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Paula Cardoso e Georgina Angélica
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    Cirila Bossuet: “O meu trabalho é emprestar o meu corpo. Tudo que eu tenho, eu dou”

    30/04/2026 | 54min
    Nomeada para os Prémios Sophia 2026, marcados para o próximo dia 15 de maio, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, Cirila Bossuet vai disputar a categoria de Melhor Atriz Coadjuvante, pela interpretação no filme “Banzo”, de Margarida Cardoso. A indicação, logo na sua primeira experiência no cinema português, evidencia a importância das oportunidades, um dos temas em destaque neste episódio de “O Tal Podcast”.
    Desde cedo habituada a um ambiente familiar intenso e cheio de vida, foi no silêncio que encontrou o seu lugar. Antes de subir a palco, Cirila Bossuet era a criança que observava e apreciava o silêncio. Hoje, é nesse mesmo equilíbrio, entre interioridade e exposição, que constrói uma carreira marcada pela entrega total à arte de representar.
    Neste episódio de “O Tal Podcast”, a atriz revisita um percurso que começou quase por acaso: seguiu uma amiga para o teatro sem imaginar que ali encontraria a sua voz. “Não fazia ideia do meu tom, do que o meu corpo era capaz”, conta, descrevendo o teatro como um portal de autoconhecimento que lhe permitiu ocupar espaço, falar mais alto e sentir que a sua opinião importa.
    Se a descoberta artística foi inesperada, as raízes estavam lá desde sempre. Filha de bailarinos fundadores do Ballet Nacional de Angola, Cirila cresceu rodeada de expressão artística, embora só mais tarde tenha feito essa ligação. A história familiar, marcada pela migração forçada e pela reconstrução em Portugal, trouxe consigo uma palavra-chave: responsabilidade. E com ela, o desejo profundo de honrar o percurso dos pais.
    Entre múltiplos projetos simultâneos, exaustão física e a instabilidade da profissão, Cirila fala abertamente sobre os desafios de viver da arte em Portugal. Do “veneno da comparação” ao ritmo avassalador de Lisboa, a atriz descreve um meio onde “há sempre a sensação de que se deveria estar a fazer mais”. Ainda assim, resiste, criando distância ao viver fora da cidade, em Sintra, onde encontra o seu “ninho” e o silêncio necessário para se reconstruir.
    A conversa abre ainda espaço para uma reflexão crítica sobre a falta de oportunidades no cinema e na televisão portugueses, onde, lamenta a atriz, “vemos sempre as mesmas caras”. Deixa, por isso, um apelo por processos mais justos e inclusivos.
    Ouça a conversa com Georgina Angélica e Paula Cardoso aqui.
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    Rita Évora dos Santos: “Uma coisa que as mulheres têm é empatia. A minha mentora, que me trouxe às finanças sistémicas, diz: cada mulher que encontro traz-me notícias de mim”

    23/04/2026 | 59min
    Licenciada em Gestão, e empresária há mais de uma década, Rita Évora dos Santos transformou as aprendizagens num programa de mentoria exclusivo para mulheres, e focado em finanças sistémicas. Uma abordagem que desenvolve a partir do entendimento de que “o dinheiro é emoção”, conforme partilha neste episódio de “O Tal Podcast”, em que sublinha a importância das crenças e padrões familiares na relação com a área financeira, e partilha como Cabo Verde lhe devolveu o sorriso.
    Todos os cêntimos contam, por isso, mesmo a moeda mais pequena deve ser valorizada, defende Rita Évora dos Santos. “Não vim de um sítio com dinheiro, tive que o ganhar. E hoje respeito todo o tostão. Se vejo um cêntimo, apanho”, diz a convidada desta semana de Georgina Angélica e Paula Cardoso.
    Filha de uma empregada de limpeza e de um trabalhador da construção civil, a gestora conta que aprendeu com os pais o sentido de sacrifício.
    “Vou fazer o que tiver que ser feito para me manter intacta”, garante, dando como exemplo a forma como conduz o seu negócio.
    “Tenho uma empresa de gestão de alojamentos, mas o nosso core também são limpezas. Se tiver que limpar um apartamento, sou a primeira”.
    Além das lições que traz da infância, nomeadamente que pobreza não é sinónimo de indignidade, e que o básico é o essencial, Rita partilha como a experiência empresarial tem sido formativa.
    “Limpámos as nossas poupanças para empreender”, revela, recuando aos primórdios da sua aventura empresarial, iniciada com o ex-companheiro, há mais de 10 anos.
    Hoje mentora de finanças sistémicas, a empresária conta que chegou a ter a conta ordenado a negativo – “Então, muitas vezes saía à meia-noite do trabalho, e às sete da manhã estava a limpar um escritório” – antes de encontrar a sua ‘fórmula’ de poupança.
    “Há pessoas que com aquilo que têm fazem uma vida digna, e há pessoas que estão enrascadas, porque somos influenciados por muitos viciozinhos. Vivemos num mundo de consumismo”.
    Sem ceder às inúmeras pressões de compra, Rita explica como se foi ‘libertando’.
    “Quando acabei de comprar o carro, continuei a pôr [dinheiro] de parte. Quando aluguei a casa, tinha o Porta 65, e aquilo que me deram pus de lado, como se estivesse a pagar a renda por completo. E ganhei este hábito”.
    A partir do que tem vivido, a empresária pretende apoiar outras mulheres na sua gestão financeira. “Quando conheço as finanças sistémicas, percebo que o dinheiro é emoção”, afirma, convicta da importância de manter o foco feminino do seu trabalho.
    “Uma coisa que as mulheres têm é empatia. A minha mentora, que me trouxe às finanças sistémicas, diz: cada mulher que encontro traz-me notícias de mim”, partilha a empresária neste episódio de “O Tal Podcast”, em que revê as próprias reconstruções emocionais.
    “Vim de Cabo Verde super apaixonada por mim, porque conheci uma Rita que não via há mais de 20 anos, que sorri só porque sim. O meu sorriso estava apagado e voltou”.
    O processo de transformação, revela a empresária, implicou uma mudança de vida completa.
    “Saí da relação em que estava, e vi-me sozinha pela primeira vez. Na altura até isolei-me um bocadinho, passei por uma tristeza, até perceber que a tristeza também é boa. E comecei a abraçá-la, e a abraçar-me”.
    Mais do que isso, Rita garante que renasceu: “Passei a olhar para mim e a gostar, a perceber que não são os outros que me veem. Sou eu que tenho de me ver primeiro. Isso tornou-me ainda mais bonita”.
    Ouça a conversa na íntegra aqui.
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    Marco Aurélio Mendes: “As lideranças estratégicas cada vez mais serão entregues a mulheres. Isto é uma revolução que África irá viver nos próximos anos”

    16/04/2026 | 1h 12min
    O convite para pisar o palco da TEDxLuanda deu um novo rumo à vida de Marco Aurélio Mendes. Filho de angolanos, nascido no Algarve, o gestor e empreendedor conta, neste episódio de “O Tal Podcast”, o que o levou a trocar Portugal por Angola, há quase 15 anos. Nesta conversa, recorda também como sobreviveu a uma malária muito grave, encontrou na adoção uma nova forma de olhar o mundo, e se tornou aprendiz e mestre de liderança.
    O título do livro é provisório – “Sonhalidade” – e, antecipa Marco Aurélio Mendes, nele caberão os primeiros 50 anos da sua história de vida, demarcada pela “linha que separa o sonho da realidade”. Ainda em fase de “rabisco-sarrabisco”, conforme o gestor pré-cinquentão faz questão de assinalar, a autobiografia apresenta 2016 como um ano de renascimento.
    De volta a esse período, o convidado desta semana de Georgina Angélica e Paula Cardoso recorda os efeitos de uma malária muito grave. “Estive três meses no hospital, perdi um pouco da audição, cabelo, 18 quilos, e toda a massa muscular. Acho que só fiquei a 100% dois anos depois”.
    A experiência, com passagem por 10 dias de coma induzido e sessões de hemodiálise, impulsionou velhos planos familiares.
    “Se Deus me deu uma segunda oportunidade de cá estar, achei que devia dar corpo a este sonho: entrámos no processo de adoção”.
    Juntamente com a mulher, Nancy, Marco, à época já pai de Francisca, tornou-se também pai de Alexandre, e, mais recentemente, de David.
    “Vou no terceiro filho, e todos me fizeram mudar”, nota o empreendedor, lembrando uma das primeiras lições que recebeu quando decidiu adotar.
    “Uma coisa que a psicóloga nos disse é que não se escolhe. Escolhe-se uma mercadoria, as crianças sinalizam-se”.
    É também ao círculo familiar que o convidado deste episódio de “O Tal Podcast” vai buscar uma das aprendizagens mais estruturantes da sua liderança.
    “Mal cheguei [a Luanda], estava a criticar a equipa e o meu pai disse: ‘não te esqueças que, quando chove, a rua de boa parte destas pessoas vira um rio. Se calhar algumas meninas tiveram que ir buscar água para tomar banho. É importante que penses nisso”.
    Mais do que refletir, Marco começou a questionar quem são os trabalhadores que tem a responsabilidade de gerir.
    “Onde e como vivem? Porque se vivem oito pessoas dentro de um quarto, o sono não é tranquilo”, diz, por um lado; enquanto, por outro, observa: “Comecei a perceber que era complicado desenhar um caminho a três anos, quando a pessoa ao meu lado só está a pensar em como consegue 200 Kwanzas para ir para casa”.
    Cada vez mais atento a quem o rodeia, o gestor transforma as experiências de liderança em conversas, integradas no podcast “Performance 360”.
    “Muitas empresas acham que construir ADN é ir buscar os quadros da concorrência que já trabalham bem”, aponta, questionando a estratégia: “Vais trazer o ADN da concorrência, e não constróis o teu?”.
    Confiante no potencial do denominado continente-berço, que apresenta como “o diamante da Humanidade”, Marco Aurélio Mendes considera que “as lideranças estratégicas cada vez mais serão entregues a mulheres”, num movimento que vê como “uma revolução que África irá viver nos próximos anos”.
    Qual será o papel de Angola nesta transformação?
    Ouça aqui a conversa com Georgina Angélica e Paula Cardoso.
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    Aoaní: “O sonho americano é um pesadelo. Vivia em estado de alerta 24 sobre 24 horas. Estou a falar principalmente da questão racial”

    09/04/2026 | 59min
    Em vésperas de subir ao palco com a peça “Kabeça Orí”, que estará em cena no Teatro São Luiz, em Lisboa, de 11 a 18 de abril, Aoaní revela, neste episódio de “O Tal Podcast”, como a representação sempre fez parte dos sonhos de infância, igualmente povoados de aspirações jornalísticas. Hoje com um percurso profissional que cruza as duas áreas, a atriz revisita várias etapas desse caminho, desde a saída de São Tomé e Príncipe alargado a Portugal, Brasil, Angola e EUA, onde se casou, divorciou, e se apanhou a viver em estado de alerta racial.
    Apresenta-se livre de apelidos, à imagem da icónica ‘Queen Bey’. “A Beyoncé não tem apelido. Percebi que não há necessidade de ter um. Portanto, achei interessante responder só por Aoaní”.
    O posicionamento, explica a convida de Georgina Angélica e Paula Cardoso, não deve ser confundido com eventuais tentativas de distanciamento e apagamento familiar.
    “Os Salvaterra não têm papas na língua. São uma força da natureza, têm sempre opiniões fortes. E eu acabo por ser assim, porque a minha mãe também é”, adianta, vinculando-se ao sobrenome materno, enquanto identifica outras heranças parentais.
    “O stand-up entra na minha vida porque sou palhaça, tanto [da parte] do pai como da mãe”, nota a atriz, lembrando que a avó Lourença, que faleceu no ano passado, com quase 102 anos, “era muito gozona”.
    Mais do que um traço herdado, Aoaní vê nos gracejos uma via de resistência.
    “É muito presente nas nossas vivências o rir para não chorar. É um bocado de espírito de sobrevivência”.
    O reconhecimento de experiências transversais às vidas negras não é, contudo, sinónimo de indiferenciação individual, avisa a atriz.
    “Não sou representante de ninguém, não carrego o povo negro às costas. Sou negra e, se as pessoas se revirem na minha história e na forma como eu crio, fantástico”.
    Agora com um novo espetáculo, intitulado “Kabeça Orí”, a são-tomense prepara-se para subir ao palco do Teatro São Luiz, em Lisboa, de 11 a 18 de abril, na companhia de Joyce Souza.
    A proposta autoral dá resposta à necessidade de abrir caminho. “Em Portugal, ainda temos pouco espaço no mercado, mas creio que a solução seja criar as nossas histórias e contá-las, criar o nosso próprio espaço. E é isso que tenho feito, ou tentado fazer”.
    O resultado que agora já se apresenta no palco, passou primeiro por um laboratório de aprendizagens, que tiveram nos Estados Unidos um eixo primordial.
    “O que me levou para os EUA foi a idealização de Hollywood, de trabalhar na Broadway, porque eu achei que era só chegar e ir”.
    Não foi. Muito pelo contrário.
    Se no início a dificuldade estava em arranjar trabalho sem documentos, depois de se casar e obter o Green Card, a falta de uma rede de apoio e de seguro de Saúde revelaram-se obstáculos intransponíveis, agravados por um permanente estado de vigilância racial.
    “De cada vez que fosse parada, numa paragem de trânsito, normal, ficava muito aflita, porque não sabia se iria sair viva”, recorda, sem esquecer o impacto familiar.
    “Uma amiguinha do infantário, ou ‘inimiguinha’, disse à minha filha que não podia ser uma princesa por ser preta. Isso para uma criança de 5 anos foi brutal. Ela chegou a casa a chorar”, diz Aoaní, sublinhando o peso das conversas que se seguiram.
    “Tivemos todo um processo de reforço da autoestima. O trabalho é constante, até hoje”, destaca a atriz.
    Acompanhe aqui a conversa, com Georgina Angélica e Paula Cardoso.
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    Didi: “Nos meus quase oito anos de Portugal, tive chances de viajar pelo interior e entender que podemos ser muito parecidos diante das nossas diferenças do que imaginava”

    02/04/2026 | 1h
    DJ e artista multidisciplinar, Diego Cândido, mais conhecido como Didi, tornou-se uma referência da cultura negra, queer e imigrante de Lisboa, onde aterrou depois de vários voos internacionais, que encontraram em Nova Iorque um destino de expansão identitária. Hoje coletivamente alicerçado nas “Afrontosas” e na “União Negra das Artes”, o também pesquisador brasileiro conta, neste episódio d’ “O Tal Podcast”, como as viagens o ajudaram a reconstruir a ideia de família e de casa.
    Começou por romper fronteiras em 2009, graças ao curso de Direito. Quase 18 anos depois, o convidado de Georgina Angélica e Paula Cardoso vê na primeira viagem a Nova Iorque, concretizada no âmbito do projeto “Ciências sem Fronteiras”, uma mudança de rota vital.
    “Não consegui mais parar”, revela o DJ e artista multidisciplinar, fundador do “Coletivo Afrontosas”.
    Sempre em movimento, Didi tem percorrido milhas desde a formação nova-iorquina em “Business Management” (Gestão de Negócios), procedida, entre outros destinos, de voos para o Canadá e Londres, antes da chegada a Portugal.
    Há cerca de oito anos no país, o brasileiro recorda, neste episódio d’ “O Tal Podcast” os planos académicos que trazia na bagagem.
    “Cheguei [a Lisboa] para fazer um mestrado. Na época, queria tratar de temas que eram a base da minha forma criativa, artística, queria falar sobre movimentos negros a partir da perspectiva queer, da população LGBTIQI+. E ‘levei’”.
    Cabe nesse “levei” uma série de embates que teve de enfrentar, diante da pouca ou nenhuma abertura que encontrou na Academia, para investigar as questões que o mobilizam.
    O revés académico não travou, contudo, a vontade de encontrar respostas para uma pergunta que coloca desde o primeiro dia em Portugal: “Cadê elas? Onde estão as pessoas negras queer?”.
    A interrogação deu lugar a um dos projetos desenvolvidos pelas “Afrontosas”, que permite reconhecer que essas presenças sempre existiram – e resistiram.
    “Aos poucos, com muito auxílio dos movimentos negros, de pessoas diversas do próprio movimento LGBT, contamos essa história”.
    Enquanto se resgatam referências do passado, Didi partilha como se está a construir história no presente, nomeadamente a partir da UNA – União Negra das Artes, via não apenas de organização, mas de “encontro afetivo”, apontado como uma das peças-chave para superar fronteiras geograficamente impostas.
    “A imigração possibilita construir de novo, estreitar laços de formas até mais presentes, fortes e frutíferas do que os laços de sangue”, defende o DJ, surpreendido com a casa que encontrou em Lisboa.
    “Vi-me apadrinhado por uma realidade que nunca imaginei encontrar, a partir do meu companheiro e da minha base coletiva, grandemente instituída pelo Coletivo Afrontosas”.
    À experiência lisboeta juntam-se vários trânsitos de reconhecimento humano pelo país. “Nos meus quase oito anos de Portugal, tive chances de viajar pelo interior e entender que podemos ser muito parecidos diante das nossas diferenças do que imaginava”
    Ouça o episódio completo aqui.
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Um espaço onde cabem todas as vidas, emocionalmente ligadas por experiências de provação e histórias de humanização. Para percorrer sem guião, com autoria de Georgina Angélica e Paula Cardoso.
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