412 episódios
- Bem-vindos ao Poder Público. Este é o último episódio antes das férias e a temporada parlamentar fecha com dois temas inevitáveis: o debate do Estado da Nação, marcado pela crise dos exames nacionais, pela defesa dos ministros mais pressionados e pela tentativa de Luís Montenegro de recentrar a conversa nos trunfos do Governo; e a nova sondagem da Universidade Católica para o PÚBLICO, RTP e Antena 1, que mostra o PS a subir, a alcançar a AD, mas também uma maioria de portugueses sem ver uma alternativa melhor para governar.
O debate do estado da nação é o prato forte. Montenegro chegou ao Parlamento com a Educação no centro da polémica, mas recusou a ideia de caos, segurou Fernando Alexandre e também Luís Neves, e tentou mostrar um Governo ainda com iniciativa.
O primeiro-ministro acusou PS e Chega de quererem governar a partir do Parlamento e, em matéria fiscal, responsabilizou ambos por travarem novas reduções do IRS. Ao mesmo tempo, André Ventura desafiou Montenegro a apresentar uma moção de confiança e o PS acusou o Governo de se esconder dos problemas. Quem ganhou o debate? A discussão clarificou alguma coisa sobre a governabilidade? Montenegro saiu mais forte por ter resistido ao cerco, ou mais condicionado por ficar cada vez mais preso entre PS e Chega? Há razões para uma moção de confiança?
No que diz respeito à sondagem, o PS dispara, alcança a AD, o Chega recua e há um crescimento expressivo dos indecisos. Mas há um dado que talvez seja tão importante como a intenção de voto: a maioria dos inquiridos não vê uma alternativa melhor para governar e olha para Luís Montenegro como o menos mau.
A sondagem também mostra uma avaliação mais negativa do desempenho do Governo e a percepção de que o país está pior do que há um ano. Ainda assim, a maioria não quer eleições antecipadas e prefere que o Governo cumpra o mandato. Isto é um travão à estratégia da oposição? No sentido em que PS e Chega têm margem para apertar o Governo, mas não para precipitar uma crise política?
E há um último ponto: José Luís Carneiro chega ao fim desta etapa com sondagens favoráveis, mas também com uma decisão difícil à frente — o Orçamento. Se o PS aparece empatado com a AD, pode sentir-se tentado a endurecer; mas se os eleitores não querem instabilidade, pode ser penalizado por bloquear. Será que a sondagem dá mais força ou mais responsabilidade a José Luís Carneiro? E que pistas deixa para a posição do PS no Orçamento?
Os minutos finais do episódio são para o Público & Notório.
O Poder Público faz agora uma pausa e volta com a política em modo rentrée. Até Setembro.
See omnystudio.com/listener for privacy information. - O episódio de hoje começa com um tema que juntou futebol, política e gestão de crise: a presença de governantes e dirigentes políticos no Mundial de 2026, nos Estados Unidos, numa altura em que Portugal estava em alerta por causa dos incêndios. Luís Montenegro foi ver a selecção, a oposição criticou, e Hugo Soares respondeu que os sociais-democratas gostam de futebol, que são “do povo” e que a selecção é uma representação maior do país.
A questão não é apenas o futebol. O primeiro-ministro estava fora do país num momento sensível, com incêndios e situação de alerta. Falamos sobre isso, sobre se as presenças foram um risco calculado e sobre a mensagem que se quer transmitir através da frase “nós somos do povo”.
Segue-se um assunto que tem deixado as famílias à beira de um ataque de nervos. As últimas semanas foram marcadas por confusão nos exames nacionais: atrasos, dificuldades na distribuição das provas para correcção, falhas técnicas, alterações no calendário e uma pressão crescente sobre o ministro Fernando Alexandre. O Governo diz que o essencial é garantir o rigor da avaliação e que os alunos não serão prejudicados, mas a ideia de desorganização ganhou força.
E há uma dimensão que vai além dos exames: professores, escolas, famílias e alunos vivem com ansiedade qualquer falha neste processo, porque os exames contam para o acesso ao ensino superior e porque a confiança no sistema depende muito da previsibilidade.
A verdade é que Fernando Alexandre entrou no Governo com uma imagem de competência técnica, algum capital de confiança e a expectativa de que conseguiria estabilizar uma área cronicamente difícil. Mas a Educação tem uma capacidade muito própria de consumir ministros depressa. Será que podemos dizer que este episódio marca o fim do estado de graça de Fernando Alexandre? E que dano será mais difícil de reparar neste caso: o atraso concreto no calendário, a falha técnica, ou a quebra de confiança na capacidade do Ministério para gerir processos sensíveis?
Os minutos finais são reservados para o Público & Notório.
O Poder Público volta na próxima semana, excepcionalmente na sexta-feira, para comentar o debate do estado da nação.
See omnystudio.com/listener for privacy information. - Esta semana debatemos vários temas que se cruzam todos com a mesma pergunta: como é que se governa, e como é que se faz oposição, num país que mudou mais depressa do que as suas estatísticas, num Parlamento sem maiorias claras e com sondagens a mexerem no equilíbrio político?
Comecemos pelos novos números do INE sobre a população residente em Portugal. A revisão é muito significativa: Portugal ultrapassa agora os 11,4 milhões de residentes e a população estrangeira residente aproxima-se dos 1,6 milhões de pessoas, cerca de 14% do total. Mais do que uma correcção estatística, isto altera a forma como olhamos para a imigração, para os serviços públicos, para o mercado de trabalho e até para os indicadores per capita.
Será que o facto de até aqui terem sido tomadas decisões quanto à Educação ou ao SNS, baseadas em dados errados dá algum espaço de manobra ao Governo para se adaptar à nova realidade?
Na semana passada, a pretexto da Prestação Social Única, já aqui falámos bastante sobre a questão dos acordos e desacordos entre o Governo e a oposição. Entretanto, o Governo insiste que tem um parceiro preferencial e que PS e Chega têm uma responsabilidade equivalente nas próximas reformas e no Orçamento. E esta pergunta leva-nos directamente ao Orçamento. José Luís Carneiro não fecha a porta à viabilização, mas também não quer aparecer como muleta do Governo. Como é que o PS vai gerir esta magna questão? E como é que o Governo pode facilitar a aprovação do Orçamento?
Há outra questão que pode mexer com o PS na altura de viabilizar, ou não, o Orçamento: o PS e José Luís Carneiro seguem embalados por mais uma sondagem positiva. O PS consolida a liderança, Carneiro tem aparecido bem avaliado na comparação para primeiro-ministro e há sinais de desgaste da AD. Mas a vantagem socialista não é necessariamente confortável e continua a haver um triângulo muito instável entre PS, Chega e AD. Será que estas sondagens já permitem dizer que José Luís Carneiro devolveu o PS ao centro do jogo político?
E há um ponto curioso: uma das leituras das sondagens é que o chumbo da reforma laboral não penalizou o PS — pelo contrário, parece ter sido bem recebido por muitos eleitores. É caso para perguntar: basta dizer “não” ao Governo para recuperar terreno?
Uma questão final para a mudança de liderança do Livre, que ocorreu esta semana: o que é que isto significa para o futuro que se funde e confunde tanto com Rui Tavares?
Os minutos finais vão para o Público e Notório.
See omnystudio.com/listener for privacy information. - Neste episódio temos dois temas inevitáveis na política nacional: primeiro, o congresso do PSD, que ficou marcado pelo rescaldo do chumbo da proposta de lei laboral e pela tentativa de Luís Montenegro de transformar uma derrota parlamentar numa afirmação política. Depois, o acordo entre PS e PSD para viabilizar a criação da Prestação Social Única, a PSU — um acordo que, à primeira vista, contrasta com o impasse total no pacote laboral.
Começamos pelo congresso do PSD. O partido reuniu-se em Anadia, mais precisamente em Sangalhos, ainda com a poeira do chumbo da reforma laboral no Parlamento, e Luís Montenegro tentou recentrar o discurso no “trabalho”, nas reformas e na ideia de que a oposição bloqueia a mudança. Será que este congresso serviu mais para unir o PSD à volta do Governo ou para responder a uma fragilidade concreta: a de um primeiro-ministro que acaba de ver uma reforma central chumbada no Parlamento?
A ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, também teve um momento forte no congresso. Disse que a reforma laboral era um projecto do Governo, agradeceu o empenho do primeiro-ministro e deixou a ideia de que o executivo voltará a insistir neste caminho. Ao envolver tão directamente Luís Montenegro na reforma laboral, a ministra protegeu-se de ficar sozinha com o ónus do chumbo ou, pelo contrário, transformou esta derrota também numa derrota pessoal do primeiro-ministro?
E houve outra dimensão neste congresso: o PSD tentou colar PS e Chega no mesmo bloco de bloqueio, apesar de continuar a precisar de ambos, em momentos diferentes, para fazer passar diplomas no Parlamento. A estratégia de atacar PS e Chega em simultâneo é sustentável para um Governo minoritário? Ou é sobretudo uma forma de manter mobilizado o eleitorado do PSD depois de um revés parlamentar?
Passamos então à Prestação Social Única. O PS e o PSD chegaram a acordo para viabilizar a PSU, depois de negociações que mexeram em pontos sensíveis: o canal de denúncias, o chamado trabalho social, a condição de recursos e a forma como os valores da prestação serão fixados e escrutinados. Falamos sobre os vencedores e vencidos neste processo e falamos também sobre uma zona cinzenta: o PS disse que o trabalho social deixaria de ser obrigatório e passaria para um plano personalizado; pouco depois, o PSD veio dizer que essa actividade solidária social não cai e não deixa de ser obrigatória. Será uma divergência real no conteúdo do acordo ou duas narrativas políticas construídas para públicos diferentes — uma para o PS dizer que humanizou a proposta e outra para o PSD dizer que não cedeu?
E a última pergunta liga os dois temas: no pacote laboral, PSD e Chega não chegaram a acordo; na PSU, chegaram. Num caso, houve ruptura e chumbo; no outro, houve entendimento. Qual é a diferença essencial entre estes dois processos?
Os minutos finais são para o Público e Notório.
See omnystudio.com/listener for privacy information. A aproximação entre Chega e um PSD que vai a congresso com 18 moções e zero críticas
18/06/2026 | 28minNeste Poder Público vamos falar de política no rescaldo do empate de Portugal no Mundial, na quarta-feira em Houston. O jogo aconteceu pouco depois de terminar o debate quinzenal com o primeiro-ministro no Parlamento, debate esse que foi antecipado numa hora para que os deputados e governantes pudessem assistir ao jogo. Foi uma discussão muito marcada pela lei laboral que tem estado a ser discutida nos últimos dias entre Chega e PSD.
Não vamos adiantar-nos muito sobre este tema porque haverá com certeza novidades durante esta quinta ou eventualmente sexta-feira, que é o dia para o qual está marcada a votação sobre os diplomas em cima da mesa. Neste momento, PSD e Chega mostram uma sintonia crescente, inclusivamente nas críticas ao PS. Durante o debate, Hugo Soares chegou que o PS está mais radicalizado do que no tempo de Pedro Nuno Santos.
Este fim-de-semana o PSD de Luís Montenegro vai reunir-se em Congresso e o PÚBLICO vai lá estar a acompanhar os trabalhos. Neste episódio falamos sobre o partido que vai ao Congresso, em que ponto está, quais são as críticas internas mais comuns e o que se podemos esperar de Luís Montenegro e dos seus discursos. Também comentamos a entrevista de Miguel Relvas sobre o futuro daqueles que nos últimos anos foram os maiores partidos da democracia: PS e PSD.
Há um tema a que não temos dado muita importância, até porque não há eleições previstas para breve, mas ainda guardamos tempo para discutir brevemente um tema final: sondagens. As últimas que têm sido divulgadas dão um crescimento do PS de José Luís Carneiro, que surge à frente do PSD. A que é que se pode atribuir este crescimento? A um cansaço relativamente à AD ou a uma estratégia eficaz do PS?
O episódio termina depois do momento Público & Notório.
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