu coração”. A integridade nasce exatamente dessa súplica. Não se trata de perfeccionismo impecável, mas de inteireza, de não viver fragmentado. A história narrada por C. S. Lewis em “Mais Além do Planeta Silencioso” ilustra esse contraste: enquanto alguns personagens enxergam tudo com suspeita, movidos por interesses e manipulações, o protagonista reconhece a bondade porque possui um coração reto. A diferença não está apenas na inteligência, mas na pureza de intenção. A tentação permanente é oscilar entre ingenuidade e malícia, entre aparência e verdade, entre o que mostramos e o que realmente somos.
    Essa divisão interior é um drama profundamente humano. São Paulo confessa que não faz o bem que quer, e o profeta Elias questiona: até quando coxeareis entre dois pensamentos? A raiz dessa duplicidade está no pecado, que desarmoniza nossas paixões e desejos. A vida moderna multiplica papéis e pressões, mas o verdadeiro problema não é desempenhar funções diversas, e sim agir contra aquilo que sabemos ser o bem. O egoísmo fragmenta, enquanto o amor maior unifica. “Buscai o Reino de Deus” não é apenas um conselho espiritual, é um princípio de integração interior: quando o coração tem um centro, as mãos encontram direção.
    A arma decisiva para conquistar essa unidade é a verdade abraçada e proclamada. A palavra constrói mundos. Um “aceito” funda um matrimônio; um “prometo” configura uma vocação; um simples “conta comigo” transforma amizades. Cristo é apresentado como o Logos, o Verbo que cria e recria todas as coisas. Cada escolha consciente escreve a nossa história. A oração diária, o oferecimento das obras, o enfrentamento sincero das próprias quedas são caminhos concretos de unificação. A confissão não nos fragmenta ainda mais; ao contrário, integra até mesmo nossas sombras numa história de misericórdia. A verdade pode queimar como espada flamejante, mas é um fogo que purifica máscaras e revela o rosto autêntico.
    Os frutos da integridade são imensos. Ela solidifica a personalidade e edifica o mundo ao redor. Grandes tragédias históricas nasceram de pequenas concessões repetidas, de pequenas faltas de retidão acumuladas no cotidiano. Por outro lado, também são as pequenas fidelidades que moldam santos, mártires e homens e mulheres capazes de transformar a sociedade. “Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito.” A integridade se prova nos detalhes: devolver o que foi emprestado, evitar mentiras sutis, cumprir a palavra dada, recusar vantagens injustas, enfrentar conversas difíceis com coragem.
    O Coração Imaculado de Nossa Senhora resplandece como modelo de unidade interior. Um coração vigilante, inteiro, plenamente disponível à vontade de Deus. Pedir a graça de um coração unificado é desejar uma paz profunda, capaz de irradiar luz. Caminhar na verdade, agir segundo o bem e permitir que Deus una as partes dispersas da nossa alma é o caminho seguro para uma vida coerente, luminosa e verdadeiramente livre.

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    ✝️ Referências bíblicas:
    Salmo 85,11
    Tiago 1,4
    1 Reis 18,21
    Apocalipse 3,15-16
    Mateus 6,33
    Lucas 16,10
    Evangelho de São João, prólogo

    📚 Outras referências:
    C. S. Lewis, “Mais Além do Planeta Silencioso”
    Gregory K. Popcak, “Deuses Feridos”
  • Padre Pedro Willemsens - Meditações

    O sonho de Deus para nós

    15/2/2026 | 33min
    Archibald Leach decidiu que precisava ser outro. Mudou de país, mudou de nome, reinventou-se — e nasceu Cary Grant. Anos depois ele diria: “Fingi ser alguém que eu queria ser… e me tornei essa pessoa.”
    Todos nós estamos nos tornando algo. A pergunta é: o quê?
    O mundo oferece personagens prontos: sucesso, reconhecimento, aplauso. Mas quando o palco esvazia, sobra o silêncio — e nele ecoa a pergunta que importa: valeu a pena?
    São Josemaria sonhava diferente. Sonhava com santos no meio do mundo. Gente comum, em escritórios, hospitais, cozinhas, salas de aula — vivendo a rotina com o coração voltado para Deus. No dia 14 de fevereiro de 1930, ele compreendeu com clareza que a santidade não era fuga da realidade, mas transformação dela.
    Estar no mundo sem ser mundano não é abandonar a profissão, mas santificá-la. Não é rejeitar a cidade, mas elevá-la. Não é buscar aplausos, mas buscar o Céu.
    “Ele nos escolheu para sermos santos.” (Ef 1,4)
    O maior risco da vida não é falhar tentando ser grande. É ter sido chamado à santidade… e contentar-se com pouco.
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    📚 Referências citadas
    Fernando Pessoa, Mensagem.
    Palestra do Dr. Brian Little sobre personalidade:   • Who are you, really? The puzzle of persona...
  • Padre Pedro Willemsens - Meditações

    A importância de pedir

    09/2/2026 | 31min
    Pedir ajuda não é fraqueza. É caminho de graça.
    Nesta meditação, refletimos sobre algo simples — e ao mesmo tempo profundamente exigente: aprender a pedir. Pedir a Deus. Pedir aos outros. Pedir sem medo, sem orgulho, sem manipulação. Pedir como filhos.
    A partir de histórias marcantes da vida de Madre Angélica — desde mafiosos construindo uma gruta mariana até o nascimento improvável de uma rede de TV católica — vemos como Deus age quando alguém ousa pedir… e confiar. 😅🌲📺
    O Evangelho é claro: “Pedi e recebereis”. No entanto, muitos de nós resistimos ao pedido por orgulho, medo de depender ou receio de parecer fracos. A meditação mostra como isso empobrece a vida espiritual e humana.
    Falamos também dos quatro perfis de cooperação (quem pede e dá ajuda, quem só dá, quem só recebe, quem não faz nenhum dos dois) e de como a maturidade cristã passa por aprender a dar e receber.
    Surge então a proposta de uma virtude pouco nomeada, mas muito necessária: etésia (do grego aitêsis, pedido).
    👉 A capacidade habitual de pedir ajuda com humildade, confiança e caridade.
    Pedir:
    abre espaço para a graça ✨
    desloca o foco do controle para a relação ❤️
    constrói comunhão 🤝
    cura o isolamento espiritual

    Cristo mesmo quis precisar: em Belém, no deserto, no Getsêmani, na Cruz.E continua precisando hoje: “Não tenho outras mãos senão as tuas.”
    Uma meditação para quem quer viver menos sozinho, menos fechado, menos orgulhoso — e mais como filho.
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    📚 Referências citadas
    Bíblia (Evangelhos; Gl 6,2; 1Jo 4,10)
    Adam Grant, All You Have to Do Is Ask
    Stephen Covey, Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes
    Raymond Arroyo, Mother Angelica
  • Padre Pedro Willemsens - Meditações

    No mundo sem ser mundanos

    01/2/2026 | 33min
    Ainda estava escuro quando a casa começou a despertar. O murmúrio de vozes do lado de fora atravessava as paredes, misturado com o cheiro do lago e a poeira da rua. André levou alguns segundos até lembrar tudo o que tinha acontecido nos últimos dias. Não fazia muito tempo que dormia ao relento, acompanhando João Batista pelo deserto. Agora, aquela casa simples em Cafarnaum estava cheia de gente, cheia de expectativas, cheia de pedidos. Jesus, porém, não estava ali.
    O dia anterior tinha sido intenso. Curou doentes, ensinou na sinagoga, escutou dores que pareciam não ter fim. A cidade inteira passou pela porta daquela casa. E agora, quando todos esperavam mais do mesmo, Ele tinha desaparecido. André e Simão saem à procura, com uma inquietação silenciosa no peito. Não era abandono. Era algo diferente. Um chamado para subir.
    Encontram Jesus longe da confusão, sozinho, em oração. O mundo ainda dormia, e ali, naquele silêncio, Ele decidia o próximo passo. Não ficaria preso ao sucesso, nem se isolaria do mundo. Voltaria às aldeias. Continuaria no meio das pessoas, mas sem se deixar engolir por elas.
    É aí que tudo se esclarece.
    Viver no mundo não significa pertencer a ele. Estar presente não é o mesmo que ser absorvido. O sal só transforma porque não se confunde com o alimento. A luz só orienta porque não se apaga na escuridão. O fermento age justamente porque permanece distinto da massa.
    Existe uma tensão real entre entrega e domínio. Entre presença e perda de identidade. Quando tudo se mistura, nada transforma. Tolstói descreve isso como água limpa misturada à terra boa que, juntas, viram lama. Nem água. Nem terra. Só algo inútil. Assim também acontece quando a fé se dilui completamente no ritmo do mundo.
    Há coisas que pedem medida. Outras pedem corte. Nem tudo convém. Nem tudo ajuda. Algumas renúncias não são fraqueza, mas lucidez. Um jejum bem feito devolve liberdade. Um limite bem colocado protege o coração.
    Mas nada disso se sustenta sem raiz.
    Se o sal perde o sabor, não serve. Se a lâmpada fica sem óleo, se apaga. Se o ramo se separa da videira, seca. A força para estar no mundo sem ser mundano nasce longe do barulho, no lugar escondido da oração. Foi ali, antes do amanhecer, que Jesus reencontrou o sentido do caminho.
    É nesse ponto que a imagem da Trindade de Rublev se torna luminosa. Três pessoas sentadas à mesa, em perfeita harmonia, abertas umas às outras, sem confusão, sem dispersão. Um convite silencioso à comunhão que não anula a identidade.
    Presença plena, sem perda de si.
    Nossa Senhora viveu assim. Atenta às necessidades concretas da casa, do vinho que faltava, da prima que precisava de ajuda. E, ao mesmo tempo, guardava tudo no coração, interpretando a vida à luz da Palavra. Nenhuma fuga do mundo.
    Nenhuma rendição a ele.
    É possível caminhar pelas ruas, trabalhar, estudar, servir, amar, sem perder o centro. É possível viver no meio de tudo, sem se tornar refém de nada. É possível estar inteiro no mundo, sem ser mundano.
    Tudo começa ali, no silêncio antes do amanhecer. Onde Deus fala. E o coração aprende a permanecer.
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    Referências:
    Jonathan Haidt, Geração Ansiosa.
    São Gregório de Nisa, A Vida de Moisés.
    Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas.
    Liev Tolstói, Guerra e Paz.
  • Padre Pedro Willemsens - Meditações

    O olhar que dá a vida

    25/1/2026 | 34min
    Há momentos em que um simples olhar muda tudo.
    Não porque explica, não porque resolve, mas porque dá vida.
    Viktor Frankl conta que, em Auschwitz, um dia recebeu escondido um pedaço de pão de um capataz. O pão alimentou o corpo. Mas o que o fez chorar foi outra coisa. Foi o olhar. A palavra breve. O gesto silencioso que dizia, sem dizer: “você ainda é humano”. Aquele olhar o alimentou mais fundo do que qualquer alimento.
    Existe um tipo de fome que não se sacia com coisas.
    É a fome de ser visto.
    O cristianismo nasce exatamente aí. Num Deus que olha. Um olhar que não mede utilidade, não calcula mérito, não compara. Um olhar que cria. Quando Deus olha, algo passa a existir. Quando Deus ama, algo floresce.
    Por isso a Trindade não é um problema matemático. É uma cena. Três Pessoas sentadas à mesa, olhando-se eternamente. O ícone da Trindade de Rublev não mostra ação, nem palavras, nem movimento. Mostra atenção. Um círculo de olhares onde cada Pessoa se entrega à outra, recebendo vida enquanto dá vida. Há um espaço vazio na mesa, aberto. Um convite silencioso para entrar naquela comunhão.
    Esse é o olhar que sustenta o mundo.
    O oposto também é verdadeiro. O olhar distraído, defensivo, apressado, julgador, mata devagar. Mata relações, mata vocações, mata a alegria. Quantas vezes alguém sofre não pela falta de ajuda, mas pela falta de atenção. Quantas vezes um celular na mesa pesa mais do que uma palavra dura. Atenção é amor. E amor é sempre sacrifício.
    Há um olhar que se entrega. Que não pergunta primeiro o que vai receber em troca. Que não se protege o tempo todo. Que não levanta escudos. É o olhar de Maria aos pés de Jesus. Marta faz muitas coisas, mas Maria oferece o que é mais raro: a própria atenção. E esse olhar permanece.
    Mas para olhar assim, é preciso estar desarmado. O medo nos fecha. O apego nos endurece. O desejo de controle nos impede de entrar na vida do outro. Amar é sempre um risco. Quem ama se expõe. Quem ama aceita perder algo para que o outro viva.
    Por isso esse olhar transforma em duas direções. Dá vida a quem o recebe. E converte quem o oferece.
    Cristo passa pela margem do lago, vê Simão e André, e os chama. Muitos estavam ali. Mas Ele vê aqueles. O olhar precede a palavra. E a palavra cria uma vida nova. A partir daquele instante, aqueles homens passam a carregar esse mesmo olhar no mundo. Tornam-se pescadores de homens não por técnica, mas por presença.
    O olhar do amor é vida.
    E talvez a pergunta mais decisiva não seja o que estamos fazendo, mas como estamos olhando. Para Deus. Para os outros. Para nós mesmos. Porque onde esse olhar chega, algo começa a viver.
    _________________________________Referências
    Viktor Frankl, O homem em busca de sentido
    Ícone da Trindade de Rublev
    Bento XVI, Deus Caritas Est (n. 18)
    J. Ratzinger, Principles of catholic theology
    C. S. Lewis, O grande divórcio.
    Podcast que associa sacrifício à atenção: https://www.thesymbolicworld.com/cont...

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Sobre Padre Pedro Willemsens - Meditações

Meditações do padre Pedro Willemsens, do CEAC (Brasília - DF), sobre diversos temas (doutrina católica, temáticas da fé, virtudes, aspectos da vida humana, dentre outros).
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