Francisco Mota Saraiva e João Dinis, incapazes de preverem o futuro, propõem-se, contudo, a mostrar que A Sibila, de Agustina Bessa-Luís, é o tal «milagre» que Eduardo Lourenço afirmou ter deslocado «o centro da atenção literária em Portugal».
Este é um romance sobre o velho patriarcado, obsoleto, frágil e despesista, porém, gerido à distância pela força, saber e imaginação das mulheres. É também um livro sobre vencer a vida e sobre ser vencido, tal como a morte, no que está antes e depois dela.
A Sibila revela as características autênticas de uma época e de uma região, numa linguagem de rara riqueza de substantivos, adjectivos, aforismos e expressões populares; tudo emanado a partir do espaço da casa, da educação, da herança e dos costumes, e sempre com a ironia conhecida da Autora que dizia, na sua gloriosa modéstia, que era como um produto da região nortenha e minhota, «como o vinho verde, que não embriaga, mas alegra», e que assim o comprova este Quinta de Amares, o alvarinho que acompanhou este episódio em memória de Agustina, a nossa «voerinha», sibila da literatura portuguesa e universal.