18 episódios
- Hoje chegamos ao fim da segunda temporada de Cabem Todes. Mas nada há a temer! O Cabem Todes regressa a 3 de dezembro com uma última temporada, porque, como bem sabemos, não há duas sem três.
Neste episódio, Pip dedica-se a recordar tríades, trilogias, trimestres. Fã de banda desenhada, ou de filmes baseados em banda desenhada, não podia deixar de salientar os 20 anos de V for Vendetta, filme que envelheceu bem e que lembra a urgente e incansável luta por uma vida digna e autónoma. Mas voltemos ao três: três trimestres de gestação humana, três meses para cada estação do ano, a Santíssima Trindade do Cristianismo, a Trimurti do Hinduismo, a divisão do universo em três deuses na mitologia grega, outros agrupamentos de três das tradições Nórdica e Celta. E não se fica por aqui: três estados primários — Sólido, Líquido e Gasoso, três cores primárias da luz, três lugares do pódio, três desejos do génio da lâmpada.
Nesta obsessão com o número três, Pip fala ainda do adorado formato narrativo: as trilogias. Trilogias no cinema, na pintura, na música e, claro, no teatro. É a propósito desta última arte que Pip chega a Joana Levi e ao espetáculo Câncer em Saturno, a última peça de uma trilogia, que estreia hoje, 5 de novembro, no TBA, dedicada às relações do humano com os mundos micro e macroscópico.
Neste episódio escutamos temas de Wayne Shorter, Neutral Milk Hotel e Lucinda Williams.
Cabem Todes é um programa de Pip Marinho na Futura - Rádio de Autor que cruza memórias, histórias pessoais e experiências de vida com a programação do TBA, o teatro que não fica no Bairro Alto, mas sim perto do Largo do Rato.
Um programa de
Pip Marinho
Música original
F de Vaca
Produção
Teatro do Bairro Alto - Apesar de ter crescido com referências norte-americanas, do cinema de Hollywood à música, Pip Marinho nunca se reviu no Halloween, uma efeméride que considera que foi engolida por interesses comerciais. Mas a sua curiosidade infindável levou Pip a traçar a origem histórica desta data, o que acabou por mudar a sua visão sobre esta celebração. De matriz celta, a data partilha com o Dia de Los Muertos, no México, e com o Pão por Deus, em Portugal, a necessidade de comunicar com os mortos e de os honrar, fazendo da sua memória uma forma de afirmação e até de resistência cultural.
Esta pista leva Pip ao Haiti, onde percebemos que a figura do zombie é central na cultura vudu, religião que nasceu do cruzamento das religiões originais africanas levadas pelas pessoas escravizadas no tráfico transatlântico com o catolicismo levado pela colonização francesa para o território. Esta figura é originalmente, não um predador como Hollywood nos habituou, mas uma vítima esvaziada de vontade própria e forçada a trabalhar nas plantações. É desta memória diaspórica que parte a sugestão do espetáculo Cadências crioulas, dez mil vezes desdobrada, de Inés Sybille Vooduness & Malvin Puerca de Goma, apresentado no Alkantara festival e no TBA, em que a dança surge como ritmo para manter viva a memória e, quem sabe, promover a descolonização do pensamento.
O episódio fecha com “Zombie”, dos Cranberries, canção sobre a Revolta da Páscoa, data marcante da independência irlandesa, que mostra como o trauma colonial atravessa territórios muito distintos e que, de certo modo, nos traz de regresso ao início do episódio.
Cabem Todes é um programa de Pip Marinho na Futura - Rádio de Autor que cruza memórias, histórias pessoais e experiências de vida com a programação do TBA, o teatro que não fica no Bairro Alto, mas sim perto do Largo do Rato.
Um programa de
Pip Marinho
Música original
F de Vaca
Produção
Teatro do Bairro Alto - Há quem diga que a vida não é um recreio. Mas habitar, jogar e brincar são gestos do mesmo direito: o de ter lugar no mundo. Das tendas montadas nas praças pelo direito à habitação ao palco de asses.masses, o espetáculo-videojogo de Patrick Blenkarn e Milton Lim, este episódio de Cabem Todes segue o fio político do jogo e pergunta onde acaba o brincar e começa a transformação da sociedade.
Para Pip Marinho, uma noite de jogos com amigues é mais segura do que, por exemplo, uma festa: as regras estão escritas, os papéis são claros e há espaço para estar com as pessoas sem o ruído do mundo. Mas os jogos também podem ser um ensaio geral dos comportamentos sociais, como a presença do Monopólio (ou Landlord’s Game, como se chamava originalmente) nas infâncias de múltiplas gerações parece comprovar. Foi o que o psicólogo Paul Piff quis testar, através de uma experiência com jogos de Monopólio propositadamente viciados. Será que as pessoas mudam quando sentem que a sorte ao jogo lhes dá mais riqueza e mais poder? A resposta foi clara: quem partia em vantagem esquecia que o jogo estava viciado e atribuía a vitória ao próprio mérito.
Basta olhar lá para fora para reconhecer o tabuleiro. Nas praças de Lisboa, do Porto e de outras cidades do país e da Europa, as acampadas respondem à especulação e ao despejo fincando os pés no chão, e provam que a cidade pertence a quem nela vive. É em solidariedade com elas que o episódio traz música de protesto, da “Acampilação” da Cafetra Records a Chica. E termina em asses.masses, no TBA a 24 e 25 de outubro, onde o público toma o comando, um de cada vez, para ajudar um grupo de burros desempregados a recuperar os seus postos de trabalho. Quem resiste sabe que o jogo se ganha em conjunto: de mão em mão, de comando em comando, de tenda em tenda.
Cabem Todes é um programa de Pip Marinho na Futura - Rádio de Autor que cruza memórias, histórias pessoais e experiências de vida com a programação do TBA, o teatro que não fica no Bairro Alto, mas sim perto do Largo do Rato.
Um programa de
Pip Marinho
Música original
F de Vaca
Produção
Teatro do Bairro Alto - Pip Marinho pensa em círculos desde a infância e cedo percebeu, pelo olhar impaciente dos adultos, que andar às voltas não é bem visto. Neste episódio, essa partilha pessoal abre uma pergunta: será toda a ruminação assim tão má? Pip procura resposta na ciência e na psicanálise, com a investigadora Susan Nolen-Hoeksema, que mostrou como a fixação repetitiva na dor alimenta o sofrimento, e com Carl Jung, que propôs a circunambulação: em vez de cortar o loop com lógica, mudar-lhe o sentido da marcha e passar a caminhar, conscientemente, em torno do problema, como quem circula um lugar sagrado. E também na música, com Ryley Walker e Brìghde Chaimbeul. A teoria que daqui sai é que o problema talvez não seja ruminar, mas a qualidade da ruminação, e que a criação artística é uma das formas de ritualizar a dor para a atravessar. É esta ideia que Pip antevê em SāHO, de Nivine Kallas, que vai estar nos dias 16 e 17 de outubro no TBA: uma peça que usa o corpo como eixo para girar para fora da rigidez e da disciplina do sistema de ensino tradicional, e da janela da sala de aula por onde a mente fugia enquanto o corpo ficava confinado. Uma circunambulação em palco, ao vivo.
Cabem Todes é um programa de Pip Marinho na Futura - Rádio de Autor que cruza memórias, histórias pessoais e experiências de vida com a programação do TBA, o teatro que não fica no Bairro Alto, mas sim perto do Largo do Rato.
Um programa de
Pip Marinho
Música original
F de Vaca
Produção
Teatro do Bairro Alto - No dia seguinte à apresentação do programa do Alkantara Festival 2026, que de 13 a 29 de novembro passa pelo TBA e por outros espaços de Lisboa, Pip Marinho entra numa Casa de Espelhos: aquela que se revela quando uma peça, ou uma crítica, nos mostra o que preferíamos não ver. A partir da provocação de Cleo Diára a David Cabecinha no podcast Dito e Feito, sobre quanto espaço existe, depois de o espetáculo sair de cena, para vozes historicamente invisibilizadas, Pip reflete sobre a performatividade dos direitos humanos e a dificuldade de acolher a crítica sem logo nos defendermos. Olha também para a sua herança familiar colonialista e para Haribo Kimchi, de Jaha Koo (vencedor do International Ibsen Theatre Award deste ano), no TBA de 13 a 15 de novembro, que lembra que a vergonha pode ser o início de uma conversa honesta.
Cabem Todes é um programa de Pip Marinho na Futura - Rádio de Autor que cruza memórias, histórias pessoais e experiências de vida com a programação do TBA, o teatro que não fica no Bairro Alto, mas sim perto do Largo do Rato.
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F de Vaca
Produção
Teatro do Bairro Alto
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Sobre Cabem Todes
Cabem Todes é um programa de rádio criado por Pip Marinho em parceria com o TBA, onde memórias, vivências e histórias pessoais se entrelaçam com a vida e a programação deste teatro lisboeta de nome inesperado. Num espaço de escuta e partilha, diferentes vozes encontram lugar, revelando encontros entre arte, identidade e experiência. Numa temporada especial, o programa vai para o ar na Futura, todas as quintas-feiras às 20h30. Repete às quartas no mesmo horário.
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