Num momento em que se discute o potencial viciante da reprodução automática do YouTube e seus riscos de exposição a discursos extremistas, um criador de conteúdo parece ter a total aprovação de mães, pais e cuidadores: o jornalista Iberê Thenório, criador do canal Manual do Mundo, no Youtube, junto à esposa Mariana Fulfaro, terapeuta ocupacional que hoje ocupa a direção-executiva da produtora de vídeos.
Desde 2008, Thenório transformou o que começou com vídeos caseiros que mostravam o funcionamento de objetos comuns numa das maiores produtoras de entretenimento educativo do país com o foco centrado em ciências e engenharia. São mais de 20 milhões de seguidores nas suas redes e mais de 4 bilhões de visualizações no canal do YouTube. Além dos vídeos, o Manual do Mundo também tem 17 livros publicados e uma marca de 1 milhão de unidades vendidas, além de produtos licenciados.
“A partir de uma certa idade, as pessoas começam a ter um pouco de resistência às exatas, às ciências da natureza. E aquilo começa a fazer parte da identidade da pessoa, não gosta de matemática, não gosta de física, não gosta de química. A nossa missão aqui é desviar desse filtro que essas pessoas criam”, fala sobre ao Podcast da Semana sobre educação e telas.
Na entrevista a Gama, Thenório conta sobre como é educar pelo Youtube e sobre o fato de os meninos serem a maioria do seu público. “A gente vive em uma sociedade que cria uma resistência [sobre ciências e exatas] nas meninas. Elas são desde cedo estimuladas a seguir carreiras da área da saúde, de humanas, e acabam sendo direcionadas para aquilo. Uma menina com dez anos já acha que engenharia não é para menina.”
No episódio, o jornalista dá dicas de como assistir ao YouTube de forma mais saudável, fala sobre como escolhe os assuntos a serem destrinchados e explica porque é tão obcecado por bolas perfeitas.
Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima