Powered by RND

Geração 60

Conceição Lino
Geração 60
Último episódio

Episódios Disponíveis

5 de 24
  • Fernanda de Almeida Pinheiro: “A minha avó Maria Eugénia nem apelidos tinha. As mulheres não tinham um para além do nome próprio. Era sempre Maria. Todas as mulheres da minha família têm o nome de Maria, mas não um apelido”
    Nasceu em Caldas da Rainha em outubro de 1969. A mãe esperava que a segunda filha fosse uma menina prendada, mas ela aprendeu a bordar a contragosto. Não gostava de brincar com bonecas e não hesitava em dar opiniões. "Já contestava aquela injustiça de só as meninas terem tarefas domésticas. Venho de uma linha de mulheres poderosas que, não tendo sido empoderadas, tornaram-se a si próprias poderosas. A minha avó foi uma delas", conta. Era boa aluna, mas quando chegou a altura de ir para a faculdade, os planos foram adiados porque não havia como pagar um curso superior. Foi como trabalhadora estudante que se matriculou seis anos depois em Direito, na Universidade Autónoma, por sugestão da irmã mais nova. Até conseguir ser advogada em nome individual, trabalhou em empresas como secretária de Administração, Técnica de Recursos Humanos e contencioso. Foi com este percurso pouco comum que chegou a bastonária da Ordem dos Advogados: "a advocacia permite-nos mudar o mundo, nem que seja pessoa a pessoa". "Durante muitos anos fui absolutamente contra as cotas porque achava um despautério. Como se a sociedade fosse baseada no mérito. Deveria ser, mas é completa treta. E vendem-nos isto como se fosse verdade" desabafa Fernanda de Almeida Pinheiro no último episódio da temporada de Geração 60, de Conceição Lino.See omnystudio.com/listener for privacy information.
    --------  
    48:20
  • Miguel Monjardino: “Fomos muito educados à mesa, havia muita conversa, não havia telemóveis, não havia televisão. Só tive televisão aos 14 anos, pertenci a uma sociedade que se educava através dos livros e da palavra escrita”
    Nasceu em 1962 nos Açores, recorda a infância passada numa ilha. Cresceu rodeado de livros e conversas profundas, e foi marcado pela influência distinta dos pais, uma mãe mais artística e um pai ligado às ciências sociais. Desde cedo, aprendeu o valor da palavra, da leitura e da curiosidade, elementos que moldaram o seu percurso intelectual. As refeições em família, regadas com discussões em francês e sem distrações tecnológicas, foram verdadeiras aulas de formação cívica e cultural. A infância e adolescência em Angra do Heroísmo, apesar da insularidade, nunca foram limitadoras. Pelo contrário, o contacto com os Estados Unidos e a influência cultural da Base das Lajes despertaram-lhe uma visão mais cosmopolita do mundo. A experiência nos EUA aos 16 anos foi transformadora e solidificou a sua vontade de estudar e viver no estrangeiro. Lisboa, quando chegou, pareceu-lhe cinzenta e fechada, um contraste abrupto com aquilo a que já tinha acesso fora de Portugal. Percorreu universidades em Inglaterra e nos Estados Unidos antes de regressar à sua ilha. Foi jornalista, analista político e académico, sempre guiado pela convicção de que só é possível interpretar o presente com um profundo conhecimento do passado. Essa visão está na base da “República das Letras”, um programa que criou para ensinar jovens a pensar criticamente, combinando caminhadas físicas na natureza com leituras dos clássicos gregos. Crítico da superficialidade da cultura digital e da desvalorização das humanidades, defende que a História, a Literatura e a Filosofia são essenciais para formar cidadãos informados e capazes de reagir aos desafios do mundo atual. Com uma visão clara das transições históricas em curso, alerta para o risco da desordem, do populismo e da erosão institucional, mas acredita que o sistema democrático ainda tem energia para se reinventar. Apesar de ver um futuro turbulento, mantém uma nota de otimismo: acredita no poder da educação, da memória histórica e da renovação geracional para enfrentar os tempos difíceis. Aponta como essencial o diálogo entre gerações e a escuta atenta das comunidades fora dos centros urbanos. É na conjugação entre conhecimento clássico, experiência vivida e ação política informada que poderá surgir uma nova ordem mais justa e resiliente, conta Miguel Monjardino a Conceição Lino, neste episódio do podcast Geração 60.See omnystudio.com/listener for privacy information.
    --------  
    50:01
  • Nini Andrade Silva: “É uma honra Portugal ter-me convidado para escolher tudo o que vamos levar para a semana do Design de Paris. Faz-me pensar que comecei há 40 anos quando o design ainda não era nada e agora estamos a dar a volta ao mundo”
    Nasceu em julho de 1962, no Funchal, Madeira. Desde criança que queria trabalhar no mundo e via no mar, à volta da ilha, uma imensa liberdade. A família sempre acreditou nela, mesmo quando se revelou uma aluna mais interessada em sonhar e criar do que em decorar as matérias. Depois do curso de Design no IADE de Lisboa mudou-se para Nova York para continuar a estudar e trabalhar. Passou ainda por, Londres, Paris, África do Sul e Dinamarca. Foi no design de interiores que se tornou um dos nomes incontornáveis entre os melhores designers do mundo. Hotéis, casas privadas, joias, mobiliário e equipamentos em diferentes continentes, tem uma marca e estilo próprio que recebeu o nome de “minimalista” e que lhe trouxe prémios nacionais e internacionais ao longo de mais de 35 anos de carreira. Nini Andrade Silva é a convidada do novo episódio do Geração 60, conduzido por Conceição Lino.See omnystudio.com/listener for privacy information.
    --------  
    49:13
  • Arlindo Oliveira: "O primeiro computador a que tive acesso no secundário e que me viciou era o Spectrum, umas máquinas ridículas pelos padrões de hoje. Quando se desligavam e tornavam a ligar não tinham nada. Não havia ficheiros guardados"
    Nasceu a 4 de junho de 1963 em Gaja, em Angola, onde viveu até aos dois anos, altura em que os pais regressaram a Portugal. Foi no Montijo que passou a infância até aos 11 anos, altura em que a família fez mais uma mudança para África. Desta vez, o destino foi Moçambique. Viveu lá um ano, a seguir à Revolução de 1974. Desde cedo, mais interessado nas ciências do que nas humanidades. Tirou o curso de engenharia no Instituto Superior Técnico em Lisboa, numa altura em que os computadores eram considerados objetos da ficção científica. Foram os computadores que o levaram aos Estados Unidos para fazer um doutoramento na Universidade de Berkeley, na Califórnia. Tornou-se um português reconhecido internacionalmente na área da inteligência artificial. Não sabe o que ela irá trazer no futuro, mas tem a certeza de que só vai servir bem à humanidade se for gerida com valores éticos, culturais e filosóficos. Arlindo Oliveira, professor do Instituto Superior Técnico e investigador no Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, é o convidado do novo episódio do Geração 80. Ouça aqui.See omnystudio.com/listener for privacy information.
    --------  
    45:36
  • Álvaro Covões: "A minha geração foi a que mais valorizou a democracia, porque acabou por conhecer os dois lados da moeda, uma ditadura de direita e uma de esquerda. Temos uma abertura de espírito como as novas gerações não têm"
    Nasceu em março de 1963, em Lisboa. Cresceu numa família que é proprietária do emblemático Coliseu dos Recreios, há mais de um século, e desde criança que começou a ter contacto com o mundo do espetáculo. Foi no Coliseu dos Recreios que começou a trabalhar ainda na adolescência. Os pais queriam que seguisse medicina, mas foi no curso de Gestão que conheceu o mundo financeiro. Aos 22 anos organizou o primeiro espetáculo. “O Fado de Amália” foi o início de um percurso de festivais que colocaram Portugal na rota de artistas com um sucesso planetário. O “NOS Alive” é o maior dos festivais que já organizou nos últimos 30 anos. Crítico da política cultural do país, o promotor de espetáculos e fundador da empresa Everything is New, Álvaro Covões é o convidado do novo episódio do Geração 60See omnystudio.com/listener for privacy information.
    --------  
    49:15

Mais podcasts de Sociedade e cultura

Sobre Geração 60

Nasceram na ditadura, cresceram na democracia e saborearam a liberdade. Tiveram possibilidades que os pais e os avós não conheceram. Assistiram a mudanças sociais mais justas, a grandes inovações e ao arranque da transformação tecnológica. Perante os desafios do mundo atual, o que têm a dizer os que acreditaram no progresso e na conquista de direitos? Depois da Geração 70, com Bernardo Ferrão, da Geração 80 com Francisco Pedro Balsemão, e da Geração 90, com Júlia Palha, chega em 2025 a Geração 60, o podcast em que Conceição Lino conversa com quem nasceu numa altura em que o único ecrã era o da televisão a preto e branco. Geração 60 tem o apoio da KPMG.
Sítio Web de podcast

Ouve Geração 60, 1983: Portugal à Queima-Roupa e muitos outros podcasts de todo o mundo com a aplicação radio.pt

Obtenha a aplicação gratuita radio.pt

  • Guardar rádios e podcasts favoritos
  • Transmissão via Wi-Fi ou Bluetooth
  • Carplay & Android Audo compatìvel
  • E ainda mais funções
Aplicações
Social
v7.23.3 | © 2007-2025 radio.de GmbH
Generated: 8/29/2025 - 4:34:24 PM