21 episódios
- Quem já perdeu um animal conhece esta frase e sabe o que é chorar às escondidas porque a dor parece não caber em lado nenhum.
Neste episódio falo da Pipa, a minha primeira cadela, que viveu comigo catorze anos, e do luto que demorei cinco anos a fazer. A partir dessa história, pergunto porque é que a morte de um animal dói tanto e porque é que tão poucos à nossa volta o reconhecem.
Para quem perdeu um animal, há pouco ou há muitos anos. E para quem quer saber o que dizer a alguém que o perdeu. - Neste episódio respondo a uma carta da Liliana, psicóloga numa casa de acolhimento há vinte anos.
Entre as perguntas que me envia, há uma que vem de uma jovem de 17 anos que cresceu em instituições: «Gostei de pessoas que foram embora e me esqueceram. […] Sei que ainda posso ser feliz, mas a minha infância já foi. Que conselho me daria?»
A partir daí, falamos sobre o que acontece quando aprendemos demasiado cedo que as pessoas podem desaparecer, sobre a construção de vínculos em novas famílias, sobre quando uma criança pode precisar de acompanhamento psicológico, o humor dentro da terapia e o contacto entre pacientes e terapeutas fora das sessões.
Uma carta sobre aquilo que fica em nós depois de alguém partir e a possibilidade de uma ausência não significar esquecimento. - Há uma idade a partir da qual muitas mulheres dizem começar a sentir-se invisíveis.
Não falam apenas de deixar de ser olhadas ou desejadas, mas de um mundo que parece começar a escolhê-las menos, a representá-las menos, a imaginá-las menos.
Eu tenho 52 anos e não me sinto invisível. Pelo contrário, sinto-me cada vez mais visível para mim própria.
Neste episódio do Neurose de Domingo, parto desta diferença para pensar o que acontece quando envelhecemos e o olhar do mundo muda; e quanto daquilo que sabemos sobre nós próprias foi construído nesse olhar. - Neste episódio, uma mãe escreve porque a filha de 16 anos mudou completamente desde que soube que vai ter um irmão.
O pai da rapariga foi embora quando ela era bebé. Durante anos, ficaram as duas. Agora, a mãe está grávida de um homem que está presente.
O que pode o nascimento de alguém fazer à história de quem já cá estava?
Às vezes, um acontecimento novo não muda apenas o presente. Obriga-nos a voltar ao passado e a olhar de outra maneira para aquilo que nos aconteceu.
É a partir desta e de outras mensagens que pensamos o novo episódio do Neurose de Domingo. - O Mounjaro mudou o modo como me alimento e alterou o olhar para o meu corpo.
Comecei a tomá-lo para perder peso, mas, mais de um ano depois, há aspetos da compulsão, desejo e escolha que dificilmente teria percebido sem esta experiência.
Perdi quase 20 quilos, mas foi o que desapareceu com eles que me fez querer gravar este episódio.
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