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Intempérie

Elagabal Aurelius Keiser e Soraia Simões de Andrade
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10 episódios

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    EP8 - A produtividade não passa de alucinação colectiva

    23/04/2026 | 1h 10min
    A produtividade não passa de alucinação colectiva - elegância para desenganados, sem termos que fazer coisa alguma.


    Albert Cossery passou a vida a evidenciar que o trabalho instaura o erro conceptual, enquanto Franco Berardi e outros filósofos dedicam hoje livros inteiros à mesma conclusão, mas cheios de ansiedade e cansaço. Além disso, revelamos que apenas existem mais ou menos cinco livros por século que mereçam ser lidos, o que são péssimas notícias para quem acabou de encher as estantes.
    Em Cossery os mendicantes contemplativos são mais emancipados do que os CEOs, algo mui incómodo para quem passa a vida no LinkedIn. Conclusão: a solução passará sempre por não fazer nada… mas em elocução literária irrepreensível.

    Bibliografia:
    Herman Melville - "Bartleby, the Scrivener: A Story of Wall Street"
    Jack Halberstam – “The Queer Art of Failure”
    Bifo Berardi – “The Uprising: On Poetry and Finance.”
    Albert Cossery - “Œuvres complètes”
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    EP 7 - A profissão de crítico ou a técnica do adormecimento

    26/02/2026 | 1h 22min
    EP 7 - A profissão de crítico ou a técnica do adormecimento: manual de doxa e boas maneiras para nunca arriscar nada

    A crítica de arte é a gestão da revolta, profissão neoliberal que transforma a urgência política em texto sofisticado, o conflito em sopa de termos gourmet do dicionário Word, enquanto atira o risco para as notas de rodapé, até que, por fim, a arte se transforma em tópica de dissenso inofensivo. O crítico passeia na galeria de arte, na feira, no centro cultural, como quem entra num spa de massagens ideológicas: sai de lá bem informado, com a coluna mui distendida e de moral reconfortada. Nada o pode ameaçar, torna-se por isso destemido, por mais que corte a eito o inimigo não deita sangue, nem geme: eis o especialista nessa arte marcial de bater em defuntos. Tudo se apresenta com aparência “problemática”, “complexa”, “necessária” — vocábulos que não causam pruridos. A crítica deixou o julgamento porque julgar faz perder o juízo; mas não permite o silêncio porque tagarelar é o seu modo de subsistência. No fim de tanta bavardage, cumpre plenamente a sua histórica função: garantir que nada falhe na assimilação ao mundo que finge contestar.

    Co-criação: Elagabal Aurelius Keiser e Soraia Simões de Andrade
    Produção: associação Mural Sonoro
    Indicativo: Xana
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    EP 6 - Da morte ontológica da arte ao Karaoke Bar nos escombros

    28/01/2026 | 1h 27min
    A “morte da arte” não implica que os ditos “artistas” venham a cessar a sua actividade industrial, essa produção de insólitas mercadorias para decoração dos apartamentos vazios e alvíssimos de Manhattan, e dos salões também brancos das galerias, ou performances e eventos para animar a black box do centro cultural da esquina. Todavia, a arte perdeu o seu lugar de privilégio: pouco revela sobre a verdade (Hegel), não orienta as alminhas deste purgatório para o além ideal (Platão), já não progride segundo narrativa temporal provida de τέλος (Danto) e deixou de conseguir ser ponto de fuga ao mercado, à alienação e ao circuito controlado e totalitário das imagens (Baudrillard). Tentaremos aqui também esboçar os prolegómenos a toda a ilusão contemporânea e futura: a fé supersticiosa de que ainda podemos ser “artistas”, quando a realidade é apenas de gestão burocrática das visibilidades e dos regimes de escuta.

    Bibliografia
    Hegel - Lições sobre a Estética
    Adorno - Teoria Estética
    Arthur C. Danto - Depois da morte da arte
    Jean Baudrillard - A Conspiração da Arte
    Foucault - A Hermenêutica do Sujeito
    Boris Groys - O poder da Arte
    Rosi Braidotti - O conhecimento Pós-humano
    Yuk Hui - Sobre a existência de objectos digitais
    Jerrold Levinson - Reagir com emoção à arte
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    EP 5 - Da contemplação ao olhar apressado - a morte da atenção no capitalismo mediático

    20/10/2025 | 1h 33min
    Vivemos tempos inquietantes em que a distração passou a ser dever cívico, e a atenção recurso natural escasso. O neoliberalismo já não necessita de grandes fogueiras para queimar livros incómodos ou obras de arte inconvenientes, basta-lhe incinerar o olhar de quem lhes poderia dar atenção. Entre tictocts, vídeos, e posts, vendemos a alma a pequenas prestações de foco, mesmerizados pela alucinação interactiva que configura nova forma de trabalho incessante, para animar as redes tecno-feudais. São os tempos da plataformização totalitária da vida, em que o capitalismo colonizou o tempo “livre”, e neste surge outra morte da arte, diluída em excesso de likes do olhar utilitário ou curioso, mas superficial. Demorar numa obra pode ser hoje novo acto de rebelião.

    Bibliografia:

    Walter Benjamin - A Obra de Arte na Era da Sua Reprodutibilidade Técnica

    Jakub Marek - The Impatient Gaze: On the Phenomenon of Scrolling in the Age of Boredom

    Bernard Stiegler - La société automatique

    Franco Berardi - The Soul at Work e Futurabilidade

    McKenzie Wark - Raving

    Conversas anartísticas e profundamente comprometidas com os estados dos espíritos

    ou

    Um espaço de crítica livre sobre os infortúnios da história cultural e das artes com Elagabal Aurelius Keiser e Soraia Simões de Andrade com indicativo sonoro de Xana (Imagem do podcast sob Agathos Daimon, pintura de Elagabal Aurelius Keiser).

    Para quem nos quiser continuar a enviar eventuais perguntas, comentários ou sugestões:

    [email protected]
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    EP 4 - Política da Arte em vez de Arte política: outro dos aspectos da morte da arte

    26/08/2025 | 1h 2min
    Inspirados pela “Carta a D’Alembert sobre os espectáculos” de Rousseau, tentamos explorar outro vector da morte da Arte, a sua instrumentalização enquanto parte da política de entretenimento que nos quer passivos a salivar perante o espectáculo da liberdade, da democracia e da suposta abundância. Método ancestral de nos reduzir à função de focas amestradas que batem palmas ou assinam em cruz um cheque em branco às elites políticas.

    Conversas anartísticas e profundamente comprometidas com os estados dos espíritos
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    Um espaço de crítica livre sobre os infortúnios da história cultural e das artes com Elagabal Aurelius Keiser e Soraia Simões de Andrade com indicativo sonoro de Xana (Imagem do podcast sob Agathos Daimon, pintura de Elagabal Aurelius Keiser).
    Para quem nos quiser continuar a enviar eventuais perguntas, comentários ou sugestões:
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Sobre Intempérie
INTEMPÉRIE Conversas anartísticas e profundamente comprometidas com os estados dos espíritos ou Um espaço de crítica livre sobre os infortúnios da história cultural e das artes com Elagabal Aurelius Keiser e Soraia Simões de Andrade Indicativo podcast Voz: Xana mistura indicativo: Gonçalo Zagalo Pereira Imagem do podcast sob Agathos Daimon, pintura de Elagabal Aurelius Keiser Para eventuais perguntas, comentários ou sugestões: [email protected]
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