66 episódios
- A comunicação digital nos aprisiona mais do que liberda. As mídias modernas, apesar de suas infinitas possibilidades, limitam nossos conhecimentos e visões de mundo mais do que ampliam. Em outras palavras, da antiguidade clássica aos dias de hoje, nossas tecnologias mudaram e, com elas, modernizamos nossas cavernas: de antigas cavernas de pedras, passamos a habitar as cavernas de aço. Algo, porém, não mudou, pois seguimos reféns das projeções disformes que alimentam nossos imaginários. Hoje as louças serão lavadas na companhia de três titãs do conhecimento humano: Platão, Isaac Asimov e Carl Sagan, que, em suas realidades, apresentam pequenas tochas, velas e lanternas que podem, de alguma forma, iluminar a escuridão da ignorância.
- Vivemos em uma era de excessos: sons, lugares, objetos, informações e muito mais. Tudo isso gera um ruído constante que abafa o pensamento e anestesia o sujeito. Alimentados apenas por impulsos emocionais e fugazes, dedicamo-nos cada vez menos ao silêncio e à introspeção. O ser é erodido em nome do ter e, principalmente, do parecer. Neste “Enxame”, como define Byung-Chul Han, perdemo-nos a nós mesmos.
- O autoritarismo não tem um endereço fixo, até porque não se limita a um ou outro indivíduo. O autoritarismo dialogo, a todo instante, com a subjetividade humana e, principalmente, com a dificuldade que tantas pessoas possuem de se voltar a si mesmas contemplativamente, de compreender as origens e as consequências de seus pensamentos e comportamentos. Pois bem, venha comigo e com Adorno para a segunda parte do estudo sobre as conexões entre o autoritarismo e a psiquê humana.
- Em 1950 o filósofo Theodor Adorno publicou a obra "A personalidade autoritária", em que refletia, à luz de filosofia, sociologia e psicologia, os traços e comportamentos característicos de líderes autoritários e, principalmente, de seus apoiadores. O fenômeno do autoritarismo, para Adorno, não se limita a uma sociedade ou a aum período histórico, mas se desenvolve em espaços e momentos variados. Nesta série de dois episódios exploro "os 9 traços da personalidade autoritária", como se apresentam e como impactam socialmente.
- O ser humano conhece a si mesmo quando está em contato com o outro. É do outro que chega o "não", que chega o conselho, que chega o desconforto. É o outro, em sua alteridade, que desperta o interesse, a curiosidade e o desejo. As artes, historicamente, são marcadas pela alteridade: trazem discussões, críticas, reflexões que instigam (e até machucam) seus leitores e/ou apreciadores. Mas e as IAs? As IAs não provocam, pois apenas concordam. Não instigam, pois apenas reproduzem o igual. De Platão e Aristóteles até os dias de hoje, bora lavar louças.
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Sobre Lavando Louça com Sócrates
Entre pratos, copos e crises existenciais, o "Lavando Louça com Sócrates" é, desde 2021, um convite ao pensamento em estado bruto. Aqui cruzamos filosofia e literatura para refletir a existência e seus absurdos cotidianos, com perguntas que insistem em nos acompanhar quando tudo fica mais silencioso.
Meu nome é Yuri Sócrates e, por ironia da vida, sou filósofo, historiador e professor. Acredito que pensar é um gesto cotidiano, perigoso e profundamente necessário. Aqui não há promessas de sentido, mas de mergulhos profundos nos dramas e nas banalidades da existência.
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