170 episódios
- Há palavras que o poder aprendeu a tolerar: sustentabilidade, transição, economia verde. Ele as repete em cúpulas climáticas, as imprime em relatórios corporativos e as financia com mercados de carbono. Enquanto isso, a Amazônia arde.
No oitavo episódio da série Utopias Amazônicas: Conversas com os Autores, o LatitudeCast recebe o economista e ativista equatoriano Alberto Acosta. Ex-ministro de Energia e Minas e ex-presidente da Assembleia Constitinte do Equador — onde contribuiu para inscrever, pela primeira vez na história, os Direitos da Natureza em uma Constituição —, Acosta é autor de uma das obras mais influentes do pensamento latino-americano contemporâneo: O Bem Viver: uma oportunidade para imaginar outros mundos.
No livro Utopias Amazônicas, Acosta assina o ensaio “A Amazônia na armadilha do progresso: violência, resistência, transformações, utopias”, abrindo seu texto com o anjo da história de Walter Benjamin para mostrar que o progresso não é uma promessa, mas uma catástrofe que acumula ruínas.
Conversamos sobre a ilusão do desenvolvimento sustentável, o extrativismo que sobrevivera a governos neoliberais e progressistas, a violência como condição estrutural do capital, a proposta Waorani e Kichwa do Kawsak Sacha (Selva Viva) e a urgência de "yasunizar" o mundo para desmercantilizar a vida.
Utopia não é um sonho distante. É a coragem de incomodar o poder, abandonar a religião do crescimento econômico e construir alternativas reais de existência em harmonia com a Terra.
📚 Utopias Amazônicas — Ateliê Editorial → shorturl.at/wxijK
🎙️ Produção e roteiro: Marcos Colón e Lucas Monteiro
🎧 Edição de som: Lucas Monteiro
🌿 www.amazonialatitude.com - In this episode, Marcos Colón speaks with historian Seth Garfield about guaraná, Indigenous science, Amazonian environmental history, and the making of Brazil’s national imagination.
The conversation is based on the interview published in HALAC — Historia Ambiental Latinoamericana y Caribeña, titled “A Sacred Plant, a National Myth: Seth Garfield on Guaraná, Indigenous Science, and the Making of Brazil.”
Together, Garfield and Colón discuss how guaraná moved from Indigenous worlds into Brazilian national mythology, commodity markets, science, and popular culture. The episode explores how a sacred Amazonian plant can reveal larger histories of Indigenous knowledge, environmental transformation, race, nationalism, and the political uses of nature in Brazil.
Published interview:
https://www.halacsolcha.org/index.php/halac/article/view/1200/919
DOI: 10.32991/2237-2717.2026v16i2.p639-659 Utopias Amazônicas #07 | Aurélio Michiles — O Esperançar das Descobertas e o Cinema Decolonial
03/07/2026 | 37minNascido em Manaus, o cineasta e documentarista Aurélio Michiles construiu uma obra consagrada e centrada na memória, no território e nos conflitos históricos da Amazônia, tendo se formado pelo Instituto de Artes e Arquitetura da Universidade de Brasília e pela Escola de Artes Visuais do Parque Lage. É diretor de obras fundamentais como Que Viva Glauber (1991), Lina Bo Bardi (1993), O Cineasta da Selva (1997), Segredos do Putumayo (2020) e Honestino (2025).
No livro Utopias Amazônicas, o diretor assina o ensaio “Amazônia, Utopia pra quem?”, um texto que parte de suas memórias de infância em Manaus para desmontar séculos de invenção colonial e questionar, sem hesitar, a quem servem as projeções que o mundo ocidental deposita sobre a maior floresta tropical do planeta.
Conversamos sobre a infância colonizada, a imagem como testemunho palpável e segunda pele da humanidade, a crueza da invasão petrolífera e o apocalipse no território Sateré-Mawé durante a ditadura militar, a farsa do progresso sob a lógica da terra arrasada e o cinema como um ato político de rebeldia.
Utopia não é o lugar que não existe. É a esperança da descoberta, o compromisso ético com a memória coletiva e a teimosia comunitária que se recusa a aceitar a destruição como destino.
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🌿 www.amazonialatitude.comUtopias Amazônicas #06 | Renan Freitas Pinto — As Utopias Indígenas: Instruções para o Futuro
17/06/2026 | 24minO LatitudeCast chega ao sexto episódio da série especial Utopias Amazônicas: conversa com os autores recebendo o professor Renan Freitas Pinto (UFAM/UEA). Coordenador do Grupo de Pesquisa sobre o Pensamento Social Brasileiro na Amazônia, o pesquisador traz uma reflexão profunda sobre o papel das narrativas tradicionais e a cosmogonia dos povos originários frente às crises do mundo contemporâneo.
Na entrevista, o professor discute como a permanência da consciência mítica atua como um horizonte de resistência e analisa o atual "boom" editorial de autores indígenas como uma resposta direta e necessária ao extrativismo cultural histórico sofrido por essas comunidades.
O diálogo aborda ainda a luta dos povos isolados, caracterizada por Renan Freitas como uma das formas mais radicais de utopia geral na região por sua recusa contundente em se submeter à assimilação da sociedade nacional.
Uma conversa de fôlego que nos convida a enxergar as utopias da floresta não como nostalgias do passado, mas como instruções urgentes para o futuro de todos nós.
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🌿 www.amazonialatitude.comUtopias Amazônicas #05 | Edna Castro — Epistemologias da floresta e o combate ao colonialismo verde
11/06/2026 | 41minPensar o amanhã possível exige a coragem de nomear o presente pelo que ele é. A professora Edna Castro passou as últimas décadas provando que as respostas para adiar o fim do mundo não virão dos mercados de carbono, mas das racionalidades milenares que o poder colonial tentou apagar.
No quinto episódio da série Utopias Amazônicas: Conversas com os Autores, o LatitudeCast recebe a socióloga Edna Castro, professora emérita da Universidade Federal do Pará (UFPA), doutora pela Escola de Altos Estudos de Ciências Sociais em Paris, com pós-doutorado no Centro Nacional da Pesquisa Científica (CNRS).
No livro Utopias Amazônicas, a professora assina o artigo “Utopias Amazônicas: para ser possível amanhã”, um ensaio contundente que desconstrói as narrativas sedutoras do capitalismo verde para propor outras formas de imaginar o futuro a partir do chão da floresta.
Conversamos sobre as temporalidades em disputa, o avanço do neoextrativismo 4.0, a captura mercadológica da bioeconomia de escala e a urgência de uma ciência pública e política capaz de decodificar o poder pós-COP30.
Utopia não é o lugar que não existe. É o lugar que o poder colonial tentou apagar, e que os povos da Amazônia, em sua tecelagem milenar de reexistências, nunca deixaram de habitar.
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Sobre Amazônia Latitude | Humanidades Ambientais
Podcast da Amazônia Latitude, uma revista digital independente, produzida em colaboração por estudantes de pós-graduação, professores e pesquisadores de várias instituições do Brasil e do mundo.
Situada no campo das Humanidades Ambientais, somos uma plataforma crítica, que cultiva uma leitura interdisciplinar da Amazônia e da Pan-Amazônia em seus processos históricos, socioculturais e políticos, com o propósito de examinar e demonstrar o desenvolvimento de uma violência lenta sobre as culturas e territórios da região, assim como pensar outras possibilidades para a floresta e seus povos.
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