326 episódios
- Foram cinco anos de trabalho para que a escritora e jornalista Paulliny Tort concluísse “Os Imortais”, romance que narra o encontro de um clã de neandertais com um grupo de homo sapiens. O livro, lançado no começo deste ano, já é a maior febre literária do ano e Tort é uma das presenças mais esperadas na edição de 24ª Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty.
Na entrevista ao Podcast da Semana, a escritora conta como chegou à linguagem crua e precisa do livro. “Limpei o texto de todos os anacronismos. Por exemplo, não tem o verbo sapatear porque, embora eles usem calçados, não são sapatos. Fiz uma pesquisa etimológica e limpei as figuras de linguagem. Foi um processo bem interessante e foi importante ele ter passado por esse estado de crueza. Mas depois eu fui voltando com as figuras de linguagem e com o que era mais sonoro e mais fluído para mim.”
Mestre em Comunicação e Sociedade pela UnB, Tort é também autora de “Erva Brava” (Fósforo, 2024), seu primeiro livro de contos, que foi vencedor do prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA) e finalista do prêmio Jabuti 2022; e de “Allegro ma non troppo” (Oito e Meio, 2016), semifinalista do Prêmio Oceanos de Literatura.
Ainda recente, “Os Imortais” já pode ser descrito como uma febre. Original e surpreendente, virou tema frequente nas redes sociais e fora delas. “A literatura toca no outro pela sensibilidade. Você pode se emocionar com um personagem que talvez você não concordasse com a forma como ele vive. Esse lugar da imaginação e do sentir que a literatura oferece é o que mais me interessa”, diz.
Estudiosa da biologia (Tort fez cursos na área e um estágio em primatologia), conta que não pesquisou exatamente para escrever o livro, mas chegou a passar dias caminhando e fazendo jejum para reproduzir o que vivem seus personagens. “O jejum é um processo fisiológico e psíquico muito interessante, que não acontece só no corpo, mas na mente também, e muda a nossa percepção e a nossa relação com o tempo”, afirma.
Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima - Emicida acaba de lançar "Mesmas Cores & Mesmos Valores", como uma homenagem ao álbum "Cores & Valores", dos Racionais MCs, lançado em 2014. Mas o disco é também uma ode ao rap, esse gênero e movimento que tem a incrível capacidade de retratar e transformar realidades. Convidado do novo episódio do Podcast da Semana, da Gama, Emicida trata das inspirações para esse disco, e do show que segue em turnê.
Aos 40 anos, o rapper lota shows que conectam públicos de diferentes gerações. Grande leitor e pesquisador, ele coleciona referências de todo tipo, e também sobre o Brasil e seus dilemas sociais — tanto que em 2025 chegou a ser citado pela ministra Cármen Lúcia em um julgamento no STF, que utilizou o trecho da música "Ismália" para tratar de racismo estrutural.
Na conversa com Gama, Emicida reflete sobre a importância de Mano Brown e dos Racionais MCs em sua formação artística e pessoal. Detalha sua relação com a imagem e fala da escolha pelo fotógrafo Walter Firmo, de 89 anos, para assinar algumas imagens do álbum. E explica ainda como o novo disco deve ser "assistido com os ouvidos", como ele diz.
Roteiro e apresentação: Luara Calvi Anic - Além da catástrofe financeira, você já parou para pensar que as bets estão mudando o jeito de muita gente olhar para a vida e as suas paixões? No caso do futebol, agora na Copa do Mundo, ficou bem óbvio.
"O futebol sempre foi o nosso ritual mais coletivo, aquele momento raro em que a favela, o asfalto e o condomínio fechado torcem ao mesmo tempo para a seleção. E as bets quebraram esse desejo único em centenas de pequenos mercados, de pequenas transações. Hoje, a pessoa não vai torcer só para um gol, vai torcer para um escanteio, um cartão amarelo, os minutos de acréscimo. As bets sequestraram essa paixão brasileira", diz o antropólogo David Nemer, o convidado do Podcast da Semana da edição sobre bets.
Nemer é professor nos departamentos de Estudos de Mídia, de Antropologia e do programa de Estudos Latino-Americanos da Universidade da Virgínia. Ele pesquisa tecnologia nas favelas e, nos últimos anos, se dedica a entender os efeitos das bets no Brasil.
Na entrevista que você ouve abaixo, ele fala sobre como as bets têm um modelo de negócios que tira proveito da vulnerabilidade e defende que é errado pensarmos em vício, pois assim "individualizamos" o problema e culpabilizamos o usuário.
"A questão, tanto do iludido quanto do viciado, não dá conta do que realmente acontece. Ela individualiza uma coisa que é estrutural, que é um produto desenhado para extrair, inclusive de quem é informado", afirma o pesquisador.
Segundo Nemer, a Copa funciona como uma grande campanha de recrutamento, trazendo gente nova para as plataformas. "Depois dessa festa, vem a conta, que vai ser o endividamento, o empréstimo com o amigo que não vai conseguir pagar, com agiota. Em lares precarizados, há um abandono familiar. O homem na favela se apropria do dinheiro da mulher, sendo que sete em cada dez lares são mantidos por mulheres. E as mulheres, claro, ao lutar pelo seu dinheiro para sustentar a casa, acabam em confronto e são agredidas."
Ele defende o banimento total e diz que, ainda assim, as bets deixarão um triste legado. "Uma dependência social foi criada e as pessoas buscarão outras formas de aposta."
Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima - Se o seu filho ou sua filha lê a série "Diário de Pilar" (Pequena Zahar), escrita por Flávia Lins e Silva, você já deu um grande passo para formar uma mente curiosa, aberta a conhecer diferentes culturas, sabores, histórias e modos de viver. O novo episódio do Podcast da Semana, da Gama, traz a escritora Flávia Lins e Silva para falar sobre Pilar, essa menina que viaja pelo mundo descobrindo os mitos mais antigos da humanidade, e sobre despertar a curiosidade das crianças.
Flávia Lins e Silva é escritora, roteirista e jornalista. Com mais de dez livros publicados, é conhecida principalmente por ter criado as séries "Diário de Pilar" e "Os Detetives do Prédio Azul" (Pequena Zahar). Trabalhou como roteirista da TV Globo por 16 anos e, em 2011, ganhou o prêmio da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil com seu livro “Mururu no Amazonas" (Globo Livros). "O Diário de Pilar na Amazônia" acaba de virar filme, lançado pela Disney e adaptado para o cinema pela própria Flávia e por João Costa Van Hombeeck.
Na conversa com Gama, a autora fala de seu processo de escrita, da importância de apresentarmos a Amazônia para as crianças e do seu interesse pela meditação e pela contemplação da natureza.
Roteiro e apresentação: Luara Calvi Anic - Como criar meninos conscientes e empáticos quando eles são o alvo preferencial da machosfera? Como conseguir manter uma proximidade real com eles e ficar a par de que influências estão sobre eles quando estamos todos cada vez mais atarefados?
“O quanto a gente está interessado e, de fato, está acompanhando essa criança e esse adolescente, que nem sempre é fácil de estar do lado, nem sempre está aberto também para dialogar com a gente?”, questiona a antropóloga Isabela Venturoza, entrevistada do Podcast da Semana sobre a formação das masculinidades em crianças e adolescentes.
“É preciso saber o que ele está fazendo ali, nos conectar com ele cotidianamente — porque às vezes a gente está no capitalismo selvagem, às vezes a gente não está conectado nem consigo mesmo, porque está ali só sobrevivendo e entregando pauta, continuando cada dia de uma vez”, afirma.
Doutora em Antropologia Social pela Unicamp e mestra pela USP, Venturoza é professora da pós-graduação na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo e pesquisadora do Núcleo de Estudos sobre Marcadores Sociais da Diferença da USP, além de coordenar o Núcleo de Estudos Interseccionais sobre Homens e Masculinidades (NUM). É ainda cofundadora do Instituto Feminista de Cuidado (IFC) e colunista da revista Azmina.
Na conversa que você ouve abaixo e nas plataformas de áudio, ela fala sobre a importância de ouvir os meninos, de dar referências e de ter um cuidado próximo. Ela comenta sobre o crescimento e a difusão da ideologia masculinista e do movimento red pill na internet e até em cursos, um perigo real para meninos e meninas, e um grande negócio para muita gente.
Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima
Mais podcasts de Sociedade e cultura
Podcasts em tendência em Sociedade e cultura
Sobre Podcast da Semana
"Podcast da Semana" traz todo domingo um bate-papo de 30 minutos com um convidado sobre o assunto da semana da Gama Revista.
Sítio Web de podcastOuve Podcast da Semana, Vamos Viajar na Maionese e muitos outros podcasts de todo o mundo com a aplicação radio.pt

Obtenha a aplicação gratuita radio.pt
- Guardar rádios e podcasts favoritos
- Transmissão via Wi-Fi ou Bluetooth
- Carplay & Android Audo compatìvel
- E ainda mais funções
Obtenha a aplicação gratuita radio.pt
- Guardar rádios e podcasts favoritos
- Transmissão via Wi-Fi ou Bluetooth
- Carplay & Android Audo compatìvel
- E ainda mais funções


Podcast da Semana
Leia o código,
descarregue a aplicação,
ouça.
descarregue a aplicação,
ouça.






![Podcast Fundação (FFMS) - [IN]Pertinente](https://www.radio.pt/podcast-images/175/fundacao-ffms-in-pertinente3.jpeg?version=6e0ae3f8c14cd27a5915ea13b0f963a0bfa10a33)


















