No novo episódio do SommCast, recebemos Tomás Stahringer, enólogo argentino e fundador dos projetos Vinyes Ocults e Consciente Mente Viticultores. Um nome que traduz muito bem essa nova geração do vinho argentino: menos fórmula, menos exagero, mais identidade, mais lugar e mais coragem para fazer diferente. Da caveira nos rótulos à viticultura orgânica e biodinâmica, Tomás traz uma visão própria sobre o que significa produzir vinho hoje, sem romantizar o processo e sem cair no discurso fácil da “não intervenção”.
A conversa passa pela trajetória dele desde os primeiros contatos com vinho na escola agrícola, o início em grandes vinícolas como Trivento e Nieto Senetiner, até a decisão de seguir um caminho mais autoral. Tomás fala sobre baixa intervenção com uma sinceridade rara: para ele, intervir pouco exige conhecer muito. O vinho precisa ter sanidade, precisão e prazer. Também falamos sobre Mendoza, Valle de Uco, Pampa El Cepillo, altitude, Sauvignon Blanc de montanha, Torrontés pelo método Asti, Malbec de maceração carbônica, Cabernet Franc e a busca por vinhos mais frescos, sutis e expressivos.
Mais do que um papo sobre técnica, esse episódio é sobre escolhas. Sobre sair da estrutura segura de grandes vinícolas para construir uma identidade própria. Sobre entender que vinho é agricultura, cultura, memória, mercado, risco e tempo. Tomás mostra que a nova Argentina do vinho não está tentando copiar Bordeaux, Borgonha ou qualquer outro lugar: está tentando entender melhor a si mesma. Um episódio para quem gosta de vinho com história, personalidade e verdade.
Destaques
🍷 A nova geração do vinho argentino
Tomás representa uma Argentina que vai além do Malbec potente, alcoólico e marcado por madeira. Seus projetos mostram um caminho mais fresco, autoral e conectado ao território.
🌱 Baixa intervenção não é ausência de conhecimento
Um dos pontos mais fortes da conversa é quando Tomás afirma que “se você vai intervir pouco, precisa conhecer muito”. Para ele, a não intervenção absoluta não existe.
⛰️ Sauvignon Blanc de montanha
Tomás apresenta um Sauvignon Blanc de Pampa El Cepillo, no Valle de Uco, com baixo álcool, acidez natural e textura de boca. Uma leitura argentina de montanha para uma variedade muitas vezes associada à costa chilena.
💀 A caveira como símbolo de vida, morte e memória
Os rótulos de Vinyes Ocults nasceram de uma experiência marcante no México durante o Día de Muertos, somada à perda de um tio fundamental para o projeto e ao nascimento de seu primeiro filho poucos dias depois.
🍇 Orgânico, biodinâmico e sem discurso pronto
Tomás fala da viticultura orgânica e biodinâmica com entusiasmo, mas também com pé no chão. O cuidado com a terra traz mais vida ao vinhedo e mais expressão à fruta, mas não dispensa precisão técnica.
🇦🇷 Mendoza, Valle de Uco e a diversidade de terroirs
O papo mergulha nas diferenças dentro do Valle de Uco. San Carlos, Tunuyán, Tupungato, Altamira, Los Chacayes e Pampa El Cepillo aparecem como exemplos dessa leitura cada vez mais precisa de microterritórios.
🥂 Torrontés pelo método Asti
Um dos vinhos comentados é um Torrontés elaborado pelo método Asti, com uma única fermentação em tanque e açúcar natural da própria uva. Baixo álcool, frescor, aroma e acidez na medida.
🍒 Malbec sem peso e com muita versatilidade
Tomás defende o Malbec como uma das variedades mais flexíveis do mundo. Pode virar vinho estruturado, clarete, espumante, rosé ou um tinto leve de maceração carbônica.
🇧🇷 O Brasil como mercado em transformação
A conversa também passa pelo olhar de Tomás sobre o consumidor brasileiro: um mercado complexo, cheio de oferta, mas com espaço crescente para vinhos de identidade forte e produtores menores.
⏳ Vinho é tempo, não tendência
Em um mundo acelerado, Tomás lembra que o vinho não funciona na velocidade das trends. A planta exige repetição, observação e safra após safra para que uma ideia amadureça de verdade.