Reflexão sobre como o mecanismo do scroll infinito e a economia do "like" estão a comprometer a sobrevivência da fotografia artística.
A rapidez das redes sociais substitui a contemplação profunda pelo consumo instantâneo, forçando os criadores a preferir a uniformidade algorítmica em detrimento da originalidade.No plano ético, as plataformas são criticadas por atuarem como curadores invisíveis que privilegiam conteúdos viciantes em vez de obras com valor cultural.
Sob a perspetiva jurídica, o direito de autor português é insuficiente para proteger a arte desta asfixia, uma vez que a lei defende a propriedade, mas não garante a visibilidade da obra.
A sobrevivência da fotografia enquanto expressão artística exige, portanto, uma resistência cultural que valorize o tempo e a intenção em oposição ao automatismo digital.