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A Vida não é o que Aparece

Inês Duarte Freitas/PÚBLICO
A Vida não é o que Aparece
Último episódio

9 episódios

  • A Vida não é o que Aparece

    Pedro Chagas Freitas: “Nada comove mais do que alguém querer salvar o nosso filho”

    17/03/2026 | 51min
    Pedro Chagas Freitas nasceu em Guimarães, mas o seu interesse pela escrita floresceu em Lisboa, onde estudou Linguística. Foi jornalista, até descobrir a escrita criativa. Hoje é um dos autores mais lidos em Portugal. Depois dos bestsellers A Raridade das Coisas Banais e Prometo Falhar, está quase chegar aos 40 livros. O mais recente romance, O Hospital de Alfaces, resulta do tempo que viveu na unidade de transplantados com o filho Benjamin que sobreviveu também graças a um apelo nas redes sociais. No Instagram, tem 427 mil seguidores e, no Facebook, ultrapassa o meio milhão.
    Recusa o título de escritor e prefere dizer que é alguém que escreve livros. “Quis tirar esse acto sagrado da escrita. Não é nada sagrado, é algo que todos nós sabemos fazer. Todos escrevemos, apesar de só alguns escreverem livros”, defende o autor, que escreve diariamente reflexões nas redes sociais. “O Saramago tinha uma expressão maravilhosa onde dizia que queria colonizar o outro. E eu não quero colonizar. Julgo que quando escrevo sobre a actualidade é para fazer o outro olhar para ela”, explica.
    Foi num dessas reflexões que desabafou sobre a doença do filho, Benjamim, que precisava de um transplante de fígado para sobreviver, apelando a possíveis dadores. “Foram um pai e uma mãe desesperados que tornaram a situação pública. A partir daí, foi uma onda de amor inacreditável e ficou quase uma dívida aos milhares de pessoas que se disponibilizaram a dar uma parte do seu corpo para salvar o meu filho. Nada comove mais do que alguém querer salvar o nosso filho”.
    “Mas nunca me senti tão nulo e tão 'desimportante' como ali. Nada estava nas minhas mãos”, lamenta no oitavo episódio do podcast A Vida Não é o Que Aparece, onde fala sobre a experiência de quase viver num hospital. “O adulto tem de ser o palhaço de serviço. É um exercício antilógico porque estamos todos partidos e temos de fazer rir uma criança”, testemunha.
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    Inês Mendes da Silva. "Às vezes penso que ser influenciador é uma profissão de alto risco"

    10/03/2026 | 52min
    Inês Mendes da Silva descobriu o poder da comunicação, muito antes de surgir o termo marketing de influência. Passou por várias agências de comunicação, onde percebeu que era urgente as figuras públicas terem também uma pegada digital — aliás, ela própria tem 128 mil seguidores no Instagram. Fundou a Notable, onde é agente de figuras como Cristina Ferreira, Rita Pereira ou João Baião, e é às redes sociais que tem dedicado grande da sua carreira.
    “Quando entramos nas redes sociais, as redes sociais nem tinham um manual, nem uma promessa de futuro”, recorda a CEO da consultora de comunicação de Lisboa, explicando como foi quase revolucionária a ideia de se conhecer as celebridades sem o intermediário da imprensa ou da televisão. “As pessoas iam ter acesso à Cristina Ferreira sem a barreira da televisão. É quase como se estivesse a falar directamente para o público”, declara a relações públicas no sétimo episódio do podcast A Vida Não é o Que Aparece.
    Num ecossistema onde a influência digital molda comportamentos, carreiras e discursos públicos, Inês Mendes da Silva explica como o marketing de influência, os criadores de conteúdo e os novos profissionais de social media alteraram para sempre a relação entre marcas e audiências. As redes sociais deixaram de ser apenas espaços pessoais: tornaram‑se ferramentas profissionais, plataformas de impacto e verdadeiros motores de reputação. Este episódio revela como se constrói autoridade, credibilidade e presença online num mercado em rápida expansão — e porque é que a autenticidade continua a ser o maior diferencial no universo dos influencers e das figuras públicas.
    É quase instintiva essa curiosidade, analisa: “Nós, seres humanos, gostamos de ver mais da intimidade dos outros”. Mas neste jogo entre intimidade e exposição, as redes sociais fizeram nascer milhares de influenciadores e, juntos deles, um conjunto de profissões novas, desde criadores de conteúdo a gestores de páginas — o banco de investimentos Goldman Sachs estima que o marketing de influência vá crescer até 500 mil milhões de dólares em 2027 (perto de 430 mil milhões de euros). “Nós temos pessoas na Notable que têm um milhão de seguidores. Têm uma responsabilidade enorme sobre o que dizem e o que fazem”.
    Com essa responsabilidade vem o dever de ser “voz activa”, defende, apesar de confessar que o ódio que circula no feed pode ser uma autocensura para estas personalidades. “As pessoas dizem o que querem e o que lhes apetece. A empatia parece mais inexistente. Às vezes penso que isto é uma profissão de alto risco”, lamenta.
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  • A Vida não é o que Aparece

    Madalena Sá Fernandes: “Há uma necessidade de que toda a gente seja influencer na sua área... é desgastante”

    03/03/2026 | 45min
    Madalena Sá Fernandes nasceu em Lisboa em 1993. Estudou literatura, teve uma agência de redes sociais e chegou a ser uma das it girls mais conhecidas de Portugal. Mantém mais de 224 mil seguidores só no Instagram, mas enveredou por outra forma de influência, quando se começou a dedicar à escrita. Em 2020, tornou-se cronista do PÚBLICO, onde escreve sobre a espuma dos dias. Na literatura é autora de Leme e Deriva.
    Antes de publicar o primeiro livro, em 2023, a escritora apagou todas as publicações da sua página de Instagram, onde partilhava não só pequenos textos, como também momentos da vida ou a jornada da maternidade. Tomou a decisão de começar com uma página em branco por achar que “literatura e redes sociais são aparentemente incompatíveis” ou mundos quase opostos. “As redes são a antítese de tudo o que a leitura representa: a pausa e o tempo que a leitura exige”, defende em entrevista no podcast A Vida Não é o Que Aparece.
    As redes sociais, preocupa-se, beneficiam com a “dispersão da nossa atenção”, mas também acredita que nos transformam a todos em vendedores, apesar de reconhecer a sua importância na promoção dos livros. “Há uma necessidade de que toda a gente seja influencer da sua área… isto tem um lado desgastante”, declara, comparando: “Temos de estar todos na praça a impingir os nossos serviços. Todas as áreas são transformadas na noção do produto e da competitividade”.
    Como consequência, “somos todos Narcisos” nas redes sociais, critica, falando da comparação que há com ideais de vida inatingíveis. “Os telemóveis são os nossos próprios lagos de Narciso”.
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    Pedro Carvalho: "Foi muito difícil darem-me um personagem brasileiro"

    24/02/2026 | 55min
    Pedro Carvalho cresceu no Fundão com os pais e os dois irmãos. Já em Lisboa, estudou Arquitectura e representação ao mesmo tempo. Tornou-se conhecido do grande público na série juvenil Morangos com Açúcar e, desde então, é presença assídua na televisão. Em 2016, com Escrava Mãe, estreou-se no Brasil, dividindo-se entre os dois países e os dois sotaques do português. Recentemente, o actor descobriu uma nova faceta enquanto produtor, também tem um hotel em Lisboa e até já fez uma exposição de pintura em nome próprio. No meio de tudo isto, ainda arranja tempo para actualizar diariamente os 1,6 milhões de seguidores no Instagram.
    Mas só o faz porque é parte inerente do que é hoje ser actor, confessa ao PÚBLICO no podcast A Vida Não É o Que Aparece. “Se não fosse actor e artista, nem teria redes sociais. Sou aquela pessoa que gosta de viajar e observar e não fotografar. Prefiro contemplar”, diz, explicando que, talvez por isso, nunca sentiu “necessidade de expor” a sua vida pessoal. “Não sou esse tipo de pessoa que tem uma comunicação tão orgânica. Tem a ver minha personalidade. Sou mais reservado, sou mais tímido”, analisa.
    E preocupa-se com “a imagem perfeita” que as redes sociais nos vendem. “A pessoa tira uma fotografia e a seguir o sorriso esvanece. A rede social é isto. Mostramos aquilo que queremos mostrar”, lamenta. Na sua página, fala quase sempre sobre os trabalhos que vai fazendo no cinema e na televisão, sobretudo no Brasil, onde tem vindo a construir carreira na última década.
    Primeiro, “só fazia os portugueses” nas novelas, mas decidiu vencer essa limitação e adoptar o sotaque de português do Brasil com ajuda de um terapeuta da fala. “Foi muito difícil darem-me um personagem brasileiro. Não acreditavam que conseguisse fazer”, recorda. Hoje, vai saltando entre sotaque quando lhe convém, levantando até algumas críticas por parte dos seguidores portugueses. “Dizem-me ‘ele renunciou a pátria’ ou ‘ele já não sabe falar’. Não entendem que isto é uma página de trabalho”, defende no quarto episódio de A Vida Não É o Que Aparece.
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    Matilde Breyner e a perda gestacional: “Houve muitas vezes em que me senti sozinha”

    17/02/2026 | 46min
    Matilde Breyner nasceu em Lisboa em 1984 e estreou-se na televisão precisamente 20 anos depois, na série Morangos com Açúcar. Desde então, é presença habitual em novelas e séries da televisão portuguesa, mas também no teatro. Fora do palco ou dos ecrãs, a actriz tem uma presença carismática (e cómica) nas redes sociais, do Instagram, onde tem 201 mil seguidores, ao TikTok, com uma audiência de 137 mil pessoas.
    Faz questão de dizer que é mãe de duas filhas, apesar de só uma delas ter sobrevivido. “Acho que todas as perdas são válidas, mas um bebé que está connosco seis meses, está quase a nascer… Estamos a entrar no terceiro trimestre, já se sentem os pontapés. É perder um filho. Já era mãe daquela criança”, partilha quando fala sobre a perda gestacional, que diz ser “um momento de solidão”, apesar de ter sido apoiada não só pelo marido, como pela família e amigos, mas também nas redes sociais. “Percebi que podia ajudar muita gente através da minha partilha e usar a minha visibilidade e alcance da maneira certa”, conta a actriz.
    De resto, é isso que tenta fazer nas redes sociais, onde decidiu que, em 2026, vai mostrar menos da sua vida privada. “Vou fazer mais conteúdos para divertir as pessoas porque nos precisamos de rir”, defende, confessando-se incomodada com a exposição, sobretudo das crianças e adolescentes. “Não lido bem com isso. Já tentei abrir um bocadinho mais e voltei atrás. Como, por exemplo, mostrar a cara da minha filha. Cheguei a mostrar no início, mas já não o faço”.
    Focada em fazer rir, não tem receio de se encaixar na categoria da actriz cómica (que mostra nos vídeos de lip-sync que se tornam virais), mas lamenta a falta de oportunidades que há em Portugal nessa área. “Se tivesse nascido nos EUA, com o número de seguidores que tenho, já tinha sido chamada para fazer um casting para uma grande produção”, lamenta. Mas sublinha também que o alcance das redes sociais não é sinónimo de talento. “Passei por agora por uma coisa há pouco tempo em que tenho a certeza absoluta de que não fui escolhida porque a outra pessoa tinha mais seguidores”, testemunha em conversa com o PÚBLICO no terceiro episódio do podcast A Vida Não é o Que Aparece.
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Entrevistas sobre a vida que vemos e mostramos nas redes sociais, com Inês Duarte de Freitas.
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