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    Tropeções do Governo ajudam Carneiro e cavaleiros orçamentais ajudam Montenegro

    02/07/2026 | 32min
    Esta semana debatemos vários temas que se cruzam todos com a mesma pergunta: como é que se governa, e como é que se faz oposição, num país que mudou mais depressa do que as suas estatísticas, num Parlamento sem maiorias claras e com sondagens a mexerem no equilíbrio político?
    Comecemos pelos novos números do INE sobre a população residente em Portugal. A revisão é muito significativa: Portugal ultrapassa agora os 11,4 milhões de residentes e a população estrangeira residente aproxima-se dos 1,6 milhões de pessoas, cerca de 14% do total. Mais do que uma correcção estatística, isto altera a forma como olhamos para a imigração, para os serviços públicos, para o mercado de trabalho e até para os indicadores per capita.
    Será que o facto de até aqui terem sido tomadas decisões quanto à Educação ou ao SNS, baseadas em dados errados dá algum espaço de manobra ao Governo para se adaptar à nova realidade?
    Na semana passada, a pretexto da Prestação Social Única, já aqui falámos bastante sobre a questão dos acordos e desacordos entre o Governo e a oposição. Entretanto, o Governo insiste que tem um parceiro preferencial e que PS e Chega têm uma responsabilidade equivalente nas próximas reformas e no Orçamento. E esta pergunta leva-nos directamente ao Orçamento. José Luís Carneiro não fecha a porta à viabilização, mas também não quer aparecer como muleta do Governo. Como é que o PS vai gerir esta magna questão? E como é que o Governo pode facilitar a aprovação do Orçamento?
    Há outra questão que pode mexer com o PS na altura de viabilizar, ou não, o Orçamento: o PS e José Luís Carneiro seguem embalados por mais uma sondagem positiva. O PS consolida a liderança, Carneiro tem aparecido bem avaliado na comparação para primeiro-ministro e há sinais de desgaste da AD. Mas a vantagem socialista não é necessariamente confortável e continua a haver um triângulo muito instável entre PS, Chega e AD. Será que estas sondagens já permitem dizer que José Luís Carneiro devolveu o PS ao centro do jogo político?
    E há um ponto curioso: uma das leituras das sondagens é que o chumbo da reforma laboral não penalizou o PS — pelo contrário, parece ter sido bem recebido por muitos eleitores. É caso para perguntar: basta dizer “não” ao Governo para recuperar terreno?
    Uma questão final para a mudança de liderança do Livre, que ocorreu esta semana: o que é que isto significa para o futuro que se funde e confunde tanto com Rui Tavares?
    Os minutos finais vão para o Público e Notório.
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  • Poder Público

    A profissão de fé em Sangalhos e o cheque de 600 milhões que uniu PSD e PS

    25/06/2026 | 28min
    Neste episódio temos dois temas inevitáveis na política nacional: primeiro, o congresso do PSD, que ficou marcado pelo rescaldo do chumbo da proposta de lei laboral e pela tentativa de Luís Montenegro de transformar uma derrota parlamentar numa afirmação política. Depois, o acordo entre PS e PSD para viabilizar a criação da Prestação Social Única, a PSU — um acordo que, à primeira vista, contrasta com o impasse total no pacote laboral.
    Começamos pelo congresso do PSD. O partido reuniu-se em Anadia, mais precisamente em Sangalhos, ainda com a poeira do chumbo da reforma laboral no Parlamento, e Luís Montenegro tentou recentrar o discurso no “trabalho”, nas reformas e na ideia de que a oposição bloqueia a mudança. Será que este congresso serviu mais para unir o PSD à volta do Governo ou para responder a uma fragilidade concreta: a de um primeiro-ministro que acaba de ver uma reforma central chumbada no Parlamento?
    A ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, também teve um momento forte no congresso. Disse que a reforma laboral era um projecto do Governo, agradeceu o empenho do primeiro-ministro e deixou a ideia de que o executivo voltará a insistir neste caminho. Ao envolver tão directamente Luís Montenegro na reforma laboral, a ministra protegeu-se de ficar sozinha com o ónus do chumbo ou, pelo contrário, transformou esta derrota também numa derrota pessoal do primeiro-ministro?
    E houve outra dimensão neste congresso: o PSD tentou colar PS e Chega no mesmo bloco de bloqueio, apesar de continuar a precisar de ambos, em momentos diferentes, para fazer passar diplomas no Parlamento. A estratégia de atacar PS e Chega em simultâneo é sustentável para um Governo minoritário? Ou é sobretudo uma forma de manter mobilizado o eleitorado do PSD depois de um revés parlamentar?
    Passamos então à Prestação Social Única. O PS e o PSD chegaram a acordo para viabilizar a PSU, depois de negociações que mexeram em pontos sensíveis: o canal de denúncias, o chamado trabalho social, a condição de recursos e a forma como os valores da prestação serão fixados e escrutinados. Falamos sobre os vencedores e vencidos neste processo e falamos também sobre uma zona cinzenta: o PS disse que o trabalho social deixaria de ser obrigatório e passaria para um plano personalizado; pouco depois, o PSD veio dizer que essa actividade solidária social não cai e não deixa de ser obrigatória. Será uma divergência real no conteúdo do acordo ou duas narrativas políticas construídas para públicos diferentes — uma para o PS dizer que humanizou a proposta e outra para o PSD dizer que não cedeu?
    E a última pergunta liga os dois temas: no pacote laboral, PSD e Chega não chegaram a acordo; na PSU, chegaram. Num caso, houve ruptura e chumbo; no outro, houve entendimento. Qual é a diferença essencial entre estes dois processos?
    Os minutos finais são para o Público e Notório.
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  • Poder Público

    A aproximação entre Chega e um PSD que vai a congresso com 18 moções e zero críticas

    18/06/2026 | 28min
    Neste Poder Público vamos falar de política no rescaldo do empate de Portugal no Mundial, na quarta-feira em Houston. O jogo aconteceu pouco depois de terminar o debate quinzenal com o primeiro-ministro no Parlamento, debate esse que foi antecipado numa hora para que os deputados e governantes pudessem assistir ao jogo. Foi uma discussão muito marcada pela lei laboral que tem estado a ser discutida nos últimos dias entre Chega e PSD.
    Não vamos adiantar-nos muito sobre este tema porque haverá com certeza novidades durante esta quinta ou eventualmente sexta-feira, que é o dia para o qual está marcada a votação sobre os diplomas em cima da mesa. Neste momento, PSD e Chega mostram uma sintonia crescente, inclusivamente nas críticas ao PS. Durante o debate, Hugo Soares chegou que o PS está mais radicalizado do que no tempo de Pedro Nuno Santos.
    Este fim-de-semana o PSD de Luís Montenegro vai reunir-se em Congresso e o PÚBLICO vai lá estar a acompanhar os trabalhos. Neste episódio falamos sobre o partido que vai ao Congresso, em que ponto está, quais são as críticas internas mais comuns e o que se podemos esperar de Luís Montenegro e dos seus discursos. Também comentamos a entrevista de Miguel Relvas sobre o futuro daqueles que nos últimos anos foram os maiores partidos da democracia: PS e PSD.
    Há um tema a que não temos dado muita importância, até porque não há eleições previstas para breve, mas ainda guardamos tempo para discutir brevemente um tema final: sondagens. As últimas que têm sido divulgadas dão um crescimento do PS de José Luís Carneiro, que surge à frente do PSD. A que é que se pode atribuir este crescimento? A um cansaço relativamente à AD ou a uma estratégia eficaz do PS?
    O episódio termina depois do momento Público & Notório.
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  • Poder Público

    Seguro em cima do muro no 10 de Junho e o Governo a hastear bandeiras ideológicas

    11/06/2026 | 31min
    Neste episódio do Poder Público, analisamos as comemorações do 10 de Junho nos Açores, marcadas pelo discurso que Marcelo Rebelo de Sousa classificou como "cinco vezes excepcional": a intervenção do Presidente da República, António José Seguro.
    Entre citações poéticas e apelos à moderação, terá o Chefe de Estado apontado o dedo ao Governo pela gestão da soberania nacional na Base das Lajes ou terá ficado "em cima do muro" com um discurso redondo que agradou a gregos e troianos?
    O debate segue para o primeiro veto político de Seguro, aplicado ao projecto do CDS (com apoio de PSD e Chega) que visava proibir "bandeiras ideológicas" em edifícios públicos. Está o Presidente a traçar uma linha vermelha contra as cedências ao populismo?
    Olhamos também para a Prestação Social Única (PSU) e para a reforma laboral. Com 600 milhões de euros do PRR em risco, o Governo de Luís Montenegro vê-se num impasse parlamentar entre as exigências "punitivas" do Chega e a tradição humanista do PS. Será André Ventura, mais uma vez, o "parceiro preferencial" inevitável do PSD?
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  • Poder Público

    Os 50 minutos de Passos e Seguro entre o cravo e a ferradura

    28/05/2026 | 31min
    Este episódio começa com um aviso: o Poder Público não vai para o ar no dia 4 de Junho, quinta-feira, feriado do Corpo de Deus.
    A conversa segue com tema mais quente: a intervenção de Pedro Passos Coelho no lançamento do livro Constituição Fluida, de Carlos Blanco de Morais. O ex-primeiro-ministro usou palavras duras para criticar os “políticos do mainstream” que vestiram a “casaca do populismo”. E sublinhou que, entre o original e a cópia, o “genuíno sempre se manifesta de uma forma muito mais eficaz do que o que é postiço” e que, no fim, o “postiço fica sem nada, como um prostituto sem carácter”. Uma pergunta impõe-se: a quem eram dirigidas estas palavras?
    Passos Coelho também disse que “era bom que as coisas ganhassem um pouso mais de ritmo”. Aqui, há dúvidas de que se referia à governação e de que o alvo das críticas era o Governo? Luís Montenegro para ter percebido quem era o alvo e reagiu, no Parlamento, descrevendo-se a si próprio como um "corredor de endurance". Mas afinal, o que é que Passos Coelho está a construir com estas intervenções?
    Na quarta-feira realizou-se o debate quinzenal com Luís Montenegro e houve um tema incontornável: a demissão de António Pombeiro. Pombeiro era secretário-geral adjunto do Ministério da Administração Interna e demitiu-se por não conseguir conviver com alegadas "irregularidades" durante o tempo de Paulo Viegas Nunes na liderança do SIRESP – cargo para o qual voltou a ser nomeado.
    Pombeiro foi muito vocal nas críticas, mas Luís Neves defendeu a seriedade e a idoneidade de Viegas Nunes e José Luís Carneiro também saiu em sua defesa. Quem sai mais fragilizado desta polémica?
    No mesmo debate quinzenal, o Livre desafiou o Governo a retirar o pacote laboral (Carneiro também já o tinha feito). Depois de tudo e com uma greve geral em cima da mesa, será que isso ainda é uma possibilidade?
    Como tema final, conversamos sobre o relatório feito pelos serviços de Belém na sequência da primeira Presidência Aberta na zona centro. A principal conclusão é que a “governação” nas tempestades foi descoordenada e pouco clara. O Governo ficou em silêncio. O que é que isso significa? Há mal-estar entre os dois palácios?
    Os minutos finais do episódio são reservados para o Público e Notório. O Poder Público volta no dia 11.
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