28 episódios
- Rui Zink regressa aos livros sete anos depois do último romance, e traz-nos um livro que começa como uma investigação policial e nunca mais para quieto. Em "Olga Salva o Mundo", a inspetora Judite Furriel investiga uma onda de linchamentos que rebentam em Lisboa a partir do nada, um boato, uma multidão, e a convicção de estar do lado certo. Mas o romance não fica por aí. Abre-se para uma história de amor entre imigrantes, para um folhetim de milícias fascistas, para uma parábola de inteligência artificial, sem nunca perder o fio nem o humor que é a marca do autor.
É um livro sobre um mundo que se afasta de si mesmo. Dos multimilionários que cortaram o cordão umbilical com a sociedade à apatia moral que atravessa todos os campos, da esquerda à direita. E, ainda assim, é um livro que termina bem, escrito por um autor que admite vibrar quando o mundo está em cataclismo.
Hoje, no Café Alexandria, falamos com Rui Zink sobre "Olga Salva o Mundo", editado pela Porto Editora.
Os episódios deste podcast terminam com uma recomendação de leitura e começam com um poema. Esta semana Lígia Soares trás-nos o Epílogo da peça “Civilização”, de Lígia Soares.
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Livro: Olga salva o mundo
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Subscreve na Apple Podcasts - Há livros que se leem e livros que se ouvem por dentro. "Outonecer" é dos segundos. Júlio Machado Vaz parte do medo de envelhecer, desse "passo a passo" que sabemos inevitável, e transforma-o, página a página, num hino a todas as estações da vida. Entre memórias de quem já partiu, o amor pelos filhos e netos, os animais que também são família, a amizade, as viagens, a música e o medo dos diagnósticos, o livro não poupa também o presente: a política, o estado do mundo, a sexualidade, a inteligência artificial. Um inventário afetivo escrito em tom confessional, onde a precariedade do outono convive com a urgência de viver todas as estações. Neste episódio do Café Alexandria, conversamos com o autor sobre o que significa envelhecer com lucidez, e continuar, apesar de tudo, capaz de amar.
Os episódios deste podcast terminam com uma recomendação de leitura e começam com um poema. Esta semana Miguel Seabra traz-nos “Poeta castrado, não!”, de José Carlos Ary dos Santos.
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Livro: Outonecer
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Subscreve na Apple Podcasts - Em 2009, Isabela Figueiredo publicou um livro que muitos preferiam que não existisse. "Caderno de Memórias Coloniais" nasceu de um blog onde a autora foi, aos poucos, interrompendo o silêncio confortável em que Portugal guardava a sua memória colonial, com a voz de uma menina que cresceu em Moçambique e que, ao escrever, escolheu trair o pai para que outros pudessem levantar a cabeça. Dezassete anos depois, esse texto regressa numa novela gráfica ilustrada por Júlia Barata, uma autora que também viveu em Moçambique e que traz ao livro um estilo visual expressivo e uma relação pessoal com aquele território. Juntas, criaram uma obra que traduz em imagem a crueza de um texto que nunca pediu permissão para existir. É sobre esse percurso que hoje falámos com Isabela Figueiredo.
Os episódios deste podcast terminam com uma recomendação de leitura e começam com um poema. Esta semana Sónia Baptista traz-nos “Menos olhos que barriga”, de Sónia Baptista.
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Livro: Caderno de Memórias Coloniais
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Subscreve na Apple Podcasts - Patrícia Portela é escritora, artista, cronista, e uma das vozes mais difíceis de catalogar da literatura portuguesa contemporânea. Estudou cenografia, filosofia, cinema e dramaturgia em Lisb-oa, Utrecht, Londres, Ebeltoft e Leuven. Viveu duas décadas em Antuérpia. Dirigiu o Teatro Viriato durante a pandemia. Escreveu romances, instalações, performances, crónicas. Ganhou prémios. Cruzou fronteiras - de forma, de género, de território - com uma consistência que parece, ela própria, um projeto.
O seu novo livro chama-se Hoje, 3 de Maio. Parte de um quadro de Goya. os Fuzilamentos de 3 de Maio de 1808, e transforma-o em 400 páginas de romance. Um retrato de quem fuzila e de quem é fuzilado, numa Europa que o livro descreve como ainda presa num tempo de guerra. É ficção histórica, é romance político, é meditação sobre a distância - a distância a que assistimos ao horror e o chamamos notícia.
Os episódios deste podcast terminam com uma recomendação de leitura e começam com um poema. Esta semana Keli Freitas trás-nos um excerto do livro “Dia sim dia não fazer chantagem”, de Maria Isabel Iorio.
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Livro: Hoje, 3 de maio
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Subscreve na Apple Podcasts - Há livros que chegam devagar. Que não precisam de gritar para nos instalar um desconforto suave, uma pergunta que não sabíamos que tínhamos. Morte Aparente, o romance de estreia de Carolina Fulcher, é um desses livros.
A história começa com um homem sozinho, em casa, a assistir a funerais de estranhos em streaming. Não é macabro — é, estranhamente, reconhecível. Porque todos já procurámos, nalguma despedida alheia, um reflexo do que não conseguimos nomear em nós próprios.
Carolina Fulcher nasceu em Lisboa, cresceu entre culturas, trabalhou em marcas de luxo em Londres e São Paulo, e regressou a Portugal para se dedicar à comunicação cultural. Foi aqui, nesse regresso, que a escrita a encontrou — ou ela encontrou a escrita. Morte Aparente é o resultado dessa descoberta: um romance breve, denso, construído com uma contenção que diz mais do que muitas páginas conseguiriam.
Hoje, no Café Alexandria, sentámo-nos com ela para perceber de onde vem esta história, o que é afinal uma morte aparente, e o que significa estrear-se na ficção com uma voz tão segura do silêncio que quer habitar.
Os episódios deste podcast terminam com uma recomendação de leitura e começam com um poema. Esta semana Diego Bragà trás-nos um excerto do livro “Água Viva”, de Clarice Lispector.
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Livro: Morte Aparente
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Sobre Café Alexandria
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