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A Vida não é o que Aparece

Inês Duarte Freitas/PÚBLICO
A Vida não é o que Aparece
Último episódio

13 episódios

  • A Vida não é o que Aparece

    Catarina Maia e a perda do pai: “As dores, quando são partilhadas, tornam-se mais leves”

    14/04/2026 | 51min
    Catarina Maia é natural do Porto, mas é em Lisboa que tem feito carreira. Começou ainda adolescente como modelo e venceu o concurso Cabelo Pantene – o Sonho em 2019. Pelo caminho, descobriu outra paixão, além da moda: a comunicação. É apresentadora de televisão na RTP e locutora de rádio na Mega Hits. Pelo meio, ainda actualiza os mais de 290 mil seguidores.
    Na história de Catarina Maia não é uma hipérbole dizer que as redes sociais lhe mudaram a vida. A modelo Sara Sampaio - uma das portuguesas com uma carreira mais internacional da moda – viu as suas fotografias no então Twitter e apresentou Catarina a uma das maiores agências de manequins do país. Tinha só 13 anos e hoje reconhece que é “demasiado cedo” para entrar na indústria da moda, numa época em que os anjos da Victoria’s Secret eram o ideal de beleza. “Consigo olhar para trás e ver uma Catarina pequenina a admirar corpos irreais e inatingíveis de pessoas que viviam para o culto da imagem”, reconhece em entrevista no podcast A Vida Não é o Que Aparece.
    Apesar de ver progresso na diversidade na moda, confessa que as redes sociais podem estar a contribuir para o perpetuar destes ideais de beleza e da fachada da vida perfeita, onde tudo parece “fácil e rápido”, lamenta. “Acho que cada vez mais é crucial que quem trabalha com redes sociais se apresente como é. De vez em quando, se estivermos tristes e o partilharmos, não é sinal de fraqueza”, defende.
    Foi por isso que decidiu partilhar um dos momentos mais difíceis da sua vida: a morte do pai. “Não quero fazer disto a minha personalidade, mas a verdade é que é inevitável não viver dessa forma depois de perder alguém que te significa tanto e tão novo. Passamos a ser consequência de algo fatal que nos aconteceu”, desabafa, explicando que a partilha a faz sentir que o pai ainda está vivo. “Falo do meu pai todos os dias a todos as pessoa que conheço e não me faria sentido esconder essa parte [nas redes sociais]. Acho que as dores, quando são partilhadas, tornam-se mais leves”.
    O luto faz-se de avanços e recuos, confessa, descrevendo como ainda há dias em que “custa a acreditar”. “É aquela sensação de ser um sufoco tão grande que o cérebro quase se auto-sabota e não acredita na realidade. Isto até é estranho de se dizer, mas é impossível que eu nunca mais vá ver o meu pai na vida”.
    Vai encontrando alento no trabalho na comunicação, mas também na família, mostrando a vida privada nas redes sociais com alguma parcimónia. “Agora voltei a partilhar mais a minha família de novo, mas, durante muitos anos, parei… Precisamente porque aconteceu uma situação chata de insultarem o meu irmão”, conta, sobre o irmão mais velho, que tem trissomia 21. “Ainda na semana passada, alguém comentou um post que fiz com o meu irmão a cantar a dizer ‘ainda tem orgulho de mostrar o irmão deficiente’. É importante que as pessoas não vivam numa bolha que as faz pensar que a discriminação não existe em Portugal”.
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  • A Vida não é o que Aparece

    Vasco Pereira Coutinho: “Já estou cansado da Tia Bli. Vou parar de fazer? Acho que não”

    07/04/2026 | 43min
    Vasco Pereira Coutinho tinha mais de 30 anos quando descobriu a sua verdadeira vocação. Foi seminarista, trabalhou com deficientes profundos e foi terapeuta de toxicodependentes em recuperação. Tudo isto antes de começar a misturar o humor com a representação nas redes sociais, onde dá vida a inúmeras personagens, fazendo rir os mais de 209 mil seguidores. Há quem só o conheça como Tia Bli, mas é no palco que se encontra verdadeiramente.
    Foi como se Vasco tivesse andando a tentar fintar o seu destino durante mais de três décadas. Na infância, já era o actor da família e imitava tudo e todos, sendo o responsável pelos musicais da escola. Lembra-se de ainda da emoção que foi ver o Moulin Rouge na sua adolescência, antes de o pai o fazer ver que o seu futuro era na representação e o incentivar a fazer a audição para o conservatório. Mas um “não” mudou tudo.
    Encontrou força na fé e no auxílio aos outros, que pensou ser a sua verdadeira vocação (talvez fazer humor tenha muito deste altruísmo também, como disse o Papa Francisco aos humoristas no Vaticano, em 2024). Deixou tudo, até o telemóvel e as chaves de casa, e foi para o seminário em Roma. “O silêncio foi a coisa mais importante que aprendi no seminário e que ainda hoje procuro activamente fazê-lo”, recorda em entrevista ao PÚBLICO no 11.º episódio de A Vida Não é o Que Aparece. “O silêncio não é um momento vago de distracção. Descobri muita coisa sobre mim, descobri imensa coisa sobre Deus. Continuo a fazê-lo sempre que posso.”
    Mas teve de lidar com a desilusão de que ainda não era aquele caminho o seu tão ambicionado “para sempre”. De regresso, ainda tentava encontrar-se, quando as suas personagens o encontraram a si. Foi nas redes sociais que começou a dar vida à professora Regina, à enfermeira Lurdes ou à Tia Bli, hoje a sua faceta mais conhecida. “Acho que há uma coisa que acho que é a chave para o sucesso das personagens: não tenho nenhum preconceito sobre elas. Isso torna-as humanas e aproxima o público porque exponho a humanidade destas personagens sem nenhum juízo crítico”, considera.
    Ainda assim, confessa: “Já estou cansado da Tia Bli, mas não interessa o que eu penso. As pessoas gostam e gosto de dar isto às pessoas.” Os fãs podem “acalmar-se imediatamente” (uma expressão da Tia Bli, que tem um podcast semanal na Rádio Renascença) porque Vasco pereira Coutinho não vai deixar de interpretar a personagem. “Sinto que há várias horas da minha semana em que tenho de parar de pensar como eu penso para pensar como é que a Tia Bli pensa. É entrar e sair de uma personagem. É cansativo.”
    Agora, está também nos palcos, até ao final de Maio, com Superstar no Auditório Casino do Estoril. “Já me disseram ‘tu não és lá das redes sociais?’ Sou. E também sou actor. Acho que uma coisa não impede a outra”, defende, desabafando que sofre com a síndrome do impostor, mas que isso “não impede de fazer nada”, apesar de “ser uma canseira” viver na sua “cabeça”.
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  • A Vida não é o que Aparece

    Catarina Oliveira: Já me “senti invisível ou então infantilizada” por estar numa cadeira de rodas

    31/03/2026 | 1h 6min
    Catarina Oliveira tinha 26 anos quando uma infecção na medula mudou a sua vida. Estava no Rio de Janeiro e disseram-lhe que nunca mais poderia andar. Regressou a casa a Portugal, mas esperava-a uma nova realidade sobre rodas. Diz ter lidado bem com a situação, apesar de o olhar dos outros a fazer sentir-se uma espécie rara sobre rodas (nome que usa nas redes sociais). É nutricionista, mas o capacitismo da sociedade foi o ímpeto para passar a falar de deficiência sem tabus, como palestrante ou nas redes sociais, onde tem 100 mil seguidores.
    Em entrevista ao podcast A Vida Não é Que Aparece recorda como a adaptação à cadeira de rodas foi mais difícil pela forma como a sociedade não está preparada para a “receber numa nova posição”. E lamenta: “Efectivamente parece que tenho de me afirmar mais porque estou numa cadeira de rodas”. Aliás, sentiu-se “invisível ou então infantilizada em muitas situações”.
    Isto porque o capacitismo “faz com que nós, à partida, assumamos a incapacidade”, como se a pessoa com deficiência precisasse da nossa ajuda. “Esquecemo-nos da autonomia daquela pessoa, da individualidade daquela pessoa e do direito de resposta daquela pessoa”, argumenta, sem condenar quem oferece ajuda. “O problema é quando digo não e começam a dizer ‘deixe estar que eu ajude na mesma’. E começam-me a empurrar a cadeira”, exemplifica.
    Garante que não rejeita ajuda para provar que é capaz de fazer o que quer que seja, mas porque tem mesmo autonomia na maioria das tarefas. “Acontece muitas vezes com a deficiência: assumir a incapacidade e não a potencialidade das pessoas”, declara. É por isso que fala de equidade em vez de igualdade. “A equidade é percebermos que as pessoas são diferentes e que precisam de recursos diferentes para chegar ao mesmo sítio”.
    O capacitismo da sociedade também é culpa da educação e, por isso, lembra aos pais que o exemplo é a melhor forma de ensinar. “Não adianta nada estar a dizer ‘olha temos de tratar muito bem as pessoas com deficiência’, a seguir vão ao supermercado e param no lugar da pessoa com deficiência durante cinco minutos”, exemplifica Catarina Oliveira, que foi mãe há menos de um ano e também tem vindo a desconstruir estereótipos à volta deste tema. “Ser mulher com deficiência e mãe, bem como o facto de estar a cuidar de um ser humano, é uma coisa que a sociedade não está à espera”.
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  • A Vida não é o que Aparece

    Sílvia Alberto: “Não quero a minha vida televisionada. Não quero expor-me dessa maneira”

    24/03/2026 | 51min
    Sílvia Alberto é natural de Lisboa, onde estudou dramaturgia, mas é como apresentadora de televisão que se tornou conhecida dos portugueses. Chegou ao pequeno ecrã quando tinha apenas 19 anos com o Clube Disney na RTP. E nunca mais parou. Seguiram-se os Ídolos, a Operação Triunfo, o Dança Comigo ou o Festival da Canção. Entre tantos outros programas que se torna difícil enumerar. No Instagram, vai mostrando os bastidores aos seus mais de 163 mil seguidores.
    Nunca saiu do pequeno ecrã nas últimas décadas, uma conquista que atribui à “consistência” do seu trabalho. Ultimamente, está sobretudo no Got Talent Portugal, na RTP, mas, em tempos, chegou a estar “quase todos os dias no ar”, diz, com humor. “Estou menos no ecrã, mas também estou a educar dois filhos ao mesmo tempo. Portanto, estou numa fase da vida diferente”, declara ao PÚBLICO no nono episódio do podcast A Vida Não É o Que Aparece.
    Ainda assim, continua a ser uma das caras do serviço público de televisão e defensora acérrima da sua importância - numa época em que muitos questionam a validade dos vários canais da RTP. E defende Sílvia Alberto: “Existe um ataque directo a nós e a frase que repetidamente se ouve é ‘Mas eu pago-te o teu vencimento’. Acho obrigatório que exista um serviço público de televisão e não creio que esteja sequer em questão o porquê da sua necessidade”.
    A apresentadora reconhece, contudo, que o ecrã tem vindo a perder terreno para as redes sociais, ainda que os “conteúdos” se tenham reinventado para as múltiplas plataformas, acredita, exemplificando com excertos de programas que se tornam virais. “A televisão, tal como nós a conhecemos, efectivamente está a desaparecer. Mas a comunicação, a partilha, a procura de talento, a informação, não vão desaparecer…Pelo contrário.”
    Perante a mudança de paradigma na comunicação, a própria Sílvia Alberto se adaptou e “deixou-se da rejeição da presença nas redes sociais”, apesar de gerir com parcimónia essa exposição. “Não quero a minha vida televisionada. Não quero expor-me dessa maneira”, desabafa. “Ninguém quer ter a porta da sua casa aberta a 100%. E as redes sociais dão esta ideia de que podemos espreitar pela janela, ver um bocadinho da vida das pessoas. Não deixa de ser a revista cor-de-rosa, mas sem intermediário.”
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    Pedro Chagas Freitas: “Nada comove mais do que alguém querer salvar o nosso filho”

    17/03/2026 | 51min
    Pedro Chagas Freitas nasceu em Guimarães, mas o seu interesse pela escrita floresceu em Lisboa, onde estudou Linguística. Foi jornalista, até descobrir a escrita criativa. Hoje é um dos autores mais lidos em Portugal. Depois dos bestsellers A Raridade das Coisas Banais e Prometo Falhar, está quase chegar aos 40 livros. O mais recente romance, O Hospital de Alfaces, resulta do tempo que viveu na unidade de transplantados com o filho Benjamin que sobreviveu também graças a um apelo nas redes sociais. No Instagram, tem 427 mil seguidores e, no Facebook, ultrapassa o meio milhão.
    Recusa o título de escritor e prefere dizer que é alguém que escreve livros. “Quis tirar esse acto sagrado da escrita. Não é nada sagrado, é algo que todos nós sabemos fazer. Todos escrevemos, apesar de só alguns escreverem livros”, defende o autor, que escreve diariamente reflexões nas redes sociais. “O Saramago tinha uma expressão maravilhosa onde dizia que queria colonizar o outro. E eu não quero colonizar. Julgo que quando escrevo sobre a actualidade é para fazer o outro olhar para ela”, explica.
    Foi num dessas reflexões que desabafou sobre a doença do filho, Benjamim, que precisava de um transplante de fígado para sobreviver, apelando a possíveis dadores. “Foram um pai e uma mãe desesperados que tornaram a situação pública. A partir daí, foi uma onda de amor inacreditável e ficou quase uma dívida aos milhares de pessoas que se disponibilizaram a dar uma parte do seu corpo para salvar o meu filho. Nada comove mais do que alguém querer salvar o nosso filho”.
    “Mas nunca me senti tão nulo e tão 'desimportante' como ali. Nada estava nas minhas mãos”, lamenta no oitavo episódio do podcast A Vida Não é o Que Aparece, onde fala sobre a experiência de quase viver num hospital. “O adulto tem de ser o palhaço de serviço. É um exercício antilógico porque estamos todos partidos e temos de fazer rir uma criança”, testemunha.
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