Não é muito comum um jovem escritor português publicar primeiro no Brasil e só depois em Portugal, mas foi precisamente o que aconteceu a João Guilhoto, cujos livros "Os Inúteis" e " O Livro das Aproximações" chegaram recentemente às livrarias portuguesas pelas mãos da Nós Editora.
E aqui não há caminhos fáceis, porque se "O Livro das Aproximações" nos propõe a leitura de fragmentos em que se pensa sobre como "escrever é uma forma de dar por garantida a loucura sem enlouquecer" ou como "cada viagem é uma forma de pensar a morte", "Os Inúteis apresenta-nos um conjunto de contos que eu encaixaria na categoria da literatura estranha. São histórias breves, incómodas e marcantes, em que conhecemos a mulher cujo objetivo de vida é não fazer nada, o homem que, perante a guerra, redescobre algum sentido na vida e o homem que decide homenagear o seu cão morto de uma forma bastante peculiar.
Conhecidas as personagens e pensamentos tão sui generis, nesta conversa é a vez de saber mais sobre quem as criou e de perceber o que move um jovem português que vive na Alemanha a escrever literatura para um nicho muito específico de leitores.