43 episódios
- Resumo: Neste podcast, o debate central gira em torno de como a Inteligência Artificial está a reconfigurar o próprio fazer científico e a comunicação em rede. O episódio adentra no coração das transformações metodológicas da atualidade, questionando se o avanço dos sistemas automatizados representa uma verdadeira emancipação para os investigadores ou uma armadilha que massifica o pensamento. Ao longo da conversa, debate-se o paradoxo de uma tecnologia que, ao mesmo tempo que acelera a descoberta de dados e viabiliza laboratórios autónomos, corre o risco de industrializar a criatividade e proletarizar o trabalho intelectual para atender a pressões de mercado. A reflexão central do programa desafia o público a olhar além da eficiência económica e da produtividade imediata. Defende-se que as estruturas tecnológicas assentam sempre sobre bases culturais e ecológicas, o que exige que o desenvolvimento digital seja orientado pela ética, pelo cuidado humano e pelo bem-estar social. Por fim, o diálogo foca-se nas novas competências exigidas aos futuros cientistas, destacando que a sobrevivência do pensamento crítico na era da automação depende da nossa capacidade de fazer perguntas profundas e exercer uma curadoria sensível.
Apresentação: Patrícia Weber
Docente na Universidade Fernando Pessoa é doutorada em Ciências da Informação, na área de Jornalismo e Estudos Mediáticos pela mesma Instituição. Docente desde 2000, membro integrado do LabCom e participante dos projetos financiados MemNews, InovaLab@UFP Impulso Mais Digital, Governança de IA no Brasil e em Portugal e do Observatório Social para a IA e Dados Digitais – ICNova.
Convidada: Tadiane Regina Popp
Doutorada em Ciências da Comunicação pela Universidade Fernando Pessoa (Porto, Portugal) em regime de cotutela com a Universidade Federal do Paraná. Possui formação multidisciplinar. Mestre em educação, especialista em Sistemas de Informação e coordenadora na área das tecnologias digitais de gestão da Universidade do Oeste de Santa Catarina. A sua investigação foca-se precisamente na comunicação digital dentro dos ecossistemas e centros de inovação entre Portugal e o Brasil. Episódio 42 - Reconstruir o Comum: Comunidades Mais-que-Humanas em Contextos de Catástrofe
20/04/2026 | 45minResumo:
Neste episódio do Compor Mundos, refletimos como os desastres e catástrofes não afetam apenas populações humanas, mas reconfiguram profundamente as relaçõesentre todas as espécies que habitam territórios devastados. A partir do projeto ABIDE – Animal Abidings: Recovering from Disasters in More-than-Human Communities, desenvolvido no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, discutimos os processos sociais de recuperação pós-desastre através de uma lente crítica que descentra o humano. Como se reorganizam as comunidades mais-que-humanas após eventos catastróficos? Que interdependências emergem, persistem ou se rompem entre humanos, animais e ambientes? Como repensar o"comum" quando reconhecemos que a recuperação envolve múltiplas espécies, agências e formas de vida entrelaçadas? Através de uma abordagemtransdisciplinar, este episódio convida à reflexão crítica sobre as ecologias do desastre, as permanências animais em territórios feridos, e as possibilidades de reconstruir mundos mais justos e habitáveis a partir doreconhecimento das nossas interdependências multiespécies.Apresentação:
Diogo Vidal - Departamento de Ciências Sociais eGestão, Universidade Aberta, Portugal; Centre for Functional Ecology - Science for People & the Planet (CFE), Laboratório Associado TERRA, Universidade deCoimbra, Portugal; Membro da Rede Compor Mundos
Convidada:Verónica Policarpo é Doutorada em Ciências Sociais (Sociologia) e investigadora principal no campodos Estudos Humanos-Animais no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-ULisboa), onde coordena, desde 2018, o Human-Animal Studies Hub,distinguido em 2019 com o International Development Fund do Animals & Society Institute. Em 2022, foi galardoada com uma ERC Consolidator Grant parao projeto ABIDE – Animal Abidings: Recovering from Disasters in More-than-Human Communities, dedicado ao estudo dos modos como os animais não humanos recuperam de catástrofes ambientais, em particular incêndios florestais. O projeto decorre entre maio de 2023 e abril de 2028. Anteriormente, coordenou projetos como Liminal Becomings: Reframing Human-Animal Relations in Natural Disasters [CEECIND/02719/2017], centrado na relação entre animais e desastres, e CLAN: Children-Animals’ Friendships: Challenging Boundaries Between Humans and Non-Humans in Contemporary Societies (PTDC/SOC/28415/2017), sobre as relações entre crianças e animais de companhia. A sua investigação foca-se na construção de perspetivas mais-que-humanas, que reconhecem todos os seres vivos comoparceiros plenos. No ICS-ULisboa, coordena ainda o curso de pós-graduação Animais e Sociedade (desde 2020), a International Summer School in Human-Animal Studies (em co-coordenação com David Redmalm, da Mälardalen University, Suécia, desde 2019), o Reading Group Animal Wonder (desde 2018) e o webinar The Post-Human-Animal (desde 2021). Integra também os grupos de investigação SHIFT (Ambiente, Território, Sociedade) e LIFE (Curso de Vida, Desigualdades e Solidariedades).- Neste episódio, perguntamos: onde estão os rios quando deixamos de vê-los? Analisamos a ideia dos rios invisíveis, aqueles que, embora presentes, são silenciados pelo urbanismo, pelas rotinas e pelas formas hegemónicas de perceber a paisagem. Partimos da premissa de que a paisagem não é apenas cenário, mas memória socioecológica viva: um encontro entre afetos, imaginários, práticas e relações com o território. Através de reflexões inspiradas em metodologias participativas e cartografias, discutimos como diferentes comunidades, especialmente os mais jovens, revelam escalas de conexão, perceção e cuidado quando são convidados a mapear os rios com o corpo, a emoção e a imaginação. Falamos sobre a fricção entre o digital e o analógico, a perda de relação entre o natural e o urbano, e o desafio de educar para mundos em que a água volta a ser reconhecida como protagonista. Trata-se de um convite a repensar a presença — ou ausência — dos rios nas nossas vidas e a imaginar políticas, práticas educativas e futuros partilhados que devolvam às águas o seu papel de tecer mundos mais sensíveis, regenerativos e habitáveis.Apresentador: Diogo Guedes Vidal
Departamento de Ciências Sociais e Gestão, Univ. Aberta; Centre for Functional Ecology - Science for People & the Planet (CFE), Lab. Associado TERRA, Univ. de Coimbra; Membro da Rede Compor Mundos Sociólogo com mestrado em Sociologia e doutoramento em Ecologia e Saúde Ambiental, com formação avançada em Ética e Integridade na Investigação. Com percurso académico e científico marcado pela transdisciplinaridade, integrando Ciências Sociais, Ecologia e Saúde Pública, com enfoque nas relações sociedade-natureza, desigualdades socioambientais, processos de comunicação, ecologia urbana e regeneração socioecológica. Professor Auxiliar no Departamento de Ciências Sociais e Gestão da Univ. Aberta e Investigador Integrado no grupo Sociedades e Sustentabilidade Ambiental do Centro de Ecologia Funcional – Ciência para as Pessoas e o Planeta, Lab. Associado TERRA da Univ. Coimbra. É Co-Investigador Principal do projeto Promoting the Cultural Value of Biodiversity and Sustainability in Coastal Marine Territories, associado à rede internacional de ciência cidadã Marangatu (Brasil). Participou em mais de 15 projetos nacionais e internacionais, incluindo o PHOENIX - The Rise of Citizens' Voices for a Greener Europe (H2020), onde contribui para o primeiro estudo de grande escala sobre perceções sociais da natureza em Portugal. Desenvolveu investigação sobre os direitos da natureza no contexto europeu e sobre a representação dos espaços verdes nos Planos Diretores Municipais portugueses. Em termos associativos, é Membro da Equipa de Coordenação da Secção Temática Ambiente e Sociedade da Associação Portuguesa de Sociologia.
Convidada: Marluci Menezes
Lab. Nacional de Engenharia Civil (LNEC), Núcleo de Revestimentos e Isolamentos. Geógrafa. Mestrado e doutoramento em Antropologia Social e Cultural (Univ. Nova de Lisboa), com especialização em Antropologia do Espaço (Univ. de Florença) e pós-doutoramento em Planeamento Urbano (Univ. Lusófona, Lisboa). É investigadora principal no LNEC. No LNEC, tem vindo a trabalhar em projetos de investigação nacionais e internacionais que abordam diversas questões relacionadas com a relação entre património, memória social, território, sociedade e cultura, espaço público urbano, políticas urbanas e metodologias qualitativas e colaborativas aplicadas ao planeamento urbano e à conservação do património, com várias publicações dos estudos realizados e coordenados. Colaborou, igualmente, em ações de formação especializada através de workshops e formações sobre temas específicos. Coordenou a Divisão de Investigação em Ecologia Social – NESO no LNEC (2009–2013). - Resumo: O ativismo climático jovem tem vindo a desenhar novas formas de pensar e fazer política. Estes grupos, liderados por jovens portugueses, constroem imaginários políticos que desafiam os discursos dominantes, mobilizam redes digitais para agir e comunicar, e negociam as suas representações mediáticas num espaço público em transformação. Neste episódio analisamos e refletimos como o ativismo juvenil reconfigura a relação entre comunicação, política e ecologia, focando-se nas novas dinâmicas de mobilização e nas disputas simbólicas que atravessam o campo mediático e digital.
Apresentador: Diogo Guedes Vidal
Departamento de Ciências Sociais e Gestão, Universidade Aberta, Portugal; Centre for Functional Ecology - Science for People & the Planet (CFE), Laboratório Associado TERRA, Universidade de Coimbra, Portugal; Membro da Rede Compor Mundos
Sociólogo com mestrado em Sociologia e doutoramento em Ecologia e Saúde Ambiental, com formação avançada em Ética e Integridade na Investigação. O seu percurso académico e científico é marcado pela transdisciplinaridade, integrando ciências sociais, ecologia e saúde pública, com enfoque nas relações sociedade-natureza, desigualdades socioambientais, processos de comunicação, ecologia urbana e regeneração socioecológica. Atualmente é Professor Auxiliar no Departamento de Ciências Sociais e Gestão da Universidade Aberta (Portugal) e Investigador Integrado no grupo Sociedades e Sustentabilidade Ambiental do Centro de Ecologia Funcional – Ciência para as Pessoas e o Planeta, Laboratório Associado TERRA da Universidade de Coimbra. É ainda Co-Investigador Principal do projeto Promoting the Cultural Value of Biodiversity and Sustainability in Coastal Marine Territories, associado à rede internacional de ciência cidadã Marangatu (Brasil). Participou em mais de 15 projetos nacionais e internacionais, incluindo o PHOENIX - The Rise of Citizens' Voices for a Greener Europe (H2020), onde contribui para metodologias participativas em políticas ambientais, e o inquérito nacional Os Portugueses e a Natureza, primeiro estudo de grande escala sobre perceções sociais da natureza em Portugal. Desenvolveu igualmente investigação sobre os direitos da natureza no contexto europeu e sobre a representação dos espaços verdes nos Planos Diretores Municipais portugueses. Em termos associativos, é Membro da Equipa de Coordenação da Secção Temática Ambiente e Sociedade da Associação Portuguesa de Sociologia.
Convidada: Daniela Ferreira da Silva
Departamento de Ciências da Comunicação, Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho, Portugal; Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA-UMinho)/IN2PAST, Portugal; b13120@ics.uminho.pt
Socióloga e, desde 2022, integra o programa doutoral de Ciências da Comunicação na Universidade do Minho. É membro do Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA-UMinho). A Daniela iniciou o seu doutoramento como bolseira de investigação no projeto “JUSTFUTURES – Futuros Climáticos e Transformações Justas: Narrativas e Imaginários Políticos dos Jovens”, financiado pela FCT, que se desenvolveu entre 2021 e 2025. Agora, segue o seu percurso de doutoramento com o projeto individual, intitulado “Reimaginando a agência política: a(s) voz(es) dos jovens no debate das alterações climáticas”. Os seus principais interesses de investigação centram-se nas áreas da Sociologia e da Comunicação, no estudo do ativismo juvenil, na socialização política, nas novas formas de participação política e cívica “onlife”, nos movimentos sociais contemporâneos e nas metodologias participativas. - Resumo: Neste episódio, o professor João Carvalho compartilha sua visão sobre a missão do ensino em comunicação diante das demandas do mundo digital e hiperconectado. Com base em sua trajetória de mais de uma década dedicada à docência e pesquisa, João discute como as universidades podem fomentar tanto a excelência técnica quanto a formaçãoética e cidadã de futuros jornalistas, sobre os impactos das novas tecnologias e analisa caminhos para criar uma educação em comunicação mais humanista, crítica e conectada às necessidades contemporâneas da sociedade.Convidado:João Carvalho - Doutor em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG-BR), é professor da PUC Minas e se dedica as áreas do jornalismo, seu ensino e linguagens audiovisuais documentais e jornalísticas.
Apresentador:
Patrícia Weber - Docente na Universidade Fernando é doutorada em Ciências da Informação, na área de Jornalismo e Estudos de Média pela mesma Instituição. Também professora na UNISINOS, durante 17 anos, atuou como supervisora de estágio de Rádio na Agência Experimental de Comunicação e foi coordenadora do Núcleo de Ensino a Distância.
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Sobre Compor Mundos
Podcast do projeto “COMPOR MUNDOS: HUMANIDADES, BEM-ESTAR E SAÚDE NO SÉCULO XXI": O projeto consiste numa rede de especialistas das áreas das humanidades e da saúde que pensam as questões do bem-estar e da saúde nas sociedades tecnológicas contemporâneas. Que mundos compor, que relações definir para a humanização dos ambientes contemporâneos de vida, para ultrapassar a distinção rígida entre natureza e cultura, para promover de forma integrada a saúde de humanos e não humanos?
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