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Ilustríssima Conversa

Folha de S.Paulo
Ilustríssima Conversa
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  • Ilustríssima Conversa

    Renato Meirelles: Mulheres pobres adoram Lula, mas só Michelle fala de igual para igual

    05/09/2026 | 50min
    A classe C abarca 107 milhões de pessoas e expressa como nenhum outro grupo as dinâmicas da sociedade brasileira, não só por ser a maioria da população ou por estar no meio da distribuição de renda.
    Renato Meirelles apresenta esse argumento no seu novo livro, que discute as transformações da classe C nos últimos 25 anos e explora, entre outros temas, os seus hábitos de consumo, as suas inclinações políticas e os seus valores sociais.
    Em "Brasil da Maioria", ele diz que o conservadorismo da classe C é real, mas muito mais empático com quem tem que lidar com os reveses do dia a dia e avesso a soluções punitivistas.
    Meirelles, que pesquisa o comportamento das pessoas de baixa renda no Brasil desde o começo dos anos 2000, destaca o pragmatismo político da classe C: a divisão ideológica entre direita e esquerda, ele afirma, é muito menos importante que conseguir encontrar uma creche para os filhos ou ser atendido no posto de saúde.
    Neste episódio, o pesquisador fala sobre como a classe C concebe a sua prosperidade material, explica o que esse grupo espera do Estado e diz que tanto a direita quanto a esquerda têm dificuldades em entender os desejos dessas pessoas.
    Para Meirelles, o mau humor atual de boa parte da classe C com a economia brasileira é mais capturado pelo bolsonarismo que por Lula na campanha eleitoral. Por outro lado, pautas como o fim da escala 6x1, que dialogam com a ideia de empoderamento do trabalhador, e o voto das mulheres, que tendem a rejeitar o radicalismo e são mais sensíveis à qualidade dos serviços públicos, favorecem o campo do presidente.
    Produção e apresentação: Eduardo Sombini
    Edição de som: Jéssica Cruz
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  • Ilustríssima Conversa

    Anita Prestes: Como o anticomunismo deturpou a trajetória de Luiz Carlos Prestes

    22/08/2026 | 56min
    Luiz Carlos Prestes foi acusado de mandonismo, incompetência —incluindo mediocridade como estrategista militar— inabilidade política, agressividade, vaidade, personalismo e dogmatismo, além de agente de Moscou.
    As qualificações são citadas em "Entre Memória e História", o livro mais recente de Anita Prestes, filha do líder comunista e professora aposentada da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).
    A historiadora, que completa 90 anos em novembro, nasceu em uma prisão nazista antes de Olga Benário, a sua mãe, ser assassinada em um campo de concentração e passou a infância no México e a adolescência na URSS.
    Depois de um período de exílio na URSS durante a ditadura militar, Anita passou a pesquisar a trajetória política de Prestes e a história do PCB (Partido Comunista Brasileiro), do qual foi uma das dirigentes.
    Prestes ganhou status de personagem de peso da política nacional muito jovem, nos anos 1920, por ter comandado a coluna que percorreu o interior do país e virou um marco do movimento tenentista. Já a partir da década de 1930, Anita diz, o pai passou a ser perseguido pela adesão ao comunismo e pela filiação ao PCB.
    Para a autora, as representações do líder comunista costumam distorcer os fatos —ou falsificando ou silenciando a trajetória de Prestes, morto em 1990—, algo que atribui à força do anticomunismo no Brasil.
    Neste episódio, a pesquisadora fala sobre alguns episódios controversos da biografia de Prestes, como a participação na Intentona de 1935, e discute as concepções equivocadas do PCB sobre a realidade brasileira.
    Produção e apresentação: Eduardo Sombini
    Edição de som: Jéssica Cruz
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  • Ilustríssima Conversa

    Ronaldo Lemos: IA captura coração, corpo e mente e pode nos emburrecer

    08/08/2026 | 53min
    A inteligência artificial e plataformas de big techs tentam capturar a nossa mente, e tantas pessoas —hipnotizadas pela rolagem infinita e pela montanha-russa emocional criada pelas telas— perdem o controle das próprias vidas.
    No recém-lançado "O Monge, o Iogue e o Faquir", Ronaldo Lemos discute esse cenário a partir da metáfora de uma carruagem desgovernada, em que as suas partes —o corpo, as emoções e a mente— são cooptadas pela tecnologia, o que rompe o equilíbrio necessário para ser bem conduzida.
    Neste episódio, Lemos fala sobre os três arquétipos do título do livro, inspirados em tradições espirituais da China, da Índia e do Ocidente, e aponta caminhos para cultivar o faquir, o monge e o iogue no interior de toda pessoa.
    O autor defende que é preciso resistir à guerra do Vale do Silício contra a introspecção e se opõe às ideologias que prometem, por exemplo, que a IA vai criar um mundo de abundância universal.
    Lemos sustenta que não existem trocas reais entre a IA e os humanos, por mais que as máquinas sejam ótimas ilusionistas e tentem convencer do contrário. Por isso, não ache que uma IA pode ser a sua namorada ou a sua terapeuta. Também não é bom pensar em terceirizar o raciocínio para elas: em vez de virar um super-herói da produtividade, ele diz, é mais provável fritar o cérebro e ficar burro.
    Produção e apresentação: Eduardo Sombini
    Edição de som: Jéssica Cruz
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  • Ilustríssima Conversa

    Dora Kaufman e Giselle Beiguelman: Criatividade brasileira pode reinventar IA

    25/07/2026 | 58min
    A IA vai dizimar o trabalho dos artistas e acabar com a arte? Ou nunca vai ser capaz de substituir os humanos porque as nossas mentes são, supostamente, excepcionais? Para Dora Kaufman e Giselle Beiguelman discutir as relações entre arte e IA nesses termos não faz sentido.
    Em "Tecnologias da Invenção", as autoras se recusam a contrapor pessoas e máquinas. Em vez disso, propõem que uma análise mais sofisticada deve levar em consideração que, há décadas, é impossível separar criatividade humana e tecnologia no terreno da criação artística e que a IA, com uma lógica de funcionamento e vieses próprios, muda os termos desse entrelaçamento.
    O livro traz conversas com artistas e o psicanalista Christian Dunker —os entrevistados falam sobre como usam chatbots e outras aplicações em seu processo criativo—, e as pesquisadoras defendem que a arte com IA não é só uma possibilidade, mas uma realidade atual.
    Kaufman e Beiguelman lembram que as bases de dados usadas para treinar IAs carregam as marcas do colonialismo e que big techs dos Estados Unidos e da China dominam o desenvolvimento da tecnologia. Ao mesmo tempo, indicam que a IA abre espaço para práticas artísticas que contestam essa ordem social e repensam o mundo de hoje.
    Na entrevista, as autoras também destacam o horizonte de precarização do trabalho e o papel do Brasil nesse cenário: o país, afirmam, pode se tornar uma fazenda de data centers ou virar a chave para produzir soluções que impulsionem a nossa diversidade cultural.
    Produção e apresentação: Eduardo Sombini
    Edição de som: Jéssica Cruz
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  • Ilustríssima Conversa

    Djamila Ribeiro: Lugar de fala não se reduz a 'pode não pode'

    11/07/2026 | 49min
    Alguém escreve um comentário em uma rede social e logo recebe a resposta: "Você não tem lugar de fala para isso". Afirmações desse tipo se tornaram comuns nos últimos anos.
    A publicação de "Lugar de Fala", em 2017, é o grande marco desse debate no Brasil, mas a ideia nunca foi proibir que homens ou pessoas brancas e privilegiadas tratassem de outros universos sociais —por exemplo, escrevendo obras de ficção com personagens negros e mulheres.
    É isso que Djamila Ribeiro, autora do livro, defende neste episódio. A obra acaba de voltar às livrarias em uma edição revista e ampliada.
    Para a escritora, coordenadora da coleção Feminismos Plurais e colunista da Folha, a popularização do termo foi acompanhada de muitas interpretações equivocadas, como a que reduz a noção a um debate sobre quem pode e quem não pode se manifestar.
    Na entrevista, Djamila diz que a proposta de lugar de fala é sublinhar as relações de poder que fizeram com que um grupo muito restrito de pessoas pudesse falar e ser ouvido ao longo da história, além de lembrar que outros sujeitos, como intelectuais negras, também produziram um conhecimento que, mesmo indispensável, foi deixado de lado por muito tempo.
    A autora também faz um balanço do retrocesso da agenda de diversidade e inclusão nos últimos anos e explica por que considera que termo "pessoas que menstruam" ofensivo para as mulheres, tema que lhe rendeu acusações de transfobia.
    Produção e apresentação: Eduardo Sombini
    Edição de som: Jéssica Cruz
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