A memória é uma das funções mais discretas — e mais determinantes — da mente humana.
Sem memória não existe aprendizagem, continuidade da prática nem transmissão do conhecimento.
Não seria possível repetir um alinhamento, reconhecer um padrão respiratório ou amadurecer uma atitude interior se aquilo que foi vivido se apagasse a cada instante.
E, no entanto, no Yoga, a memória é também uma das formas mais eficazes de aprisionamento da mente.
Ela transporta o passado para o presente, interpreta a experiência actual à luz do que já foi vivido e leva-nos, muitas vezes, a confundir recordar com ver.
No Yoga Sutra, Patañjali inclui smṛti entre as cinco modificações fundamentais da mente (citta-vṛtti-s).
Esta inclusão não é acidental: a mente não sofre apenas por erro ou imaginação, mas também por repetição — e a repetição é, em larga medida, memória.