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A Vida não é o que Aparece

Inês Duarte Freitas/PÚBLICO
A Vida não é o que Aparece
Último episódio

16 episódios

  • A Vida não é o que Aparece

    Filipa Gomes: “Pus-me no papel da mãe que tudo pode. Mas não somos capazes durante muito tempo”

    05/05/2026 | 55min
    Filipa Gomes cresceu no campo, como a própria diz, entre vacas e couves. Sempre adorou comer, mas só começou a cozinhar muito mais tarde. Quis ser designer de moda e acabou se tornar publicitária. Isto até ao dia em que participou num casting do 24Kitchen e se tornou apresentadora do Prato do Dia. Seguiram-se Cozinha com Twist e Os Cadernos da Filipa, transformados também em livros de receitas. Hoje é um dos rostos mais conhecidos da culinária portuguesa e também ensina a cozinhar os seus mais de 525 mil seguidores.
    Foi há mais de uma década que Filipa Gomes apareceu no ecrã e a sua imagem, bem como o tom coloquial que utilizava nos programas, surpreenderam os mais conservadores do meio da cozinha – nunca se intitulou chef e ainda hoje prefere ser chamada de cozinheira e criadora de conteúdos. “Por que é que tens as unhas pintadas? Por que é que estás de batom? Por que é que estás assim vestida? Por que é que estás tão arranjada?”, reproduz, falando de algumas críticas que ouvia, muitas vezes sobre o seu corpo.
    O seu corpo ainda continua a ser tema nas caixas de comentários, até nos vídeos de receitas, onde os seguidores sentem “legitimidade” para falar da sua forma física, diz. “É um tema muito delicado para mim. É pública a minha luta constante com o peso, com as minhas medidas, o ser gorda ou não…”, desabafa no podcast A Vida Não É o Que Aparece, onde garante que nunca deixou que as inseguranças se reflectissem no trabalho, apesar de pesarem na saúde mental.
    Foi sempre essa a sua prioridade: dar o melhor no trabalho. “Tinha muita urgência em não deixar cair os pratos todos que tinha posto no ar. Mais o peso de querer ser a mãe perfeita. Queria que tudo fosse perfeito e isso passou uma factura muito grande a nível psicológico”, conta, falando de um burnout por que passou recentemente. “Pareço sempre esta pessoa superalegre e superentusiasmada, mas tenho uma tendência para a melancolia e para a tristeza”, confessa, deixando uma mensagem : “Pus-me muito nesse papel da mãe que tudo pode. Não é preciso”.
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  • A Vida não é o que Aparece

    António Raminhos: “Tenho piadas superagressivas que nasceram em tempo de tensão”

    28/04/2026 | 59min
    António Raminhos foi jornalista de Desporto n’A Capital, mas há já 20 anos percebeu que, se calhar, este ofício era demasiado sério para si. Estreou-se na comédia stand-up em 2006 e nunca mais parou. Na televisão foi um dos rostos do 5 para a Meia-Noite, na RTP, e nos palcos já fez espectáculos como As Marias sobre a sua dinâmica familiar ou mais recentemente Volto Já sobre o seu medo de morrer. É ainda autor do podcast Somos Todos Malucos e, só no Instagram, tem mais de um milhão de seguidores.
    Foi com o humor sobre a parentalidade que Raminhos (como prefere que o chamem) se tornou conhecido dos portugueses. Fazia vídeos com as duas filhas mais velhas que colocava no YouTube, onde atingiam os milhares de visualizações, numa altura em que “não sabíamos tanto” sobre os perigos da exposição das crianças. “Quando comecei a ter mais noção de o que são as redes sociais, comecei a pensar muitas vezes que tinham ficado traumatizadas. Por outro lado, sei que não aconteceu porque elas gostam de ver os vídeos”, analisa o humorista, em entrevista no podcast A Vida Não É o Que Aparece.
    Apesar de já não partilhar tanto a rotina familiar, ainda mantém o humor como uma ferramenta de parentalidade. “É simplesmente uma maneira de relativizar e tirar algum peso a momentos que são deveras difíceis”, defende, explicando como vai educando as três filhas para os perigos das redes sociais. “Faço questão de lhes mostrar as mensagens agressivas que me mandam para entenderem que os amigos reais fazem muito mais sentido do que os virtuais. Há muita gente que está atrás do teclado e utiliza essa camuflagem para deitar cá para fora coisas que deviam ser feitas em terapia”, lamenta.
    Ainda assim, nunca bloqueou ninguém no Instagram, nem pretende fazê-lo, apesar de receber comentários de ódio diariamente até sobre a sua saúde mental — sofre de perturbação obsessivo-compulsiva e fala sobre o tema não só nas redes sociais, como nos seus espectáculos. “Disseram-me: ‘Este gajo como não tinha graça nenhuma agora diz que tem problemas de saúde mental para ver se ganha dinheiro’”, exemplifica.
    No humor não há temas “seguros”, nem temas proibidos, diz, considerando “o limite acaba por ser se tem piada ou não”. E declara: “O humor depende muito mais de quem o recebe do que de quem o faz”. Independentemente do conteúdo, Raminhos reconhece que o humor é uma estratégia de defesa não só para lidarmos com os nossos fantasmas, mas também com o mundo. “A única maneira de combater a loucura em que o mundo está é relativizar para termos alguma normalidade. Há piadas muito agressivas que nasceram em tempo de tensão.”
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  • A Vida não é o que Aparece

    João Manzarra: “Causa-me tristeza que a experiência da vida seja a olhar para um ecrã”

    21/04/2026 | 49min
    João Manzarra estreou-se na televisão portuguesa há quase 20 anos no Curto Circuito da SIC Radical. Não demorou até chegar a voos mais altos e foi apresentador do concurso de talentos Ídolos na SIC. Seguiram-se programas como A Máscara ou Vale Tudo. Fora do ecrã, quem o quer ver feliz é a escalar uma qualquer montanha pelo mundo e até tem partilhado as viagens com os seus seguidores, descobrindo uma faceta de Youtuber. Tem mais de 20 mil subscritores no canal de viagens e no Instagram são 513 mil seguidores.
    Gosta de viajar pelo mundo sozinho pela “pura liberdade” e “adrenalina” que experiencia nesses momentos. E de preferência prefere fazê-lo sem o telemóvel, sendo especialmente crítico desse pequeno aparelho que diz dominar as nossas vidas. “Acho o estar ao telemóvel uma coisa feia. É uma coisa que a mim não me atrai num ser humano”, declara no podcast A Vida Não é o Que Aparece. “Se vejo alguém à minha volta com um telemóvel há ali qualquer coisa que parece que aquela pessoa se está a afastar do melhor dela, de uma vida melhor que poderia estar a ter naquele momento”.
    Ao mesmo tempo, reconhece que é uma ferramenta de comunicação, que o próprio usa, confessando viver num “paradoxo”. Consciente dos perigos das redes sociais ou dessa utilização permanente daquele dispositivo, prefere moderar a sua utilização, motivo por que não partilha tanto. “Preocupa-me que as redes sociais sejam quase um exclusivo da atenção humana. O mundo passa a ser um ecrã e isso deixa-me triste. Causa-me alguma tristeza perceber que a experiência da vida seja a olhar para um ecrã”, lamenta.
    Até porque as redes sociais estão cheias de ilusões e de “vidas editadas”, um tema para o qual devemos estar conscientes, diz o apresentador. “Nós convivemos com a televisão que também é a mesma coisa. O que muda é o espaço em que as coisas são apresentadas. Agora, nas redes sociais, há muita gente com esse poder de iludir.”
    Assim, tenta levar temas importantes para as redes sociais, como a sustentabilidade e já foi alvo de críticas pela sua postura em prol do ambiente. “Como as minhas intenções eram todas boas realmente sofri um bocadinho quando percebi que estava a criar tanta irritação noutras pessoas”, desabafa em entrevista ao PÚBLICO. “Muitas destas pessoas até olham para as minhas acções e há um lado que admiram, mas, como não conseguem ser assim, acho que isso levanta nelas uma irritação.”
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  • A Vida não é o que Aparece

    Catarina Maia e a perda do pai: “As dores, quando são partilhadas, tornam-se mais leves”

    14/04/2026 | 51min
    Catarina Maia é natural do Porto, mas é em Lisboa que tem feito carreira. Começou ainda adolescente como modelo e venceu o concurso Cabelo Pantene – o Sonho em 2019. Pelo caminho, descobriu outra paixão, além da moda: a comunicação. É apresentadora de televisão na RTP e locutora de rádio na Mega Hits. Pelo meio, ainda actualiza os mais de 290 mil seguidores.
    Na história de Catarina Maia não é uma hipérbole dizer que as redes sociais lhe mudaram a vida. A modelo Sara Sampaio - uma das portuguesas com uma carreira mais internacional da moda – viu as suas fotografias no então Twitter e apresentou Catarina a uma das maiores agências de manequins do país. Tinha só 13 anos e hoje reconhece que é “demasiado cedo” para entrar na indústria da moda, numa época em que os anjos da Victoria’s Secret eram o ideal de beleza. “Consigo olhar para trás e ver uma Catarina pequenina a admirar corpos irreais e inatingíveis de pessoas que viviam para o culto da imagem”, reconhece em entrevista no podcast A Vida Não é o Que Aparece.
    Apesar de ver progresso na diversidade na moda, confessa que as redes sociais podem estar a contribuir para o perpetuar destes ideais de beleza e da fachada da vida perfeita, onde tudo parece “fácil e rápido”, lamenta. “Acho que cada vez mais é crucial que quem trabalha com redes sociais se apresente como é. De vez em quando, se estivermos tristes e o partilharmos, não é sinal de fraqueza”, defende.
    Foi por isso que decidiu partilhar um dos momentos mais difíceis da sua vida: a morte do pai. “Não quero fazer disto a minha personalidade, mas a verdade é que é inevitável não viver dessa forma depois de perder alguém que te significa tanto e tão novo. Passamos a ser consequência de algo fatal que nos aconteceu”, desabafa, explicando que a partilha a faz sentir que o pai ainda está vivo. “Falo do meu pai todos os dias a todos as pessoa que conheço e não me faria sentido esconder essa parte [nas redes sociais]. Acho que as dores, quando são partilhadas, tornam-se mais leves”.
    O luto faz-se de avanços e recuos, confessa, descrevendo como ainda há dias em que “custa a acreditar”. “É aquela sensação de ser um sufoco tão grande que o cérebro quase se auto-sabota e não acredita na realidade. Isto até é estranho de se dizer, mas é impossível que eu nunca mais vá ver o meu pai na vida”.
    Vai encontrando alento no trabalho na comunicação, mas também na família, mostrando a vida privada nas redes sociais com alguma parcimónia. “Agora voltei a partilhar mais a minha família de novo, mas, durante muitos anos, parei… Precisamente porque aconteceu uma situação chata de insultarem o meu irmão”, conta, sobre o irmão mais velho, que tem trissomia 21. “Ainda na semana passada, alguém comentou um post que fiz com o meu irmão a cantar a dizer ‘ainda tem orgulho de mostrar o irmão deficiente’. É importante que as pessoas não vivam numa bolha que as faz pensar que a discriminação não existe em Portugal”.
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  • A Vida não é o que Aparece

    Vasco Pereira Coutinho: “Já estou cansado da Tia Bli. Vou parar de fazer? Acho que não”

    07/04/2026 | 43min
    Vasco Pereira Coutinho tinha mais de 30 anos quando descobriu a sua verdadeira vocação. Foi seminarista, trabalhou com deficientes profundos e foi terapeuta de toxicodependentes em recuperação. Tudo isto antes de começar a misturar o humor com a representação nas redes sociais, onde dá vida a inúmeras personagens, fazendo rir os mais de 209 mil seguidores. Há quem só o conheça como Tia Bli, mas é no palco que se encontra verdadeiramente.
    Foi como se Vasco tivesse andando a tentar fintar o seu destino durante mais de três décadas. Na infância, já era o actor da família e imitava tudo e todos, sendo o responsável pelos musicais da escola. Lembra-se de ainda da emoção que foi ver o Moulin Rouge na sua adolescência, antes de o pai o fazer ver que o seu futuro era na representação e o incentivar a fazer a audição para o conservatório. Mas um “não” mudou tudo.
    Encontrou força na fé e no auxílio aos outros, que pensou ser a sua verdadeira vocação (talvez fazer humor tenha muito deste altruísmo também, como disse o Papa Francisco aos humoristas no Vaticano, em 2024). Deixou tudo, até o telemóvel e as chaves de casa, e foi para o seminário em Roma. “O silêncio foi a coisa mais importante que aprendi no seminário e que ainda hoje procuro activamente fazê-lo”, recorda em entrevista ao PÚBLICO no 11.º episódio de A Vida Não é o Que Aparece. “O silêncio não é um momento vago de distracção. Descobri muita coisa sobre mim, descobri imensa coisa sobre Deus. Continuo a fazê-lo sempre que posso.”
    Mas teve de lidar com a desilusão de que ainda não era aquele caminho o seu tão ambicionado “para sempre”. De regresso, ainda tentava encontrar-se, quando as suas personagens o encontraram a si. Foi nas redes sociais que começou a dar vida à professora Regina, à enfermeira Lurdes ou à Tia Bli, hoje a sua faceta mais conhecida. “Acho que há uma coisa que acho que é a chave para o sucesso das personagens: não tenho nenhum preconceito sobre elas. Isso torna-as humanas e aproxima o público porque exponho a humanidade destas personagens sem nenhum juízo crítico”, considera.
    Ainda assim, confessa: “Já estou cansado da Tia Bli, mas não interessa o que eu penso. As pessoas gostam e gosto de dar isto às pessoas.” Os fãs podem “acalmar-se imediatamente” (uma expressão da Tia Bli, que tem um podcast semanal na Rádio Renascença) porque Vasco pereira Coutinho não vai deixar de interpretar a personagem. “Sinto que há várias horas da minha semana em que tenho de parar de pensar como eu penso para pensar como é que a Tia Bli pensa. É entrar e sair de uma personagem. É cansativo.”
    Agora, está também nos palcos, até ao final de Maio, com Superstar no Auditório Casino do Estoril. “Já me disseram ‘tu não és lá das redes sociais?’ Sou. E também sou actor. Acho que uma coisa não impede a outra”, defende, desabafando que sofre com a síndrome do impostor, mas que isso “não impede de fazer nada”, apesar de “ser uma canseira” viver na sua “cabeça”.
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Entrevistas sobre a vida que vemos e mostramos nas redes sociais, com Inês Duarte de Freitas.
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